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segunda-feira, 1 de maio de 2017

RAUL SEIXAS: DE RAULZITO A MALUCO BELEZA - QUARTA PARTE - FINAL


Salve galera que está curtindo o Blog Opinião do Véio! Aqui encerro a quarta e última parte da história deste que foi um ícone para o rock brasileiro.

Raul teve muitos casamentos, mas deve ter tido momentos felizes enquanto seus problemas não afetaram seus relacionamentos. Por ter abusado do álcool e das drogas, o Maluco Beleza pagou um preço alto por seus exageros.
Além de ter retirado metade de seu pâncreas em 1979, Raul era diabético, usava insulina injetável, ou seja, não poderia consumir bebidas alcoólicas de maneira nenhuma, principalmente destiladas, que segundo os médicos, são as que vão matando aos poucos.

Mas cada um tem seus “infernos particulares”, não podemos julgar ninguém (até porque não queremos ser julgados). A trajetória de Raul chegou ao fim e seus últimos anos não foram nada fáceis.



Em 1985, separou-se de Kika Seixas. Fez um show em 01 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova. Conseguindo um contrato com uma gravadora pequena, a Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), gravou um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao seu alcoolismo.

O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! foi lançado em março de 1987 pela gravadora Copacabana e gravado entre 24 de fevereiro e 29 de dezembro de 1986 no estúdio independente São Paulo, em São Paulo, e nos estúdios da gravadora Copacabana, em São Bernardo do Campo. Este disco significou a volta ao mercado fonográfico do cantor baiano após quase 3 anos do lançamento de Metrô Linha 743, pela Som Livre.

A gravação transcorreu-se de forma demorada devido aos problemas de saúde do cantor, que passou boa parte do ano internado na Clínica Tobias, em São Paulo. Assim, os trabalhos encerraram-se apenas no dia 29 de dezembro e a mixagem deu-se em 05 e 06 de janeiro de 1987. O disco foi gravado praticamente ao vivo em estúdio, com apenas a voz sendo adicionada posteriormente.

Raul teve a presença de seu guitarrista Rick Ferreira na produção, já que as gravações das bases transcorriam enquanto o cantor estava internado, e de apenas Rick e o engenheiro de som na mixagem, com quase nenhuma interferência da gravadora. Sua quinta e última mulher, Lena Coutinho, aparece em diversas parcerias, além de ter ficado responsável pela parte gráfica da capa.

Capa do disco de 1987.

O disco começa com uma abertura jazzística e o grito primal do rock, imortalizado por Little Richard em “Tutti Frutti”, juntamente com "Quando Acabar o Maluco Sou Eu", com guitarras a lá Chuck Berry, um violão 12 cordas estilo The Byrds e uma letra divertidíssima. Segue-se o country rock de banjo e violão de aço "Cowboy Fora da Lei", grande sucesso do disco, com sua mistura de política e medo da idolatria.

"Paranóia II (Baby Baby Baby)" é um rock meio surreal, meio jazzístico, mais para o rock dos anos 60. "I Am (Gîtâ)" é uma versão em língua inglesa para o seu maior sucesso, cantada em um inglês shakespeariano e sem orquestras no arranjo, na qual Raul aproveita para dizer coisas que seriam censuradas em português.

"Cambalache" é a segunda versão do disco, de um tango de Enrique Santos Discépolo, e com um arranjo "louco, superintuitivo, em três ritmos: a bateria fica no tango, o baixo em blues e a guitarra em rock; todo quebrado". Continua com "Loba", uma valsa rock que tem um tema característico do rock dos anos 50: letra maliciosa e música ingênua.


"Canceriano sem Lar (Clínica Tobias Blues)" é um blues típico com rock and roll, rhythm and blues e gospel, composta sobre a rotina de Raul na clínica em que esteve internado para tratar do alcoolismo. "Gente" é bem mais próxima do rock estilo anos 80. "Cantar" é uma balada mais ou menos no estilo Cliff Richard.

O álbum foi lançado em março de 1987 e, devido principalmente ao sucesso de "Cowboy Fora da Lei" e de "Quando Acabar o Maluco Sou Eu", vendeu mais de 100 mil das 250 mil cópias que foram editadas, rendendo ao cantor baiano o seu terceiro Disco de Ouro e consolidando-se como o terceiro disco mais vendido da carreira de Raul.

O disco teve três de suas canções vetadas pela censura federal ("Não Quero mais Andar na Contramão", "Check-up" e "Como o Diabo Gosta"), o que fez com que Raul e a gravadora decidissem excluí-las do álbum. Elas seriam lançadas no ano seguinte em um novo disco pela mesma gravadora, A Pedra do Gênesis. "Cowboy Fora da Lei" fez parte da trilha sonora da novela Brega & Chique e contou com a filmagem de um videoclipe para o programa dominical da Rede Globo, o Fantástico.


O álbum foi bem recebido pela crítica, com uma aclamação unânime aos seus esforços. As críticas elogiavam a concisa parte musical, gravada, praticamente, ao vivo em estúdio, e a simplicidade e beleza dos arranjos, assim como no disco anterior, sem grandes orquestrações e apostando em uma banda básica (guitarra, baixo e bateria) e em letras que falavam dos problemas diários do cantor, internações, remédios e problemas de saúde, ao invés de grandes problemas metafísicos. Continuava apostando na imagem do "roqueiro clássico", em oposição a "essa moçada de guitarra na mão, meio perdida" que formava o BRock dos anos oitenta.

A partir desse ano, estreitou relações com Marcelo Nova, fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus. Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, fez seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis.

Lançado em 22 de agosto de 1988 pela gravadora Copacabana e gravado entre 24 de fevereiro e agosto de 1988 no estúdio independente São Paulo, em São Paulo, e nos estúdios da gravadora Copacabana, em São Bernardo do Campo. Este foi o último álbum solo do cantor e o último pela pequena gravadora paulista. Representou uma última tentativa de retornar ao personagem do místico e do profeta que marcaram a fase de maior sucesso de público e crítica de sua carreira.

Capa do disco de 1988.

Já bastante doente, Raul Seixas lançou seu penúltimo disco, marcado por canções que soam como presságio de uma despedida, como "Cavalos Calados", "Senhora Dona Persona" e "Areia da Ampulheta".

O disco ainda traz "Check Up" (uma nova versão para a música "Bruxa Amarela" que foi lançada nos anos 70 por Rita Lee e sua banda no álbum Entradas e Bandeiras), "A Lei" (onde Raul Seixas faz um discurso novamente evocando a Sociedade Alternativa, enquanto o coro canta o refrão da música homônima) e "Não Quero Mais Andar Na Contramão" (música em que Raul afirma estar cansado de usar drogas, e mais conhecida na sua versão original, gravada pelo ex-Beatle, Ringo Starr).

Algumas músicas, Raul fez em parceria com sua última companheira, Lena Coutinho. Esse disco não obteve o mesmo sucesso do anterior, Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! de 1987.

Marcelo Nova e Raul

A convite de Marcelo Nova, fez alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco. No ano de 1989, fez uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participou de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.


Último Disco e Morte

As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 22 de agosto de 1989, um dia depois da morte de Raul.

A Panela do Diabo é o décimo quinto e último álbum de estúdio de Raul Seixas e o segundo do cantor e compositor Marcelo Nova, lançado em 19 de agosto de 1989 pela gravadora WEA, com gravações realizadas em maio de 1989 no Estúdio Vice Versa e distribuição pela BMG Ariola.

O disco foi possível pela aproximação progressiva entre Raul e Marcelo que começou a se intensificar a partir de 1984 e viria a culminar em duas turnês conjuntas (Anestesia, de novembro de 1988 até maio de 1989, e A Panela do Diabo, de 02 de junho até 13 de agosto de 1989) e este álbum.

Marcelo Nova e Raul, antes do lançamento do disco.

Apesar do relativo sucesso discográfico, Raul continuou afastado dos palcos após o fracasso de seu último disco, Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!, de 1987. Isso só mudou quando Raul teve uma nova crise de saúde e, durante um jantar com Marcelo em Salvador, queixou-se da sua situação financeira que dificultava tratar de seus problemas de saúde. Nova ofereceu a Raul a oportunidade de dividirem o palco, e o cachê, do show que ele faria com sua banda no dia seguinte, na capital baiana.

Assim, em 18 de setembro de 1988, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, Raul voltava aos palcos, acompanhado de seu amigo Marcelo Nova. O show foi um sucesso que se repetiu nas outras duas apresentações de Marcelo no teatro naquele fim de semana. Assim, Marcelo e Raul embarcaram em uma turnê celebratória da volta de Raul aos palcos, batizada de Anestesia, que durou de novembro de 1988 até maio de 1989, quando receberam convite de André Midani para gravarem um álbum juntos e lançá-lo pela sua gravadora, a WEA.

As canções que viriam a fazer parte do disco começaram a ser compostas por Marcelo e Raul ainda durante a turnê Anestesia, já que, segundo Marcelo, inconscientemente, eles acreditavam que fariam um disco mais cedo ou mais tarde. Assim, quando o contrato de Raul com a Copacabana encerrou-se e veio o convite de Midani, eles puderam "trancar-se em casa" e produzir a maioria das músicas.


Então, as gravações transcorreram, de certo modo, rapidamente, no curso do mês de maio de 1989, no Estúdio Vice Versa, em São Paulo. Após o disco estar gravado, veio o lançamento do primeiro single, "Carpinteiro do Universo", e o início da turnê de divulgação, com shows no Olympia, em São Paulo, entrevista no Jô Soares Onze e Meia, e apresentação no Domingão do Faustão, tudo em junho de 1989. Os músicos prometiam que o disco teria muito rock e rhythm and blues.

Durante esta turnê, antes de um show em Santa Bárbara d'Oeste, os músicos descobriram que um grupo de religiosos evangélicos distribuía panfletos associando os dois ao diabo: aquela foi a dica para a escolha do nome do disco. O álbum foi mixado no Estúdio nas Nuvens, de Liminha, no Rio de Janeiro. A turnê acabou no dia 13 de agosto com um último show em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson. Seis dias depois, o álbum chegaria às lojas em todo o Brasil.

Capa do disco de 1989, com Marcelo Nova.
O álbum começa com uma versão à cappella, e embriagada, de "Be-Bop-A-Lula", de Gene Vincent, um clássico rockabilly dos anos 50. Em seguida, o álbum traz o "rockão" autobiográfico "Rock 'n' Roll" que explora histórias da vida de Raul e Marcelo e cita diversos artistas de rock and roll, como Little Richard e Chuck Berry, além de comparar o artista nordestino de forró Genival Lacerda com os pioneiros do rock Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

 Depois, temos o single e grande sucesso do disco, "Carpinteiro do Universo", uma balada "country-caipira", mistura de música country com música sertaneja de raiz, que tem como temática a impossibilidade de "arrumar o mundo" e de "tudo consertar" e que foi considerada, por Luís Antônio Giron, como "uma das melhores canções já realizadas no rock nacional", com sua melodia lenta e fácil e sua letra lírica.

"Quando Eu Morri" é um blues que tem a morte e o abuso de substâncias como temática: interessante notar que esta temática aparece de modo manifesto apenas nesta composição de Marcelo e em outra estrofe sua no rock de abertura ("Por aí os sinos dobram e isso não é tão ruim / Pois se são sinos da morte, eles ainda não bateram para mim / E até chegar a minha hora, Eu vou com ele até o fim"). "Banquete de Lixo" é outra que também fala sobre abuso de substâncias.


O lado B (estou falando de LP de vinil, com dois lados) abre com o outro "rockão", "Pastor João e a Igreja Invisível", que critica o "exercício da fé". "Século XXI" é um amargo raio x "da depressão de fim de século sem perspectiva". "Nuit" é a canção mais pesada do disco, a única somente de Raul (e sua então esposa, Kika Seixas), e é uma espécie de resumo de sua filosofia setentista, com um gosto amargo de derrota. Seu nome é derivado de uma deusa egípcia e traz em um de seus versos uma referência velada à morte através de uma citação de um trecho do capítulo "Morte", de As Dores do Mundo, de Schopenhauer. "Best Seller" e "Cãibra no Pé" seguem a fórmula bem sucedida dos country rocks do restante do disco. "Você Roubou meu Videocassete" foi destacada nas resenhas pela sua melodia considerada "feia".

O álbum foi lançado no dia 19 de agosto de 1989 em LP, Fita cassete e CD, pela gravadora WEA (distribuído pela BMG Ariola) e, dois dias depois, viria a falecer, vítima de um ataque cardíaco, de madrugada, em seu apartamento, Raul Seixas, aos 44 anos. Não se sabe se apenas por suas qualidades, ou se houve alguma influência da morte de Seixas, mas o álbum vendeu mais de 150 mil cópias em seu ano de lançamento, rendendo um disco de ouro a Raul e Marcelo, sendo que o de Raul foi entregue a sua família.

De qualquer modo, o lançamento acabou sendo ofuscado pelo trágico fim de um de seus autores e, ao mesmo tempo, beneficiou-se da exposição massiva que Raul Seixas passou a ter em toda a mídia nacional. Suas músicas voltaram a tocar no rádio e especiais sobre sua carreira apareceram em jornais, revistas e na televisão.


A turnê de promoção do disco (batizada, também, de A Panela do Diabo), que começou em junho com show no Olympia, em São Paulo, e terminou com a última apresentação da carreira de Raul no dia 13 de agosto no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, foi um absoluto sucesso de público, apesar da “performance non sense” de Seixas em cima do palco, e funcionou como uma espécie de turnê de despedida para o músico veterano. A divulgação do álbum foi intensa em rádios, jornais e televisão, além do lançamento de dois compactos: "Carpinteiro do Universo" e "Pastor João e a Igreja Invisível".

Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama, por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.


Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.

O álbum foi extremamente bem recebido pela crítica especializada na época de seu lançamento. De fato, assim como em relação às vendagens, não se sabe o quanto a morte de Raul Seixas influenciou na crítica do disco. Entretanto, é de notar-se que as críticas foram unanimemente favoráveis e, com o passar dos anos, quase ninguém resolveu reavaliar o álbum.

Assim, o crítico Ayrton Mugnaini Júnior, escrevendo para a revista Bizz, avaliou favoravelmente o disco, elogiando o seu rock direto e comparando-o ao supergrupo Traveling Wilburys. Também, considera que Raul canta melhor que Marcelo no álbum, embora não deixe de notar a desafinação geral da dupla, dizendo que ela se "encaixa perfeitamente no espírito country rock de todo o LP".


Todos os críticos são uníssonos nos elogios à simplicidade dos arranjos e à qualidade das letras que combinam lirismo e críticas mordazes. Escrevendo para a Folha, Neufville avalia que o disco une a tradição à modernidade para reafirmar uma ideia de rock brasileiro: uma ideia que, simples e antiga, "associa o country norte-americano ao sertanejo, o blues à música caipira, tudo cimentado pelas raízes do rock 'n' roll".

Lauro Lisboa Garcia, escrevendo para o Estadão, elogiou a acidez e ironia do álbum, dizendo que o disco era uma bordoada dos "feios, sujos e malvados" Raul e Marcelo "na fuça dos pequineses do biônico popinho brasileiro". Luís Antônio Giron, também para o Estado, elogiou a acidez, a ironia e o rock bem-humorado do disco. Ressaltou que o disco tinha um gosto amargo de derrota e que vinha daí a sua grandeza: ele "é o ataque que já se sabe derrotado pelos dobbermans do sistema" [...]



O álbum tornou-se cult com o passar dos anos, com "Carpinteiro do Universo" e "Pastor João e a Igreja Invisível" tornando-se clássicos do cancioneiro de Raul Seixas e, também, de Marcelo Nova. Ainda hoje, Marcelo Nova toca canções do disco e, até, o álbum completo em turnês comemorativas.

Por outro lado, o grande legado do álbum foi o estabelecimento definitivo do lugar único de Raul Seixas no panorama da música popular brasileira, em especial no rock brasileiro. Assim, o álbum e a sua turnê de divulgação, permitiu a apresentação de Raul a uma nova geração, abrindo espaço para a condição de ídolo que o músico baiano passaria a ostentar após a sua morte, com a edição de diversas coletâneas e a reedição de seus discos clássicos.

A morte de Raul Para os Fãs

O que vou postar aqui, é o artigo de Gláucia Padilha, escrito para a Revista Contigo!:


“Há muito não se via uma manifestação popular igual. Desesperados, os fãs de Raulzito mostraram toda a dor no velório.

Contorcidos de dor e desespero, milhares de fãs do "maluco" Raul Seixas prestaram sua última homenagem ao rei do rock brasileiro. Cantando os grandes sucessos do ídolo, uma multidão completamente transtornada beirou as raias da loucura. Lágrimas, desmaios e gestos tresloucados: houve invasão do necrotério de Vila Alpina (em São Paulo) e até tentativa de impedir que o corpo fosse sepultado em Salvador.

A tragédia se abateu sobre os fãs quando as rádios começaram a noticiar que Raul havia deixado de criar às 05 horas da madrugada de segunda-feira por causa de uma parada cardíaca. Sem acreditar na história, uma legião de jovens tomou as dependências do Hotel Aliança — onde Raul vivia há dois anos — na esperança de encontrar Raulzito com vida e, como sempre, rindo da situação.


Infelizmente o sonho dos fãs não se concretizou. Seu corpo jazia numa das câmaras mortuárias do Crematório de Vila Alpina. Quando a informação se espalhou, outra multidão se aglomerou na frente do crematório e, num momento de desespero, invadiu o necrotério. Mas o caixão do ídolo já tinha partido para o Palácio das Convenções do Anhembi, onde encontrou milhares de "seguidores" do autor de "Metamorfose Ambulante".

A noite foi longa e triste. Mas ninguém arredou pé um instante do local onde descansava o baiano que ousou e revolucionou o rock. Muitos — vestidos com camisetas de fãs-clubes do cantor — sacaram o violão e entoaram as músicas de Raul. Essa multidão acompanhou o carro do Corpo de Bombeiros que levou o caixão ao aeroporto para embarcá-lo num jatinho em direção a Salvador. Na Bahia, as manifestações se repetiram com a mesma intensidade. Só pararam quando os funcionários do Cemitério Jardim da Saudade despejaram a última pá de terra sobre o caixão.”

Legado Que Raul Deixou

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias, com uma versão ao vivo de "Rock das ‘Aranha’ " de 1991 e Anarkilópolis, com "Cowboy Fora da Lei Nº2", de 2003.

Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor, O Baú do Raul, baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte. Em 2002, o cantor paraibano Zé Ramalho lançou o DVD Zé Ramalho Canta Raul Seixas: Ao Vivo contando com algumas canções de Raul no repertório.

Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul).


Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo.

Em 2013, o cantor americano Bruce Springsteen cantou "Sociedade Alternativa" na abertura de seu show no Rock in Rio 2013. Em junho de 2014, a Rede Record definiu a música "Tente outra vez", como tema de abertura da novela Vitória. Em 2015, a gravadora Som Livre lançou o DVD e em formato CD O Baú do Raul – 25 Anos Sem Raul Seixas, gravado em agosto de 2014 na Fundição Progresso no mês em que se completaram exatos 25 anos da morte do cantor e que contou com a participação dos seus sucessos nas vozes de Jerry Adriani, Nação Zumbi, Baía, Ana Cañas, Zeca Baleiro, Marcelo Nova, Marcelo Jeneci, Digão, Tico Santa Cruz, Cachorro Grande, entre outros, além da presença da banda original do músico, Os Panteras.

Curiosidade: Vivian, sua filha do casamento com Kika, ou Vivi como é conhecida no meio musical, hoje é DJ. e lançou vários remixes de seu pai em estilo eletrônico. Raul toca até nas pistas eletrônicas desse planeta que insiste em não parar.


Bem galera, aqui encerro a história desse que foi o “pai do rock”, o criativo e carimbador maluco da música contemporânea brasileira. Não querendo comparar, mas fazendo um paralelo com artistas bem diferentes: Raul Seixas e Vincent van Gogh.

Cada um em, sua área, buscava a perfeição. Quando não satisfeitos com o rumo tomado por suas carreiras, Raul entrou em depressão e enveredou para o caminho do álcool e das drogas, Vincent enlouqueceu e cortou sua orelha.
Porque a comparação: Raul fez sucesso enquanto estava vivo, mas muito mais sucesso depois que morreu. Vincent van Gogh não vendeu quadro algum enquanto estava vivo. Depois que morreu, virou uma referência, e seus quadros hipervalorizaram.

Ambos eram mestres naquilo que faziam, mas só foram verdadeiramente reconhecidos depois que não estavam mais aqui para desfrutar do sucesso estrondoso que suas obras alcançaram depois de suas mortes. Justiça à parte, comparei os dois porque gosto do trabalho de ambos, cada um a seu estilo, cada um com seus problemas.

E VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA, VIVA! VIVAAA!!!


Fiquem com mais de Raul Seixas em:
































































sexta-feira, 28 de abril de 2017

RAUL SEIXAS: DE RAUZITO A MALUCO BELEZA - TERCEIRA PARTE


Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio! É uma satisfação tê-los aqui novamente, acompanhando a terceira parte da história deste que é uma das figuras mais importantes do rock brasileiro.

Eu estava pesquisando para o Blog e fiquei surpreso com a notícia que está no último parágrafo antes de minha despedida, na segunda parte. Como a censura não permitia que soubéssemos de tudo, alguma coisa passou em branco.

Embora eu já fosse adolescente nessa época, e já fazia papel de “DJ”. com o toca discos de meu futuro cunhado nas festas da empresa em que ele conheceu minha irmã, eu jamais lembraria de ter ouvido essa notícia, por isso separei o final da segunda parte, para explicar melhor agora.



Época Conturbada

“Quando o Raul saiu da Philips, estava mal. O contratei para a Warner e todo mundo foi contra”, diz o produtor Marco Mazzola, que comprou um apartamento para Raul na época. “Vi que não podia fazer mais nada quando o levei para mostrar a casa nova e ele estava mais interessado em fazer carreiras de cocaína. O Raul era um cara careta, mas se deixou levar por essa coisa de ver disco voador. Ele confiou demais no Paulo Coelho. Eu falava para ele pôr o pé no chão.”

Mazzola se esmerou no LP, convidando o guitarrista americano de jazz Lee Ritenour para solar em ‘Maluco Beleza’ e Gilberto Gil para arranjar ‘Que Luz É Essa?’. “O Raul achava que Caetano Veloso e Gilberto Gil não gostavam dele. E hoje a gente vê Caetano falando bem dele, mas na época não era assim!”, lembra o produtor.

Kika Seixas, que viria a ser mulher de Raul, trabalhava no departamento de imprensa da Warner, disse: “O Elvis Presley andava com a ‘máfia de Memphis’, uma rapaziada estranha. E Raul cismou que era como ele, e fazia o mesmo. Quem cuidava das contas dele, inclusive Imposto de Renda, era um motorista!”, espanta-se Kika.

Raul e Kika.


Mata Virgem (1978), no qual retomava a parceria com Paulo Coelho, teve um quase-hit, ‘Judas’. “Por causa da retirada de parte do pâncreas, Raul precisou parar de beber. Isso o deixou deprimido e ele passou a faltar a compromissos”, relata Kika. “Um dia, precisei ligar para o Raul para chamá-lo para o estúdio, e a pessoa que atendeu, que morava com ele, disse que não o via há dias nem sabia se ia poder dar o recado”, recorda ela.

“Naquela época, a Warner foi para terceiro lugar nas paradas e eu comecei a ter outras funções lá dentro”, lembra Mazzola. “Me vi completamente sem forças para ajudar o Raul, um grande talento. Mas ele não queria ser ajudado.”

Por Quem Os Sinos Dobram, último álbum da fase, saiu em 1979 e trazia Raul compondo ao lado do amigo argentino Oscar Rasmussen, com quem dividia apartamento. É tido por fãs como seu álbum mais fraco. Raul costumava agregar a seu redor os tipos mais estranhos e sombrios, numa versão tropical da “máfia de Memphis” que acompanhava Elvis Presley.

Em 1979, ele teve a inacreditável ideia de contratar uma equipe de caratecas argentinos como seguranças. Tanto ele e Oscar quanto os seguranças varavam as noites em festas regadas a álcool e drogas das mais variadas. Numa transação obscura entre os caratecas e traficantes, o faixa preta Hugo Amorrotu foi assassinado a tiros, dentro do apartamento de Raul, num evento que demonstra o grau de descontrole que sua vida havia tomado. “Foi o ápice de uma fase de total desligamento do amor à vida”, lamenta Mazzola.

Anos 1980: Altos e Baixos

Em 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém alguns sucessos.

O disco fez algum sucesso na época, com as músicas "Aluga-se" e 'Rock das Aranha" e vendeu razoavelmente bem. Contudo, ambas as músicas foram censuradas. "Aluga-se" era uma forte crítica sobre a relação do governo brasileiro com outros países, principalmente Estados Unidos. Já "Rock das 'Aranha’", foi censurada devido à sua letra, sexualmente explícita.

Capa do disco de 1980.

Raul chegou a declarar anos mais tarde que a canção é um plágio de "Killer Diller" do cantor Jimmy Breedlove. A música "Angela" foi feita em homenagem à companheira de Raul, Kika Seixas. O disco também inclui uma música de seu pai, Raul Varella Seixas, "Minha Viola".

Em 1981, nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.

Logo após o lançamento de Abre-te Sésamo, em 1980, a Discos CBS passaria por uma mudança em sua diretoria o que ocasionou em uma piora nas relações com o músico. Assim, o novo disco seria muito mal divulgado e pessimamente distribuído, o que incomodou o cantor baiano. A gota d'água veio em meados do ano seguinte, com a proposta da diretoria para que Raul gravasse um disco em homenagem ao casamento do príncipe Charles com a princesa Diana: o cantor pediu demissão.

Com isso, Raul enfrentou grandes problemas para a continuidade de sua carreira, como a dificuldade para marcar shows. Esses problemas levavam o cantor a abusar do álcool e das drogas, levando a um círculo vicioso de abusos e dificuldades para trabalhar. Assim, apesar de conseguir alguns públicos significativos, como as 180 mil pessoas no Festival de Verão de Santos, na praia do Gonzaga, em fevereiro de 1982, em bons shows, às vezes o cantor passava por situações difíceis.


Um episódio que ilustra bem esse período é o show na cidade de Caieiras, em 15 de maio de 1982. Raul se dirigiu à cidade acompanhado de seu empresário e sete músicos, para encerrar uma Feira de Folclore local. Entretanto, chegando lá, o responsável pela programação impediu o início do show alegando que havia poucas pessoas no local (cerca de 300) e que os músicos deveriam aguardar a chegada de mais gente. Com isso, o show só iniciou-se após a meia-noite. Apesar de uma duração programada de 50 minutos, a apresentação durou apenas meia hora devido à animosidade do público.

Após o fim do show, policiais entraram no camarim e levaram o cantor sob a acusação de ser um impostor. Raul sofreu maus tratos e ficou detido na delegacia até às 5 horas do domingo, quando seu empresário conseguiu providenciar os seus documentos. As versões conflitantes sobre o fato não permitem saber, até hoje, se o cantor estava drogado ou alcoolizado.

Neste período, Raul tentou vender para diversas gravadoras o projeto de um disco chamado Nuit, uma opereta-rock que versaria sobre a deusa da noite na religião Thelema, composto em parceria com sua companheira na época, Kika Seixas, sem sucesso.


Apenas em janeiro de 1983, Raul recebeu um telefonema de João Lara Mesquita, diretor de uma pequena gravadora, a Eldorado, pertencente ao mesmo grupo que controlava o jornal O Estado de São Paulo, convidando-o para gravar um disco pela sua gravadora. Como Raul já havia sido recusado por todas as grandes gravadoras multinacionais que atuavam no Brasil, tendo até ouvido de um executivo que ele estava "vacinado contra Raul Seixas", a proposta foi aceita na hora.

As canções do disco foram compostas durante o período de dois anos em que Raul esteve sem gravadora, diversas delas fazendo parte do projeto inacabado de um disco independente, Nuit. Com o contrato da Eldorado, Raul separou diversas canções que tinha composto (algumas parte do projeto não terminado e outras com temática distinta) e entrou nos estúdios da gravadora, em São Paulo, já em janeiro, para gravar o disco, com produção de seu pianista e maestro, Miguel Cidras.

Em fevereiro, o trabalho em estúdio foi finalizado, juntou-se um cover de Arthur Crudup gravado ao vivo em 26 de fevereiro de 1983, em show na Sociedade Esportiva Palmeiras, e o disco passou os meses seguintes em pós-produção. Próximo da data de lançamento, Raul foi convidado por Augusto César Vannucci, diretor da Rede Globo, para interpretar um personagem no especial infantil Plunct, Plact, Zuuum. O cantor compôs uma canção inspirado por sua filha com Kika, Vivian, que tinha dois anos.

Raul como o Carimbador Maluco.

Ao ficar sabendo da participação de Raul no especial, que seria exibido em 03 de junho de 1983, a Eldorado quis incluir aquela música no disco. Como a primeira tiragem já estava pronta, foi feito um compacto às pressas para ser distribuído (em forma de encarte)  juntamente com o disco. Nas tiragens seguintes, bem como no relançamento em CD, a canção já figuraria como a sétima faixa no disco.

O álbum começa com "D.D.I. (Discagem Direta Interestelar)", um "puro Raul Seixas de boa safra" em que Deus reclama com os homens pelas besteiras que estão fazendo e estariam comprometendo a Sua "reputação". "Não Fosse o Cabral" é uma versão para "Slippin' and Slidin'" de Little Richard que quase foi censurada. Wanderléa divide os vocais com Raul na faixa "Quero Mais", uma mistura de reggae, baião e xaxado. "Segredo da Luz" (remanescente de Nuit) foi considerada a balada mais bonita do disco, na qual homens e mulheres brilham como estrelas.


"Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo" é uma canção defendida pelos Os Lobos no VII Festival Internacional da Canção e que "conserva uma deliciosa ingenuidade em suas brincadeiras com sílabas". "Capim Guiné" é uma moda sertaneja composta por Raul em parceria com Wilson Aragão. "Babilina" é uma versão de "Bop-a-Lena", de Ronnie Self, com letra "pornô-kitsch". A última canção é um belo tributo à Arthur "Big Boy" Crudup gravada ao vivo em um show no ginásio da Sociedade Esportiva Palmeiras em 26 de fevereiro de 1983, que Raul canta com a "energia de um adolescente".

Raul Seixas, também conhecido como Carimbador Maluco, foi o décimo primeiro álbum de estúdio de Raul, lançado em 26 de abril de 1983 pela gravadora Eldorado (distribuído nacionalmente pela EMI-Odeon) e, bem divulgado e distribuído, vendeu mais de 100 mil cópias, rendendo o segundo disco de ouro da carreira de Raul. O disco teve três canções inicialmente vetadas pela censura ("Quero Mais", "Babilina" e "Não Fosse o Cabral"), mas, após explicações, elas acabaram sendo liberadas.

A divulgação acabou se beneficiando do lançamento do musical infantil da Globo que trazia "Carimbador Maluco" como uma das principais faixas e a participação de Raul cantando a música caracterizado como o personagem título. Em dezembro, Raul apresentou-se, inclusive, no especial de Natal da emissora, no estádio do Maracanã, em companhia da Turma do Balão Mágico e dos Trapalhões, cantando esta canção. Além disso, a canção “Coração Noturno” fez parte da trilha sonora da novela Louco Amor.

Capa do disco de 1983.

O álbum foi bem recebido pela crítica na época de seu lançamento, especialmente por significar a volta de Raul Seixas após quase três anos sem lançamentos discográficos e poucos shows realizados no período. As apresentações de Raul vinham recebendo bons públicos e seu "marketing pessoal" de uma nova fase mais família, longe do álcool e das drogas, com Kika Seixas e sua filha pequena sempre presentes nas entrevistas concedidas, parecia surtir efeito em gerar mídia positiva.

Essa mudança na carreira foi bem sucedida, inicialmente, com a mudança de cidade (Rio de Janeiro para São Paulo) e uma nova postura: não mais a imagem de profeta, mas uma tentativa progressiva de apresentar-se como um roqueiro clássico e, ao mesmo tempo, como uma espécie de antagonista em relação aos artistas que começavam a ficar famosos pelo "novo rock" que se fazia no Brasil. Assim, Raul respaldava-se cada vez mais no nome "Raul Seixas" e na postura de representante do "verdadeiro rock", do qual os novos grupos seriam mero "pastiche".


O disco representa o início da última fase da carreira de Raul, com a mudança pra São Paulo, as dificuldades para manter a carreira, a luta contra os seus demônios internos (álcool e drogas) e os problemas de saúde (especialmente, a pancreatite crônica causada pelo alcoolismo) e a mudança na autoimagem. O cantor tentava se estabelecer como um representante do "verdadeiro rock", em oposição ao "BRock" que surgia naquela época.

Ao mesmo tempo, buscava desvincular-se da imagem de "profeta" que tanto sucesso tinha trazido para ele na década anterior. Entretanto, a sua "fase família" não duraria muito: a volta do álcool e das drogas levaria Raul a se separar de sua mulher, Kika Seixas, e, eventualmente, a parar de apresentar-se ao vivo por um longo período. Hoje, o disco é visto como um dos últimos lampejos da carreira de Raul Seixas.

Em 1984, grava o LP Metrô Linha 743 pela gravadora Som Livre, com a maior parte das composições em parceria com sua companheira Kika Seixas e uma das faixas, “Mas I Love You (Pra Ser Feliz)”, em parceria com seu guitarrista Rick Ferreira, que teve participação em todos os discos de Raul, a partir de Gita.

Lançado em julho de 1984, Metrô Linha 743, pela gravadora Som Livre, com gravações realizadas entre janeiro e abril de 1984 nos Estúdios Sigla, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O disco representou a volta do cantor baiano a uma grande gravadora, após ter lançado Raul Seixas, no ano anterior, com grande sucesso de público e crítica, pelo pequeno selo paulista Gravadora Eldorado.

Capa do disco de 1984.

As canções tinham começado a ser compostas logo após a finalização do trabalho anterior e estavam praticamente prontas quando os trabalhos em estúdio começaram. A demora de quatro meses para realizar o disco foi motivo de cobranças da gravadora, bem como o custo total do álbum (muito caro para a época).

O cantor justificou o valor e a demora dizendo que foi difícil conseguir a simplicidade que ele queria nos arranjos e no disco. Assim, paradoxalmente, o álbum ficou simples e caro. Outro problema que o cantor experimentou e que impactou na demora da produção foi a não liberação da canção "Mamãe Eu Não Queria", vetada pela censura para execução pública (shows e reprodução no rádio ou na TV), mesmo após recurso da gravadora.

Raul assumiu não só a concepção musical, como também a visual. Em entrevistas, o cantor dizia que buscou um álbum conceitual, não só nas faixas musicais, mas também no projeto gráfico do disco (todo em preto e branco), o que remeteria não só a Alfred Hitchcock, como também aos anos 50. Por isso, a escolha de fotos em preto e branco de diversos momentos da carreira de Raul (cedidas pelo seu fã-clube Raul Rock Club) para adornar o encarte. Além do mais, o título remetia ao ano em que Raul sofreu com a censura e foi convidado a sair do país, 1974. E o próprio ano de lançamento do álbum, bem como a letra da canção título, fazia referência à obra de George Orwell, Nineteen Eighty-Four.


Novamente, assim, participou do musical infantil da Rede Globo que ocorreu em março daquele ano, com a música "A Geração da Luz", que fez parte da trilha sonora de Plunct, Plact, Zuuum... 2, sequência do musical de sucesso do ano anterior (que também contava com uma canção de Raul Seixas) sem, entretanto, repetir o sucesso.

Continuava, também, a apresentar-se como um "roqueiro clássico" em oposição aos artistas do novo rock brasileiro, o BRock. Assim, fazia gozações com o que via como a falsidade de tais grupos e a sua natureza midiática, negando a existência de um verdadeiro "movimento de rock". Raul seria, assim, um representante do "verdadeiro rock" que não se deixava dobrar pelas novas modas, como a new wave.

O disco foi lançado em julho de 1984 pela Som Livre, mas, apesar da quantidade de dinheiro investida e da qualidade do trabalho, as vendas decepcionaram o cantor e a gravadora. O cantor atribui as dificuldades à falta de divulgação por parte da gravadora e ao lançamento concomitante de Ao Vivo - Único e Exclusivo por sua antiga gravadora, a Gravadora Eldorado. O artista alegava que a sua gravadora não lançou nenhum compacto para promover o disco e que não quis gravar um clipe musical, segundo as suas intenções. Também, responsabilizava a Eldorado por ter lançado um disco ao vivo no mesmo mês em que saiu o seu álbum de estúdio pela gravadora carioca.

A capa do disco que a Eldorado lançou junto com o da Som Livre.

O disco foi bem recebido pela crítica especializada, mas as suas vendagens (por diversas razões) ficaram aquém das expectativas do artista e da gravadora, levando ao término do seu contrato. Com as dificuldades para agenciar shows que Raul passou a experimentar com o agravamento de sua doença e dos seus problemas com álcool e drogas, ele pararia completamente de fazer shows em dezembro de 1985, ficando em uma espécie de ostracismo.


Uma curiosidade comentada por um youtuber, ao observar recentemente sobre o lançamento em inglês de “Gita”, “I Am”, de 1984: " Quando Raul ganhou seu primeiro Disco de Ouro com "Gita", em 1974, as pessoas imaginavam que com a afirmação "eu sou", contida na música, Raul referia-se a ele mesmo e acorriam a seus shows esperando que ele pudesse fazer milagres, como um verdadeiro Messias. Na verdade, a música se refere ao princípio criador do universo, que a tudo comanda”.


Bem galera, por aqui encerro esta que é a terceira parte sobre a história do Carimbador Maluco, Raul Seixas.

De maluco beleza a consumidor de drogas, de pai de família a caso de polícia, Raul realmente teve muitos altos e baixos e seu estado de saúde só agravou sua situação, pois nem fazer shows estava conseguindo fazer mais, o que deveria ser seu “ganha pão”.

Falar de Raul Seixas sem falar em muitas esposas, drogas e rock and roll, seria clichê demais. Sua vida foi uma mistura explosiva de misticismo, muito álcool e muita insensatez. Não tenho minha vida certinha, mas não faço nada parecido com meus ídolos. Sou careta por natureza, não condeno ninguém, mas sei ser feliz sem precisar de subterfúgios. A música é a minha droga, e basta!!


Fiquem com mais de Raul “Maluco Beleza” Seixas em:



















































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