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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

RPM, A BANDA QUE ENCANTOU UMA GERAÇÃO - SEGUNDA PARTE


Olá pessoal que está curtindo o Blog Opinião do Véio! Estou aqui, mais uma vez, para comentar a história de uma banda que foi, literalmente, catapultada ao estrelato, caiu no gosto dos empresários e, principalmente, no gosto popular, pois é quem consome o produto vendido por um cantor ou banda: a música.


Na segunda parte da história da banda RPM, existe um caminho igual à de uma montanha russa: cheio de altos e baixos. Mas uma coisa posso lhes garantir, com a maturidade chegando aos integrantes, muitas coisas tiveram que ser resolvidas no diálogo, pois o negócio que lhes impulsiona é a música e isso necessita de público, vendas, voltar ao estrelato, antes tão facilmente atingido e ao mesmo tempo tão frágil.

Terceiro disco de estúdio, mas não considerado oficial por causa da disputa 
na justiça do nome RPM e por não contar com Luiz Schiavon e Paulo Pagni.

1993: Paulo Ricardo & RPM

Apesar de não contar com o tecladista Luiz Schiavon e com o baterista Paulo P.A. Pagni, este disco é considerado por muitos como o terceiro disco de estúdio da banda. Com Paulo Ricardo (voz e baixo), Fernando Deluqui (guitarras), Marquinho Costa (bateria) e Franco Júnior (teclados), este é o disco mais pesado da banda.

Sem a influência de Schiavon a banda aposta em guitarras pesadas e solos bem construídos por Deluqui. O disco, mesmo apresentando excelente qualidade musical, não refletiu o sucesso nos palcos e nas vendas. Muitas bandas do rock brasileiro dos anos 80 caíram no ostracismo, principalmente com o fenômeno da música sertaneja e do axé music.

Após a malfadada turnê do disco, Paulo e Fernando resolveram seguir caminhos diferentes. O guitarrista gravaria um disco solo e, em 1995, tocaria com os Engenheiros do Hawaii. Paulo Ricardo, por sua vez, trilharia os caminhos da MPB.

Capa do CD MTV 2002

2002: MTV RPM 2002

Em 2001, os quatro músicos do RPM se encontraram novamente para ensaiar, sem maiores pretensões, os antigos sucessos. Percebendo o entrosamento perfeito e a vontade de todos de estarem juntos novamente nos palcos, deram início ao retorno do RPM, inclusive com o retorno do empresário Manoel Poladian, considerado o "quinto coiote".

Em 2001 é lançado o single "Vida Real", uma versão em português (composta por Paulo Ricardo) da canção "Leef" do holandês Han van Eijk, o tema oficial da primeira edição do mundo do reality show Big Brother, que fora encomendado pela produção da Rede Globo para ser o tema de abertura da edição brasileira do mesmo.


A banda voltou à mídia com o CD e DVD MTV RPM 2002, gravado no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, nos dias 26 e 27 de março de 2002. Além dos grandes sucessos, a banda apresenta canções inéditas, como “Fatal”, “Carbono 14”, “Rainha”, “Vem Pra Mim” e “Onde Está o Meu Amor”, gravada em estúdio e incluída na trilha sonora da novela Esperança, da Rede Globo.

 Destacam-se também as participações do músico pernambucano Otto, no instrumental Naja (incluído apenas no DVD); de Roberto Frejat, do Barão Vermelho, na regravação de Exagerado, sucesso de Cazuza; e a participação virtual de Renato Russo na canção “A Cruz e a Espada”. O CD vendeu mais de 300.000 mil cópias, obtendo o disco de platina.

Em 2003, novamente com a MTV, participaram do projeto Luau MTV.

2003: Nova separação

O grupo, com o sucesso do projeto da MTV, começou então uma nova turnê por todo o Brasil, que não durou muito tempo. Especulações dizem que a banda se separou após os outros integrantes descobrirem que Paulo Ricardo havia registrado todos os direitos em seu nome, iniciando uma disputa judicial pela marca RPM. Outros dizem que houve divergências quanto à sonoridade da banda.

Ainda nessa época seria lançado um novo CD do RPM, porém, com as divergências quanto a banda, o projeto foi abandonado.


Luiz Schiavon e Fernando Deluqui, juntamente com André Lazzarotto, lançaram o álbum LS&D (Viagem na Realidade).Duas mil cópias foram lançadas, e a canção "Madrigal", que foi tema de abertura da telenovela Cabocla, foi bem executada.

Paulo Ricardo e o baterista Paulo P.A. Pagni formaram a banda PR.5. Mesmo com o fracasso do CD Zum Zum, Paulo Ricardo lançou a canção “Eu Quero Te Levar”.

Paulo Ricardo lançou em 2006 o CD e DVD Acoustic Live, com covers de clássicos internacionais, como "Beautiful Girl" (INXS) e "Love Me Tender" (Elvis Presley). Nesse mesmo ano, no segundo semestre Paulo Ricardo, P.A e Luiz Schiavon tocaram juntos no programa Domingão do Faustão, um encontro memorável que relembrou grandes sucessos da banda RPM.

2007: A volta

Em 2007, Paulo Ricardo lança o CD Prisma, com uma pegada pop rock com as faixas "Diz" e "A Chegada", contando com os membros do PR.5 como músicos de apoio, inclusive o baterista Paulo P.A. Pagni e a participação de Luiz Schiavon na canção "O dia D, A hora H".

Ainda em 2007, o grupo RPM tocou junto com todos os seus integrantes em São Paulo, com grande sucesso.


A banda anunciou o lançamento de uma caixa com os 3 primeiros álbuns da banda e mais um CD com remixes, covers e faixas não lançadas, junto com o DVD Rádio Pirata - O Show, contendo o registro de um show realizado em Dezembro de 1986, em São Paulo, filmado pela Rede Globo.

Em 2007 Fernando Deluqui lança o seu segundo disco solo intitulado de DELUX, um disco bem elaborado que conta com participação de Schiavon na composição da canção "Chuva".

Luiz Schiavon foi tecladista, maestro e diretor musical do programa Domingão do Faustão da Rede Globo de 2004 até 2011.


Livro: Revelações Por Minuto

Em dezembro de 2007, o livro "Revelações Por Minuto" foi lançado, contando os detalhes da trajetória da banda, desde seu início (1984) até o seu suposto "fim" (1989). O livro foi promovido em uma grande coletiva de imprensa em São Paulo, contando com a presença do autor, Marcelo Leite de Moraes, e os quatro integrantes da banda.

2011: Elektra

No final do ano de 2010, Paulo Ricardo postou em seu Twitter que a banda iria se reunir para gravar um novo álbum em 2011. Schiavon também confirmou a pretensão de retornarem, afirmando estarem vendo possibilidades para a volta aos palcos, já que sua banda no Domingão do Faustão não iria continuar em 2011.

Capado CD de 2011.

Dias após aos boatos, Schiavon confirma em seu twitter que a banda já estava compondo para o novo álbum. Segundo Paulo Ricardo, a banda queria fazer um som que lembrasse bandas atuais que misturam rock com música eletrônica como Muse, The Killers, Blur, entre outros.

Houve alguns boatos em relação ao produtor Liminha, que foi responsável pela produção de grande parte das bandas da década de 80 e 90, como Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Ira!, Kid Abelha, Cidade Negra, Chico Science & Nação Zumbi, O Rappa, entre outros. Mas o álbum foi produzido por Paulo e Schiavon. Além disso, os shows da turnê de divulgação do álbum contaram com a direção de Ulysses Cruz. Nessa época, houve boatos que a banda iria se apresentar na quarta edição do Rock In Rio, o que aconteceu nos meses de setembro e outubro.

A pré-estreia da Tour 2011, aconteceu no honrado evento de São Paulo "Virada Cultural". Um mês após esta apresentação, foi divulgado o título do álbum, chamado Elektra e foi disponibilizado quatro músicas para download no site oficial da banda. As canções, "Muito Tudo", "Crepúsculo" e "Ela é Demais (Pra Mim)" apresentavam o tom do disco, mais voltado para a música eletrônica. A quarta canção, "Dois Olhos Verdes" é mais familiar ao som do RPM dos anos 80, e foi escolhida para ser o primeiro single.


Inicialmente a banda liberaria quatro faixas mensalmente no site oficial e lançaria o disco no meio do ano, mas a promessa não foi cumprida, e o álbum (junto com as canções até então desconhecidas) foi lançado apenas no dia 6 de dezembro. O álbum foi lançado pela Building Records em um formato duplo, sendo o segundo CD formado por remixes de algumas das faixas do álbum.

O disco Elektra, além do flerte com a música eletrônica, também se apoia bastante nos arranjos de Luis Schiavon, que junto com os sintetizadores eletrônicos praticamente monopoliza a condução das canções. As letras são as mais leves de toda a discografia da banda, priorizando temas como amor e diversão. Apenas duas canções, "Muito Tudo" e "Problema Seu" carregam um tema mais reflexivo.

Desde o final de dezembro o álbum encontra-se na lista dos 40 álbuns mais vendidos no país.

A estreia da nova turnê foi no dia 20 de maio de 2011, no Credicard Hall, em São Paulo. No entanto, no dia 15 de maio de 2011 a banda se apresentou no programa Domingão do Faustão. O RPM têm continuado a turnê desde então.


Em novembro de 2012, a banda se apresentou no programa O Melhor do Brasil,da Rede Record, sendo a primeira banda a tocar ao vivo no quadro Vai Dar Namoro, aonde o apresentador Rodrigo Faro não escondia sua empolgação, sendo que o mesmo se declarou fã da banda diversas vezes.

Essa foi uma das declarações que Paulo Ricardo deu para a imprensa:
"A primeira parada foi de 1989 a 2001. E mesmo depois de 12 anos separados, ainda tinha o desejo do público, as pessoas continuavam querendo a gente", relembra.

 Com tanta história na bagagem, não é difícil entender que, agora, é esse o sentimento de Paulo Ricardo: "Acho que RPM é para sempre".


Bem pessoal, era isso que eu tinha para comentar sobre essa banda que trouxe muita alegria, criatividade e jogo de cena para a música brasileira. Para alívio dos fãs, Paulo Ricardo foi bem enfático ao dizer que consegue conciliar a carreira solo com a banda, ou seja, que isso pode durar por muitos anos ainda.

Numa época em que “músicas pobres” (se é que pode se chamar de música!!) se destacam na mídia,  precisamos que aqueles que não são novos e nem novidade, deem um gás à música popular brasileira, mais precisamente ao rock/pop brasileiro.

Se no século XXI as músicas são releituras de outras décadas, é porque nada está sendo feito agora (com algumas boas exceções). Temos que valorizar a boa música, a que tem algo de bom para que possamos ouvir e dizer: “Pôxa! Que legal!!”

Temos que parar de maltratar nossos ouvidos com músicas do tipo (desculpem quem gosta deste gênero!!) “Meu “pai” te ama”. Pára né?!!! Ou somos muito trouxas para consumir algo nesse sentido, ou o povo está sofrendo uma lavagem cerebral e está emburrecendo e perdendo o bom gosto que algum dia teve. Se é que teve!!


Fiquem com mais de RPM e Paulo Ricardo em:














































domingo, 12 de junho de 2016

CAZUZA, O POETA NÃO ESTÁ MORTO

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio. Nesta postagem vou comentar sobre a vida do poeta Cazuza, que foi um ícone da década de 80, suas músicas e seu envolvimento com drogas, e algumas polêmicas.


INFANCIA E ADOLESCÊNCIA

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, no Rio de Janeiro, no dia 04 de abril de 1958, filho do produtor fonográfico João Araújo (1935 – 2013) e de Lucinha Araújo (1936), Cazuza recebeu o apelido antes de nascer. Seu verdadeiro nome foi dado por insistência da avó paterna. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu nome de batismo, por isso não respondia à chamada na escola. Só mais tarde, quando descobriu que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade Angenor, por um erro do cartório), é que Cazuza começou a aceitar o nome.


Cazuza sempre teve contato com a música. Influenciado desde pequeno pelos grandes nomes da música brasileira, ele tinha preferência pelas letras dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Era também grande fã da roqueira Rita Lee, para quem chegou a compor a letra da música “Perto do Fogo”, que Rita musicou. Cazuza cresceu no bairro do Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio até mudar para o Colégio Anglo-Americano, para evitar reprovação (ele também era um simples estudante, nada de anormal). Como às vezes os pais saiam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, Alice. Por volta de 1965 começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. A mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos.


Em 1972, tirando férias em Londres, Cazuza conheceu as músicas de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, e logo se tornou um grande fã. Por causa da promessa do pai, que disse que lhe presentearia com um carro caso ele passasse no vestibular, Cazuza foi aprovado em Comunicação em 1976, mas desistiu do curso três semanas depois. Mais tarde começou a frequentar o Baixo Leblon, onde levou uma vida boêmia. Por causa disso, João Araújo criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, da qual seu pai foi fundador e presidente. Na Som Livre, Cazuza trabalhou no departamento artístico, onde fez triagem de fitas de novos cantores. Logo depois trabalhou na assessoria de imprensa, onde escreveu releases para divulgar os artistas.
No final de 1979 fez um curso de fotografia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Lá descobriu a literatura da Geração Beat, os chamados poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira. Em 1980 retornou ao Rio de Janeiro, onde ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador. Foi nessa época que Cazuza cantou em público pela primeira vez. O cantor e compositor Léo Jaime, convidado para integrar uma nova banda de rock de garagem que se formava no bairro carioca do Rio Comprido, não aceitou, mas indicou Cazuza aos vocais. Daqueles ensaios na casa do tecladista Maurício Barros, nasceu o Barão Vermelho.


BARÃO VERMELHO

O Barão Vermelho, que até então era formado por Roberto Frejat, guitarrista, Dé Palmeira, baixista, Maurício Barros, tecladista, e Guto Goffi, baterista, gostaram muito do vocal berrado de Cazuza. Em seguida, Cazuza mostra à banda letras que havia escrito e passa a compor com Frejat, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que só tocava covers passa a criar um repertório próprio. Após ouvir uma fita demo da banda, o produtor Ezequiel Neves convence o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo a apostar no Barão Vermelho.


Com uma produção barata e gravado em apenas dois dias, é lançado em 1982 o primeiro disco da banda, Barão Vermelho. Das músicas mais importantes, destacam-se “Bilhetinho Azul”, “Ponto Fraco”, “Down Em Mim” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. Apesar de ser aclamado pela crítica, o disco vendeu apenas sete mil cópias. Depois de alguns shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, a banda voltou ao estúdio e com uma melhor produção gravou Barão Vermelho 2, lançado em 1983. 


Esse disco vendeu 15 mil cópias. Foi nessa fase que, durante um show no Canecão, Caetano Veloso apontou Cazuza como o maior poeta da geração e criticou as rádios por não tocarem as músicas do Barão. Na época, as rádios só tocavam pop brasileiro e MPB. O rótulo de “banda maldita” só abandonou o Barão Vermelho quando o cantor Ney Matogrosso gravou “Pro Dia Nascer Feliz”. 
Cazuza contou em uma entrevista, que certo dia tocaram a campainha do apartamento em que ele morava e sua empregada bateu na porta de seu quarto e lhe disse: "Seu Cazuza, seu Ney Matogrosso está aqui e pediu para falar com o senhor", o que levou Cazuza a responder: "Ah, pára de brincadeira e me deixa dormir!". Logo em seguida, Ney estava à porta de seu quarto, para conversar sobre a gravação de “Pro Dia Nascer Feliz”. Era o empurrão que faltava, e a banda ganhou vida própria.


MAIOR ABANDONADO E ROCK IN RIO

A banda foi convidada a compor e gravar o tema do filme Bete Balanço. A faixa-título tornou-se um dos grandes clássicos da banda, impulsionando o filme que virou sucesso de bilheteria. A música também impulsionou as vendas do terceiro disco do Barão. Maior Abandonado, lançado em outubro de 1984, conquistou disco de ouro, (o equivalente a 40 mil cópias) registrando outras composições como “Maior Abandonado” e “Por Que a Gente é Assim?”. Em 15 e 20 de janeiro de 1985, o Barão Vermelho se apresentou na primeira edição do Rock In Rio. A apresentação da banda no quinto dia tornou-se antológica por coincidir com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar. Cazuza anunciou esse fato ao público presente e para comemorar, cantou “Pro Dia Nascer Feliz”.


A SAÍDA DE CAZUZA DO BARÃO VERMELHO

Como eu disse no começo, algumas polêmicas causaram a saída de Cazuza da banda. Alguns meios de comunicação dizem que “Cazuza deixou a banda a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente”. Poder ser que essa seja a justificativa final, mas o que li em entrevistas da época, principalmente em revistas especializadas sobre música (eu assinava a Bizz, depois ShowBizz) é que Cazuza estava tão envolvido em orgias onde rolava álcool e drogas, que ele acabava chegando sempre atrasado para as gravações em estúdio. Aliás, outra polêmica que aconteceu na época, foi que Cazuza se declarou bissexual. Para aqueles homofóbicos de plantão, foi um prato cheio quando começou-se a falar na “peste gay”, prenúncios da AIDS que até então era conhecida como uma doença que só atingia quem era gay. Mais tarde se provou que era mentira. Mas voltando à polêmica vida desregrada, que depois foi retratado no filme sobre a vida de Cazuza, ele consumia cocaína injetando na veia. E o que é pior, compartilhando a seringa com outras pessoas. Portanto, se ele adquiriu a síndrome foi por causa das drogas.
Enfim, em uma conversa amigável, como foi dito pela banda, na época, Cazuza foi convidado a retirar-se. Em julho de 1985, durante os ensaios do quarto disco do Barão, Cazuza deixou o Barão para seguir carreira solo. Suspeita-se que nesse mesmo ano, ele começou a ter febre diariamente, indícios da AIDS que se agravaria anos depois. Ezequiel neves, que trabalhou com o Barão, dividiu-se entre a banda e a carreira solo de Cazuza.


EXAGERADO E SÓ SE FOR A DOIS

Em outubro de 1985, Cazuza foi internado para ser tratado por uma pneumonia. Ele exigiu fazer um teste de HIV, do qual o resultado foi negativo. Em novembro de 1985, seu primeiro disco solo Exagerado foi lançado pela Som Livre. “Exagerado”, a faixa-título composta em parceria com Leoni (ex-Kid Abelha), se tornou um dos maiores sucessos e marca registrada do cantor. A música “Só as Mães São Felizes” foi vetada pela censura. 


O segundo disco deveria ter sido lançado pela Som Livre, no segundo semestre de 1986, mas como a gravadora rompeu com seu elenco de artistas, Só Se For a Dois foi lançado pela PolyGram (agora Universal Music Group) em 1987. Logo depois, Cazuza foi contratado pela PolyGram. Só Se For a Dois mostrou temas românticos como “Só Se For a Dois”, “O Nosso Amor a Gente Inventa”, “Solidão Que Nada” e “Ritual”.


IDEOLOGIA E O TEMPO NÃO PÁRA

A AIDS se manifestou em 1987. Cazuza foi internado com pneumonia, e um novo teste revelou que o cantor era portador do vírus do HIV. Em outubro, Cazuza foi internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, para ser tratado de uma nova pneumonia. Em seguida, ele é levado pelos pais aos Estados Unidos. Lá, foi submetido a um tratamento a base de AZT (um coquetel de remédios, que depois ficamos sabendo que era ineficaz, diferente do que existe hoje, que se tratado direito, prolonga a vida infinitamente) durante dois meses no New England Hospital, de Boston. Ao voltar ao Brasil no começo de dezembro de 1987, Cazuza iniciou as gravações de um novo disco, Ideologia de 1988, que contém os hits “Ideologia”, “Brasil” e “Faz Parte do Meu Show”. “Brasil”, em versão de Gal Costa foi tema de abertura da telenovela Vale Tudo, da Rede Globo e ganhou o Prêmio Sharp por melhor música do ano e melhor composição pop-rock do ano (Cazuza, George Israel e Nilo Romero).


Os shows se tornaram mais elaborados e a turnê do disco Ideologia, dirigido por Ney Matogrosso, viajou por todo o Brasil. O Tempo Não Pára, gravado no Canecão durante esta turnê, foi lançado em 1989. O disco se tornou o maior sucesso comercial superando a marca de 500 mil cópias vendidas. A faixa “O Tempo Não Pára” tornou-se um dos seus maiores sucessos. Também destacam-se “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” com um arranjo mais introspectivo, “Codinome Beija-Flor” e “Faz Parte do Meu Show”. O Tempo Não Pára também foi lançado em VHS pela Globo.


BURGUESIA

Em fevereiro de 1989, Cazuza declarou publicamente que era soropositivo, ajudando assim a criar consciência em relação à doença e aos efeitos dela. Compareceu na cerimônia do Prêmio Sharp numa cadeira de rodas, e recebeu os prêmios de melhor música para “Brasil” e de melhor disco para Ideologia. Burguesia, de 1989, foi gravado com o cantor numa cadeira de rodas e com a voz nitidamente debilitada e fraca. É um disco duplo onde o primeiro disco traz músicas  de rock brasileiro e o segundo com músicas de MPB. Burguesia foi o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias. Cazuza recebeu o Prêmio Sharp póstumo de melhor música com “Cobaias de Deus”.


MORTE

Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990, quando voltou para o Rio de Janeiro. No dia 07 de julho de 1990, Cazuza morreu aos 32 anos de idade, por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de mármore do túmulo, aparece o título de seu último grande sucesso, “O Tempo Não Pára”, e as datas de seu nascimento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codinome. No ano seguinte, foi lançado o disco póstumo Por Aí.


 LEGADO

Em apenas dez anos de carreira, Cazuza deixou 126 músicas gravadas, 78 inéditas e 34 para outros intérpretes. Após sua morte, os pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, em 1990. Sociedade Viva Cazuza tem como intenção proporcionar uma vida melhor a crianças soropositivas através de assistência à saúde, educação e lazer. Em 1997, a cantora Cássia Eller lançou o disco Veneno AntiMonotonia, que traz somente composições de Cazuza.
As músicas de Cazuza já foram reinterpretadas pelos mais diversos artistas brasileiros dos mais diversos gêneros musicais. A Som Livre realizou o show Tributo a Cazuza, em 1999, posteriormente lançado em CD e DVD, do qual participaram Ney Matogrosso, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Zélia Duncan, Sandra de Sá, Arnaldo Antunes e Leoni. No ano de 2000 foi exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo o musical Casas de Cazuza, escrito e dirigido por Rodrigo Pitta, cuja história tem base nas músicas de Cazuza. Em 2004 foi lançado o filme biográfico Cazuza – O Tempo Não Pára de Sandra Werneck.
Em 30 de novembro de 2013, seu pai João Araújo, que era presidente da Som Livre, faleceu, vítima de uma parada cardíaca, aos 78 anos de idade.



ARTISTAS RELACIONADOS

Dentre diversos artistas relacionados a Cazuza, estão: Frejat, por ter sido um grande amigo e seu principal parceiro em composições musicais; Simone , por ter interpretado “O Tempo Não Pára” e “Codinome Beija-Flor”; Leoni, com quem compôs seu maior sucesso, “Exagerado”; George Israel (Kid Abelha), com quem compôs “Brasil”, “Solidão Que Nada” e mais 13 músicas; Léo Jaime, que apresentou Cazuza para a banda Barão Vermelho quando esta já estava formada e precisando de um vocalista para completar a banda; Lobão, tanto pela amizade com Cazuza quanto pela influência de um em outro, por ter sido grande inspiração no começo da carreira; Cássia Eller, por ter sido a intérprete que mais gravou músicas de Cazuza; Arnaldo Antunes, pela influência marcante; Bebel Gilberto, pela amizade e parceria em algumas músicas; Rita Lee, parceira na música “Perto do Fogo”, última que ele escreveu antes de morrer e primeira que ela gravou em seu disco de 1990; Ney Matogrosso, um grande amigo, que divulgou o Barão Vermelho no tempo em que a banda ainda era desconhecida, que dirigiu os shows “Ideologia” e “O Tempo Não Pára”; e Renato Russo, por ter homenageado duas vezes Cazuza e ter sido amigo, com a música em inglês “Feedback Song For a Dying Friend” e com a regravação de “Quando Eu Estiver Cantando”, no show Viva Cazuza, em 1990.

Bem pessoal, era isso que eu tinha para comentar sobre Cazuza, que se estivesse vivo, hoje estaria com 58 anos, um jovem senhor roqueiro. Vejam mais de Barão Vermelho e Cazuza em:





















































sábado, 31 de outubro de 2015

O rock e o pop no Brasil - Terceiro Milênio

Salve galera que curte o Blog do Véio. Fico feliz em saber que se estão aqui, foi porque o assunto lhes interessou e, para mim, isso é muito importante, saber que vocês querem saber ou relembrar tudo o que leram e ouviram da música brasileira até agora. Fiquem agora com os comentários sobre os 15 atuais anos de música brasileira.

O Terceiro Milênio

Duas décadas bastante tristes para a música brasileira, com a morte de alguns artistas, que já haviam alicerçado suas carreiras e alguns acidentes que de certa forma chocaram seus públicos e transformaram o rumo de algumas bandas e cantores(as). Juro para vocês que eu não queria terminar (a década ainda está na metade) esta postagem de maneira tão trágica, mas as mortes não anunciadas abalam demais por não estarmos preparados para elas.

Década de 2000

O início da década foi ''trágico'' para o rock brasileiro. Vou relatar os acontecimentos e algumas decisões tomadas após os acontecidos, de maneira cronológica, para que saibam como aconteceram .

Herbert Vianna e Marcelo Yuka
No início do mês de novembro de 2000, Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana, ou Marcelo Yuka, baterista da banda O Rappa, foi vítima de um assalto, ao qual tentou fugir e foi baleado, o que o deixou paraplégico e o impossibilitou de tocar bateria. Um fato curioso, para não dizer irônico, foi que o assaltante, após ser preso, disse à polícia que não reconheceu Yuka, pois era um grande fã da banda. Coisas da vida.

No mês de fevereiro de 2001, Herbert Lemos de Sousa Vianna, vocalista, guitarrista, jornalista, e principal compositor do grupo Os Paralamas do Sucesso, sofreu um acidente aéreo no Rio de Janeiro, quando o ultraleve que pilotava (onde estava também sua mulher, Lucy) caiu no mar por problemas de fabricação, na baía de Angra dos Reis, quando tentou realizar um ''looping''. No acidente, Lucy morreu e Herbert ficou internado por 44 dias, parte deles em estado de coma. O músico ficou paraplégico e perdeu parte da memória depois do acidente, porém, gradualmente, através de um processo de recuperação, retomou sua carreira. Voltou aos palcos e já gravou quatro álbuns depois do acidente.

Marcelo Frommer, guitarrista dos Titãs.
Em razão de um atropelamento causado por um motociclista, mor-ria, em junho de 2001, aos 39 anos, Marcelo Frommer, guitarrista da banda Titãs. Depois de uma difícil decisão, onde pesou até mesmo o fim da banda, Os Titãs re-solveram continuar sem Marcelo. 

Em dezembro de 2001, morria, Cássia Rejane Eller, cantora e violo-nista, aos 39 anos de idade, no auge de sua carreira. Embora muitos pensassem que ela havia morrido por over-dose de cocaína, já que era usuária da droga desde a adolescência, o laudo do legista revelou que a causa de sua morte havia sido em razão de um infarto repentino.

Rodolfo, ex-Raimundos
Algumas bandas dos anos 90 pas-saram por mudan-ças: No Raimun-dos, Rodolfo con-verteu-se ao protes-tantismo e saiu da banda para formar o Rodox (que aca-baria algum tempo depois) e, atual-mente, faz carreira solo com músicas gospel. A banda Skank fez experi-mentalismo nos dis-cos de 2003, Cosmotron e o de 2006, Carrossel, voltando às origens em 2008, com Estandarte.

Surgiram bandas como CPM 22, Cachorro Grande, Reação Em Cadeia, Detonautas Roque Clube e a cantora Pitty, que tomaram a atenção da mídia durante toda a década.

Surgiram, a partir de 2000, bandas de rock contendo letras simples e que tratam de sentimentos e emoções, popular entre o público jovem, e que tiveram influências do emocore, hardcore melódico e do pop punk, como Nx Zero, Fresno, Forfun, Strike, entre outras.

Década de 2010

Os coloridos do Restart.
Uma tendência que entrou em destaque no cenário musical brasileiro, foram as chamadas Bandas Coloridas, com foco definido e dedicado especialmente para o público feminino jovem, tendo como suas principais características as roupas coloridas, óculos estilizados, letras alegres e agitadas e o uso de sintetizadores. 

O sucesso começou com a banda Cine, que com seu single ''Garota Radical'' em 2009, obteve grande sucesso nas rádios, tanto pela música, como pelo estilo em se vestir dos integrantes. 

Depois disso, outras bandas adotaram o estilo, como a banda Hori e a cantora Jullie. Em 2010, surgiu a banda Restart, que popularizou e firmou o estilo de vez no Brasil, apesar de muito criticado (inclusive pela banda Cine).

Depois que as bandas brasileiras aderiram ao estilo (já que foram influenciado por bandas norte americanas), os fãs também começaram a vertir-se com o mesmo visual aderido pelas bandas. O dito estilo colorido é cultuado, principalmente, por jovens e adolescentes, o que gerou polêmica na sociedade e culminou quando, ao receber um prêmio, a banda Restart apareceu com calças com a estampa de ''oncinha'', o que ''queimou o filme'' para as bandas coloridas.

Depois deste evento, várias bandas abandonaram os coloridos em suas roupas, entre elas Cine, Replace e Izi, inclusive não aceitam mais o rótulo de ''happy rock'' que a banda  Restart criou. 

Na última década surgiram no cenário alternativo, bandas como: O Terno, Apanhador Só, Maglore, Vespas Mandarinas, Selvagens à Procura de Lei, Vivendo do Ócio, com influências do rock brasileiro e do indie rock.

Talvez o único fenômeno roqueiro recente, tenha sido a da banda Malta, vencedora do pro-grama Superstar, da Rede Globo, e que logo de saída receberam a certi-ficação de Disco de Platina Triplo, refe-rente a 300 mil cópias vendidas do seu primeiro álbum, SupernovaOutro grupo que também se destacou, nesta mesma temporada do Superstar, ganhando diversos admiradores e fãs em todo o país, foi a banda Suricato.

Recentemente as bandas Ira!, Viper, RPM e Gram retomaram suas atividades. Barão Vermelho, Kid Abelha e Camisa de Vênus vem se reunindo para eventuais turnês comemorativas.

As tragédias tam-bém abalaram a dé-cada de 2010. Em março de 2013, Alexandre Magno Abrão,  mais conhe-cido pelo seu nome artístico Chorão, tinha as funções de cantor, compositor, cineasta, poeta, roteirista e empre-sário brasileiro. 

Foi o vocalista, principal letrista e co-fundador da banda santista Charlie Brown Jr., formada em 1992, sendo o único integrante a participar de todas as formações. Com o Charlie Brown Jr., lançou dez discos, que somaram cinco milhões de cópias vendidas. 

Chorão foi encontrado morto por seu motorista, na madrugada do dia 06 de março de 2013, no apartamento em que ele ocupava esporadicamente, no bairro Pinheiros, em São Paulo. A causa da morte foi por overdose de cocaína, segundo o laudo apresentado pelo Instituto Médico Legal.

Em uma entrevista dada dias após a morte de Chorão, sua ex-esposa afirmou que Chorão era dependente de drogas (cocaína), e que a dependência piorou em 2005, quando ele ficou muito triste com o fim da formação original da banda. 

Champignon, do Charlie Brown Jr.
Em setembro de 2013, cometeu suicídio Luiz Carlos Leão Duarte Junior, conhecido como Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr. Ele havia assumido os vocais da banda após a morte de Chorão, além de mudar o nome da banda para A Banca, em homenagem a ele. Champignon cometeu suicídio com uma arma de fogo, após discussão com sua mulher, grávida de cinco meses. 

Ele tinha 35 anos de idade e tirou a própria vida seis meses após Chorão ter morrido e quatro meses depois que Pedro Sérgio dos Santos Maia de Sousa, mais conhecido por Peu Sousa, ter cometido suicídio, também. 

Pedro Sérgio dos Santos Maia de Sousa, mais conhe-cido como Peu Sousa era um gui-tarrista e compositor baiano, companhei-ro de Champignon na banda Nove Mil Anjos (em que inclusive participou Junior Lima, ex-Sandy & Junior) e que ficou famoso por acompanhar a cantora Pitty. Peu Sousa cometeu suicídio após uma discussão com sua esposa, que saiu de casa levando os dois filhos. A esposa, ao retornar, bem mais tarde, encontrou o corpo de Peu enforcado com um cinto, no quarto do casal. Peu tinha 35 anos de idade.

Em fevereiro de 2015, uma funcio-nária de um hotel em Guarujá, São Paulo, encontrou Renato da Silva Rocha, também conhecido por Billy ou Negrete, morto no quarto . Renato era baixista e também compositor da banda Legião Urbana, e participou dos três primeiros discos do grupo: Legião Urbana, Dois e Que Pais é Este.

Este tipo de episó-dio acontece com qualquer ser humano comum, porque não poderia acontecer com um artista, também? Infelizmente as perdas fazem parte da história musical, afinal o próprio Cazuza escreveu: ''Meus heróis morreram de overdose'', se referindo à morte por overdose de Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison (The Doors) e alguns outros que tiveram um final trágico e saíram de cena do mundo musical.

Bem pessoal, infelizmente estou encerrando de maneira triste esta metade de década e também a História do Pop e do Rock Brasileiro. Mas isso não é, de maneira alguma, baixo astral para a música brasileira, afinal, só coincidiu de acontecer seguida uma após a outra. Como já disse, são coisas da vida. Valorizo cada vez mais as coisas boas que a vida tem a nos proporcionar. E viva a boa música!!!

Muito obrigado por terem visualizado mais esta postagem e até a próxima, da qual comentarei sobre o Faith No More.

Autor: Carlos Alberto de L. Anchieta

Mais sobre o pop e o rock de 2000 até 2015 em:



































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