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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

U2 – A BANDA QUE COLOCOU A IRLANDA NO MAPA MUSICAL - PARTE 1


Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio! Já estava com saudades de comentar para vocês sobre música, a carreira das bandas, assuntos que acabo aprendendo junto com vocês. A banda que vou comentar agora dispensa qualquer tipo de apresentação, pois o U2 é sucesso até hoje e apesar de ter começado no final dos anos 70, emplacou a partir de 1980. Lembro que a primeira vez que ouvi falar do U2 (naquela época as novidades demoravam para chegar), foi através de um amigo que comprou um LP (isso mesmo, um disco de vinil) só com bandas do Reino Unido. Nesse disco estavam, então, os sucessos do disco War, de 1983, “New Year’s Day” e “Sunday Bloody Sunday”. Esse foi só o começo, pois depois disso, sempre houve músicas do U2 tocando em rádio, TV e danceterias.

Formação e primeiros anos (1976–1978)

A banda foi formada em 25 de setembro de 1976. Larry Mullen Jr., com quatorze anos de idade, postou um anúncio na escola Mount Temple Comprehensive High, em busca de músicos para uma nova banda, tendo a resposta de seis pessoas. Mullen ficou encarregado da bateria, com Paul "Bono" Hewson nos vocais; David "The Edge" Evans e seu irmão mais velho Dik Evans na guitarra; Adam Clayton, um amigo dos irmãos Evans no baixo; e inicialmente Ivan McCormick e Peter Martin, dois outros amigos de Mullen.




Mullen disse mais tarde como mandou no "The Larry Mullen's Band" por cerca de 10 minutos, e em seguida, Bono entrou e destruiu qualquer chance que ele tinha de estar no comando". Logo depois, o grupo denominou o nome do grupo de "Feedback", porque era um dos poucos termos técnicos que eles conheciam. Martin não retornou após o primeiro ensaio, e McCormick deixou o grupo dentro de algumas semanas. A maioria do material inicial do grupo era composto por covers, que a banda admitiu não ser seu ponto forte. Algumas das primeiras influências sobre a banda foram surgindo no gênero punk rock, tais como The Jam, The Clash, The Buzzcocks e The Sex Pistols. A popularidade do punk rock convenceu o grupo que o conhecimento musical não era um pré-requisito para ser bem sucedido.

Em março de 1977, a banda mudou seu nome para The Hype. Dik Evans, que era o irmão mais velho e também por já estar na faculdade, estava se tornando um integrante excluído em relação à banda. O resto do grupo seguia um pensamento de uma banda com quatro integrantes, sendo mais tarde, resultando na saída de Dik em março de 1978. Durante um concerto de despedida no salão da Igreja Presbiteriana, em Howth, contou com o grupo tocando covers, com Dik cerimonialmente saindo do palco. Os quatro membros restantes da banda completaram o concerto tocando o material original como "U2". Steve Averill, um músico punk rock e amigo da família de Clayton, sugeriu seis nomes em potencial, a partir do qual, a banda optou por "U2", devido à sua ambiguidade, possibilidade de interpretações, e também porque era um nome que no mínimo, não gostavam de The Hype.



No Dia de São Patrício, 17 de março de 1978, o U2 venceu em um show de talentos, em Limerick, Irlanda. O prêmio consistia em quinhentos euros, e tempo de gravar um demo em estúdio, que seria ouvido pela gravadora CBS da Irlanda. Esta vitória foi um marco importante e de afirmação para a banda principiante.

"Não podia acreditar, fiquei sem o que dizer. Nós não estávamos em idade de sairmos para se divertir, mas eu acho que ninguém conseguiu dormir naquela noite... Realmente, era apenas uma grande confirmação de ganhar essa competição, mesmo que eu não tivesse tido uma boa ideia; realmente gostei da concorrência. Mas para ganhar naquele momento, era extremamente importante para a moral e a crença de todos os envolvidos no projeto".
— The Edge, ao vencer a competição da CBS.

O U2 gravou sua primeira fita demo no Keystone Studio, em Dublin, em maio de 1978. A revista Hot Press foi influente na formação do futuro da banda. Em maio, Paul McGuinness, que já havia sido introduzido à banda pela publicação do jornalista Bill Graham, concordou em ser o empresário da banda.

Antecedentes, Boy, October e War (1979–1983)


O EP Three, de 1979.

O primeiro lançamento da banda, somente na Irlanda, foi um EP intitulado Three, sendo lançado em setembro de 1979, e foi um sucesso nas paradas musicais irlandesa. Em dezembro de 1979, a banda realizou em Londres, os seus primeiros shows fora da Irlanda, embora eles não tivessem a capacidade de ganhar a atenção do público e dos críticos musicais. Em fevereiro de 1980, foi lançado o seu primeiro single, "Another Day", pela gravadora CBS. Entretanto, o single foi direcionado somente para o mercado irlandês.


O disco de estreia, de 1980.

A gravadora Island Records assinou com a banda em março de 1980, e em maio a banda lançou o seu segundo single, "11 O'Clock Tick Tock", e primeiro single lançado internacionalmente. O álbum de estreia da banda, Boy (1980), foi lançado em outubro. Produzido por Steve Lillywhite, recebeu críticas positivas. Embora as letras sem objetivo de Bono parecessem improvisadas, eles expressaram um tema comum: os sonhos e frustrações da adolescência. O álbum incluía o primeiro single de sucesso da banda nos Estados Unidos, "I Will Follow". O lançamento de Boy foi seguida pela turnê Boy Tour, a primeira turnê do U2 pelo continente europeu e nos Estados Unidos. Apesar de ter sido rude, os concertos demonstraram o potencial da banda, com os críticos dizendo que Bono era "carismático" e um grande homem apaixonado.


O disco de 1981.

O segundo álbum da banda, October, foi lançado em 1981, contendo amplos temas espirituais. Durante as sessões de gravação, Bono e The Edge consideraram a possibilidade em deixar a banda devido a percepção de conflitos religiosos. Bono, The Edge e Mullen tinham se juntado em um grupo cristão em Dublin, chamado Shalom Fellowship, que os levou a questionar a relação entre a fé cristã e o estilo de vida no rock n' roll. Bono e The Edge tiraram tempo entre as turnês e decidiram deixar o grupo cristão, em favor de continuar com a banda. A gravação foi ainda mais complicada com o roubo de uma maleta contendo as letras para várias canções de trabalho dos bastidores durante a apresentação da banda, em uma boate em Portland, Oregon. O álbum recebeu críticas mistas e pouco tocadas nas rádios. O baixo número de vendas fora do Reino Unido colocou muita pressão sobre o seu contrato com a gravadora Island Records, centrado na melhoria da banda.


O disco de 1983.

Resolvendo as suas dúvidas do período de October (1981), a banda lançou War, em 1983. Um álbum onde a banda transformou o "pacifismo em uma cruzada", a franqueza na inflexibilidade no modo de tocar da guitarra em War, foi intencionalmente contraditório com o synthpop da época. O álbum incluía o single "Sunday Bloody Sunday", uma canção com um contexto político, onde Bono líricamente tentou contrastar os acontecimentos do Domingo Sangrento (1972) com o Domingo de Páscoa. A revista Rolling Stone descreveu que a música mostrava que a banda tinha capacidade de compôr canções profundas e significativas. War foi o primeiro álbum do U2 a apresentar a fotografia de Anton Corbijn, que permanece até atualmente como um dos fotógrafos do U2, tendo uma grande influência sobre sua visão e imagem política. O sucesso comercial da banda com War, que estreou na posição de número 1 no Reino Unido e seu primeiro single "New Year's Day", foi o primeiro êxito da banda fora da Irlanda ou do Reino Unido.


O disco ao vivo, de 1983.

Na subsequente War Tour, a banda realizou shows lotados no continente europeu e nos Estados Unidos. A visão de Bono acenando uma bandeira branca durante as performances de "Sunday Bloody Sunday" tornou-se uma imagem ícone da turnê. O U2 gravou o álbum ao vivo nesta turnê, Under a Blood Red Sky (1983), assim como o filme-concerto Live at Red Rocks: Under a Blood Red Sky (1983), sendo que ambos foram tocados por um longo período de tempo nas rádios e na MTV, ampliando a audiência da banda e mostrando suas proezas como um ato de viver. Seu contrato com a gravadora Island Records estava chegando ao fim, e em 1984, a banda assinou uma renovação de contrato mais lucrativa. Eles negociaram o retorno de seus direitos autorais (de modo que eles possuíssem os direitos de suas próprias canções), um aumento em sua taxa de direitos, e uma melhoria geral em termos, à custa de um maior pagamento inicial.

The Unforgettable Fire e Live Aid (1984–1985)

"Sabíamos que o mundo estava pronto para receber os herdeiros de The Who. Tudo o que tínhamos a fazer era continuar fazendo o que estávamos fazendo e, gostaríamos de nos tornar a maior banda desde Led Zeppelin, sem dúvida. Mas algo simplesmente não parecia estar certo. Sentimos que tínhamos uma maior poder do que qualquer outra banda grande, nós tínhamos algo único a oferecer".
— Bono, na nova direção de The Unforgettable Fire.

O grupo temia que, após o evidente rock do álbum War e de sua turnê, eles estivessem em risco de tornar-se outro incômodo, como se representassem um slogan de bandas de rock arena. Assim, procuraram a experimentação, como Adam Clayton lembra: "Nós estávamos procurando por algo um pouco mais sério, mais artístico". The Edge admirava o ambiente e as "obras estranhas" de Brian Eno, que, junto com seu engenheiro de áudio, Daniel Lanois, eventualmente concordou em produzir o álbum.


O disco de 1984.

Em parte gravado no Slane Castle, The Unforgettable Fire foi lançado em 1984, no momento em que a banda passou por uma mudança mais marcante da banda, quando passaram a trabalhar com a música ambiente e o abstrato. The Unforgettable Fire tem um som rico e orquestrado. Sob a direção de Lanois, Mullen tornou-se mais flexível na percussão, no funk e mais sutil. Clayton tornou-se mais subliminar no baixo, as seções rítmicas já não atrapalhavam, porém, fluía em apoio das canções.




Complementando a atmosfera sonora, as letras do álbum estavam abertas a muitas interpretações, oferecendo o que a banda chamou de "sensação de grande visão". Devido a uma agenda lotada de gravações, Bono achava que as canções "Bad" e "Pride (In The Name of Love)", eram como se fossem um esboço/rascunho que não havia terminado. "Pride (In The Name of Love)", era baseado em Martin Luther King Jr., sendo o primeiro single do álbum e tornando-se o maior sucesso da banda até então, inclusive sendo a seu primeiro single a entrar no top 40 dos Estados Unidos.

Grande parte da turnê The Unforgettable Fire Tour mudou-se para arenas internas, em que a banda começou a ganhar a sua longa batalha para construir seu público. As complexas texturas das novas canções gravadas do álbum, como "The Unforgettable Fire" e "Bad", foram difíceis de traduzir para performances ao vivo. Uma solução foram os sequenciadores programados, já que a banda havia sido relutante em utilizar, mas que agora, eram usados na maioria das performances do grupo. As canções do álbum tinham sido criticadas por serem "incompletas", "vagas" e "sem tema", porém, foi o melhor recebido pela crítica quando tocado ao vivo no palco.


O Live Aid, de 1985.

O U2 participou do Live Aid (1985), um concerto para o alívio da fome na Etiópia no Estádio de Wembley, em julho de 1985. A performance da banda perante as 82 mil pessoas foi um ponto fundamental na carreira do U2. Durante uma apresentação de 14 minutos da música "Bad", Bono pulou do palco para abraçar e dançar com uma fã, tendo uma audiência de milhões de telespectadores, observando o que Bono poderia fazer com o público. Em 1985, a revista Rolling Stone chamou o U2 de a "banda da década de 1980", dizendo que, para um crescente número de fãs de rock n' roll, o U2 tornou-se um dos grupos mais importantes, se não, a mais importante".


Bono no Live Aid com Paul McCartney e Freddie Mercury.

Bem pessoal, por aqui encerro a primeira parte sobre a história dessa banda irlandesa que já nos primeiros seis anos de existência mostrou para o que veio. Uma outra lembrança minha, é de quando eu trabalhei em uma sonorização e nós tocávamos as versões ao vivo do U2, dos LPs ao vivo. Era colocar o disco para tocar e ter a certeza de que a pista bombava.

Desculpem pelo vídeo de “Sunday Bloody Sunday”, mas é a real história de um domingo de 1972, que foi chamado de “domingo sangrento”. Fiquem com mais do U2 em:


















































domingo, 24 de abril de 2016

QUEEN, A MAJESTADE DAS BANDAS - PARTE 3

Olá galera que está curtindo o Blog do Véio, esta é a terceira parte da minha postagem sobre a carreira dessa grande banda que é admirada no mundo todo. 


1983 - 1987: ATRITOS E POLÊMICAS

Em 1983, quase todos os integrantes do Queen se concentraram em projetos paralelos. Brian May gravou e lançou o Star Fleet Project, com a participação de Eddie Van Halen, além de trabalhar como produtor musical em alguns álbuns.
Freddie Mercury divulgou ''Love Kills'' como parte da trilha sonora do filme Metrópolis, que estava sendo relançado. A música em si tinha surgido nas sessões de The Game e estava inacabada.Roger Taylor, que em 1981 foi o primeiro a lançar um trabalho solo, Fun In Space, estava preparando seu sucessor, que seria Strange FrontierJohn Deacon foi o único a não produzir algo, pois acreditava que não havia nada a fazer no meio musical que não fosse o Queen, assim, concentrou-se no nascimento do seu quarto filho.
Nesta época, em entrevistas, devido aos materiais solo, eram questionados se estavam se separando. Freddie, por exemplo, disse que não, mas uma pausa temporária estava acontecendo. 
Freddie gravou três músicas neste período, num estúdio caseiro de Michael Jackson, para um projeto futuro de duetos entre os dois músicos. No entanto, as sessões nunca foram concluídas, e existem várias versões sobre o assunto.Uma delas é que, o uso de drogas de Freddie incomodava muito a Michael. Outra, que a lhama de estimação do artista irritou Mercury a ponto de desistir de gravar algo.


Logo, afirmaria que os dois se afastaram naturalmente por conta de agenda, e porque Michael se isolou dos contatos sociais. Duas das músicas seriam utilizadas em um futuro álbum solo de Michael Jackson, mas com a participação de Mick Jagger.
Naquele ano, John Deacon se reuniu com um diretor de vídeo, o qual queria que o Queen produzisse mais uma trilha sonora. Em nome da banda, o baixista aceitou, e com os demais integrantes, passou a trabalhar em novas músicas. No entanto, a idéia evoluiu para um álbum quando o diretor afirmou que não tinha recursos para investir no material.
Após o material ter sido escrito, os integrantes foram selecionar as músicas definitivas para The Works, e as músicas de Roger Taylor não agradaram nenhum deles. Freddie disse ao baterista para trabalhar em uma nova música, senão ficaria sem nenhuma para colaborar. Assim, Roger começou a escrever ''Radio Ga Ga'', que mais tarde se tornaria seu maior sucesso autoral na carreira do Queen.
No entanto, o relacionamento entre os integrantes ainda era tenso. Freddie aceitou gravar apenas por questões contratuais, pois estava desmotivado e reservado, não querendo contato com ninguém, se animando mais tarde. Em razão do extremo fracasso de Hot Space, era de consenso geral entre os quatro de que era necessário produzir um material mais condizente com a identidade já construída pelo Queen.
Brian May investiu em mais peso em sua guitarra, flertando com o heavy metal em ''Hammer to Fall'', enquanto Freddie construia baladas típicas como ''It's a Hard Life''. John Deacon, mais uma vez produzia seu material quieto, mas que seria um dos principais sucessos do Queen, ''I Want to Break Free''. No fim das contas, mesmo com uma série de atritos, o quarteto tinha o pensamento de que a banda era mais importante, ideia que os manteve unidos.


Após o lançamento, o trabalho recebeu críticas mistas e mesmo não repetindo a fórmula do disco anterior, continuou a vender pouco. Durante a turnê, as tensões de Freddie o fizeram perder muitos amigos, e teve problemas para se locomover, por ter sido ferido em uma briga em Nova Iorque.
No clipe de ''I Want To Break Free'', os membros da banda atuaram vestidos de mulher, em referência à série Coronation Street. O material que tinha um tom humorístico, foi bem recebido no Reino Unido, mas não nos Estados Unidos, onde foi interpretado de forma errada por alguns como apologia ao mundo gay. Os americanos são extremamente conservadores e existe muita homofobia no país. Como resposta, o Queen ignorou o país e nunca mais fizeram um show na América do Norte. Quem será que saiu perdendo?


Em outubro de 1984, a banda se apresentou em Sun City, próximo a Joanesburgo, na África do Sul. O país estava em pleno regime do apartheid, e foi recomendado para o Queen não tocar lá. 

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Um pouquinho de história no meio da carreira do Queen: apartheid, ou separação, foi um regime de segregação racial, onde a minoria branca mandava no país através de um partido político. Esse regime iniciou em 1948 e findou em 1994. Durante esse período, vejam só que ironia, um país de origem negra, mas onde os negros não podiam dividir o espaço com os brancos na maioria dos lugares. Houve muita revolta, muitas mortes (negras é claro!). Dois de seus maiores opositores na história sul africana foram Steve Biko (morto pelo regime) e Nelson Mandela, que foi prisioneiro político durante muitos anos e depois que o apartheid terminou, tornou-se o primeiro negro presidente do país. Bem, isso é só para vocês entenderem o que se seguiu. 

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Como represália, a imprensa criticou fortemente a atitude do quarteto, em tocar na África do Sul, em pleno regime de apartheid. Mas quando nenhum de seus integrantes foi chamado para participar da gravação de ''Do They Know It's Christmas?'' do projeto Band Aid, a situação desanimou muito o grupo, que até pensou em encerrar as atividades. Ao mesmo tempo, uma canção de natal do Queen era divulgada, ''Thank God, it's Christmas''.


Logo depois, no início de 1985 a banda voltou ao Brasil para participar da primeira edição do Rock In Rio, que aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A apresentação que reuniu aproximadamente 300 mil pessoas foi positiva, contendo no repertório músicas de todas as fases do Queen. ''Love Of My Life'' cantada, em grande parte pelo público, foi um dos momentos mais marcantes do Rock In Rio. Meses depois, era lançado Mr. Bad Guy, primeiro trabalho solo de Freddie Mercury.


A má situação do Queen perante a imprensa e público, começou a mudar quando Bob Geldof os convidou para participar de um evento beneficente chamado Live Aid, e o grupo viu ali como uma oportunidade de se redimir. No entanto, alguns fatos os incomodaram: apresentar-se durante o dia, e ter vários outros artistas e bandas tocando na mesma data.
David Bowie, The Who, Elton John e U2 eram alguns deles. Paul McCartney, por exemplo, retornaria aos palcos pela primeira vez após a morte de John Lennon. Mesmo com alguns impasses, aceitaram o desafio.
Concentrados em apresentar sucessos, em seus vinte minutos de apresentação tocaram ''Bohemian Rhapsody'', ''Radio Ga Ga'' (lembrada por suas palmas em uníssono), ''Hammer To Fall'', ''Crazy Little Thing Called Love'', ''We Will Rock You'', ''We Are The Champions'' e ''Is This World We Created?''. A apresentação que aconteceu as 18 horas no estádio de Wembley, foi considerada a mais memorável de todo o evento e melhorou a imagem da banda que, renovada, retomaria seu ânimo.


Impulsionados pelo sucesso do Live Aid, o grupo se reuniu em 1985 para compor e gravar novas músicas. ''One Vision'', de Roger Taylor, foi adaptada pelos demais, que também ganharam créditos. Ao mesmo tempo, receberam um convite para criarem uma trilha sonora para o filme de ação e fantasia Highlander, do qual surgiu ''Who Wants To Live Forever'', de Brian May e ''One Year Of Love'', de John Deacon, ambas com um arranjo de cordas criado por Michael Kamen, músico que trabalhou anteriormente com o Pink Floyd em The Wall e The Final Cut.
Ainda na mesma época, Freddie começou um relacionamento com um cabeleireiro irlandês chamado Jim Hutton, e o namoro do cantor com a atriz Barbara Valentin, que durou muitos anos, terminou. Ao mesmo tempo, uma nova doença, divulgada preconceituosamente como ''peste gay'', começava a se espalhar. Eram os primeiros indícios da AIDS.  Alguns amigos de Freddie começaram a morrer, e embora ainda não fosse portador da doença, muitos à sua volta a contrairam. Ao contrário do que poderia se pensar, Freddie não aumentou os cuidados na sua atividade sexual.
Em 1986, após a trilha sonora ser concluída, o Queen começou a gravar o novo álbum. O produtor David Richards gravaria algumas músicas juntamente com Brian e Roger no Mountain Studios, enquanto Mack faria o mesmo com Freddie e John em outro estúdio.


O trabalho individualizado, que já havia enfrentado problemas em Jazz, voltou em A Kind Of Magic. O trabalho se saiu mal nas paradas norte-americanas, e recebeu críticas, em grande parte negativas. A turnê de divulgação contou com uma estrutura complexa e o maior palco na carreira da banda, mas a chegada dos quarenta anos, os nódulos vocais, tabagismo e um estilo de vida pouco saudável, iam exigindo bem mais de Freddie, que ainda conseguia realizar as apresentações.
O final da turnê foi em agosto, em Knebworth Park, que reuniu aproximadamente 200 mil pessoas. Nesta época, John Deacon teve crises imprevisíveis, em Knebworth em especial, o baixista quebrou seu instrumento com seu amplificador, uma atitude que nem o próprio músico conseguia explicar. Foi o último show do Queen com sua formação clássica.


1988 - 1991: OS ÚLTIMOS ANOS DE FREDDIE

Após o fim da turnê de A Kind Of Magic, Brian May começou a trabalhar com um futuro álbum solo. Freddie fez o mesmo, lançando o single de ''The Great Pretender''.
Após uma série de elogios e aproximações, o cantor produziria um disco, de título Barcelona, juntamente com a cantora de ópera Montserrat Caballé, da qual era fã e em 1992 planejavam cantar juntos na estréia dos Jogos Olímpicos. Entretanto, entre abril e maio de 1987, Freddie foi diagnosticado com o vírus da AIDS, fato que bagunçou todos os planos do vocalista que, a princípio, manteve o quadro em segredo.
Roger Taylor decidiu fundar uma nova banda, chamada The Cross e John Deacon fez gravações com Elton John, Cozy Powell e também fundou um grupo, chamado The Immortals, que chegou a lançar apenas um single.
Em janeiro de 1988, o grupo se reuniu em Londres para definir que, a partir daquele momento o futuro repertório inédito do Queen seria creditado a todos, independentemente de seus reais compositores, para evitar decisões guiadas pelo ego ou ganância.
Assim, os quatro também trabalhariam juntos novamente no estúdio. Freddie se desdobrava entre as sessões do futuro álbum com as gravações de Barcelona, enquanto, oficialmente não se pronunciava sobre sua doença para seus colegas de trabalho. No entanto, em certo momento os músicos já sabiam, exceto o produtor David Richards, que pensava que ele estivesse com câncer.
No mesmo período, Brian passava por um momento turbulento em sua vida pessoal, que estava cada vez mais traumática e já apresentava sinais de depressão. Assumiu publicamente seu relacionamento com Anita Dobson, separou-se da sua esposa e de seus filhos e em junho de 1988, perdeu seu pai.


No entanto, há participação intensa de Brian no álbum. ''I Want It All'', o primeiro single do álbum, tornou-se um dos maiores sucessos do Queen. The Miracle estreou no primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, e nos Estados Unidos teve um desempenho regular, embora superior à Kind Of Magic.
A mídia especializada, em geral teve opiniões mistas a positivas, sendo considerado um álbum mais orientado ao rock que a banda fazia anteriormente. Sobre o projeto, Roger Taylor considerou que ''era o melhor álbum do Queen em dez anos, facilmente''.
Ao lançar o single ''I Want It All'' em abril de 1989, a banda anunciou que não faria turnê do álbum. Freddie afirmou que queria quebrar o ciclo que faziam desde o início da carreira.
Os clipes gravados para as músicas de trabalho foram mais complexos do que os anteriores, utilizando vários recursos que diminuissem o foco em Freddie.


Nestes, o cantor deixou a barba crescer, o que o ajudou a esconder os sinais do Sarcoma de Kaposi em sua pele. No último video gravado, da música ''The Miracle'', o quarteto teve a ideia de contratar atores mirins para atuar, com o grupo aparecendo no final.
Freddie, nestas imagens pareceu mais envelhecido e fraco do que na última turnê. Brian e Roger ficaram responsáveis por promover o trabalho, e negaram todos os boatos sobre uma possível doença de Freddie Mercury.
Poucos meses depois do lançamento de The Miracle, Freddie voltou sozinho ao estúdio para produzir músicas. Foi nessa época que o cantor revelou aos seus colegas ser portador do vírus da AIDS, em uma reunião formal.
O diagnóstico entristeceu e arrasou com os demais integrantes, que estiveram dispostos a trabalhar num futuro álbum, pelo pouco tempo de vida que Freddie ainda poderia ter. O cantor pediu para que ninguém contasse sobre o vírus, fato que fez a banda criar uma espécie de escudo protetor sob o vocalista. O repertório conteve algumas músicas que sobraram de Barcelona, The Miracle e músicas que anteriormente estavam destinadas ao futuro trabalho solo de Brian May.
As gravações, no início foram intensas, durando semanas ininterruptas. Porém, quando o Queen foi receber o Brit Awards, Freddie Mercury estava com uma aparência ainda mais diferente.
Com uma roupa folgada, cabelo ralo e barba espessa, apenas agradeceu, enquanto Brian May fez o discurso. O ocorrido só fez aumentar as especulações de que Freddie estava doente, e foi sua última aparição pública.
O single ''Innuendo'' foi lançado em janeiro de 1991 e, por causa do estado frágil de Freddie, a banda resolveu fazer um clipe com ilustrações. Cada ação para preservar o silêncio do artista era questionada pela imprensa, mas os músicos negavam tudo.


O álbum, distribuído no início daquele ano teve a mesma recepção de The Miracle, diferenciando-se pelo fato de que a mídia especializada destacava as letras mais sérias e reflexivas.
Nas divulgações públicas do trabalho, apenas Brian e Roger participavam, e a falta de John e Freddie era sempre notada. Mas foi no clipe de ''These Are The Days Of Our Lives'' que evidenciou a fraqueza do cantor, que mal podia se mover por causa de uma lesão no pé. O último recado vindo do Queen, foi a música "The Show Must Go On", que literalmente é, "o show tem que continuar". Mas sem Freddie, pois o clipe foi uma montagem com os demais feitos pela banda, já que ele estava muito enfraquecido, impossibilitado para se movimentar.
Nos últimos meses de sua vida, Freddie preferiu cercar-se de pessoas nas quais confiava, como Mary Austin, sua ex-noiva, seu namorado Jim Hutton (o qual tinha descoberto também ser soropositivo), Mike Moran, Dave Clark, e seu motorista Terry Giddings. Seu testamento, feito pouco após seu aniversário, renderia muitas surpresas.
Mesmo temeroso sobre os efeitos que teria, caso assumisse a doença, Freddie pensou que era a melhor hora. O estigma da AIDS, como uma doença gay tinha diminuído, mas a principal preocupação do cantor estava no impacto que poderia causar às famílias de amigos próximos, principalmente as dos demais integrantes do Queen.
O comunicado foi divulgado um dia antes de sua morte: ''Seguindo a enorme comoção da mídia nas últimas duas semanas, eu gostaria de confirmar que fui testado como soropositivo e tenho AIDS. Eu senti que era melhor manter isso privado até agora para proteger a mim e àqueles ao meu redor. No entanto, chegou a hora de meus amigos e meus fãs saberem a verdade, e espero que todos se juntem a mim e aos meus médicos na luta contra essa terrível doença. Minha privacidade sempre foi importante para mim e sou famoso por minha falta de entrevistas, por favor, entendam que essa política continuará''.
Seu funeral aconteceu em Londres três dias depois, assistido por trinta e cinco pessoas, incluindo a família de Freddie, os integrantes e o empresário do Queen, Mary Austin, Jim Hutton e poucas outras pessoas.
O corpo do cantor foi cremado e suas cinzas foram entregues a Mary Austin, sendo que apenas ela, a família do cantor e os integrantes do Queen sabem onde as cinzas foram depositadas, e nunca revelarem seu paradeiro. Mary ficou com a maior parte da herança do cantor.


Mas este que seria o fim de uma banda, foi apenas mais uma pausa, para reiniciar com aqueles trabalhos que ficaram inacabados. Mas isso é assunto para a próxima postagem, a quarta parte sobre a carreira da banda Queen. Fiquem com mais do Queen e de Freddie Mercury em carreira solo, em:







































































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