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domingo, 24 de abril de 2016

QUEEN, A MAJESTADE DAS BANDAS - PARTE 3

Olá galera que está curtindo o Blog do Véio, esta é a terceira parte da minha postagem sobre a carreira dessa grande banda que é admirada no mundo todo. 


1983 - 1987: ATRITOS E POLÊMICAS

Em 1983, quase todos os integrantes do Queen se concentraram em projetos paralelos. Brian May gravou e lançou o Star Fleet Project, com a participação de Eddie Van Halen, além de trabalhar como produtor musical em alguns álbuns.
Freddie Mercury divulgou ''Love Kills'' como parte da trilha sonora do filme Metrópolis, que estava sendo relançado. A música em si tinha surgido nas sessões de The Game e estava inacabada.Roger Taylor, que em 1981 foi o primeiro a lançar um trabalho solo, Fun In Space, estava preparando seu sucessor, que seria Strange FrontierJohn Deacon foi o único a não produzir algo, pois acreditava que não havia nada a fazer no meio musical que não fosse o Queen, assim, concentrou-se no nascimento do seu quarto filho.
Nesta época, em entrevistas, devido aos materiais solo, eram questionados se estavam se separando. Freddie, por exemplo, disse que não, mas uma pausa temporária estava acontecendo. 
Freddie gravou três músicas neste período, num estúdio caseiro de Michael Jackson, para um projeto futuro de duetos entre os dois músicos. No entanto, as sessões nunca foram concluídas, e existem várias versões sobre o assunto.Uma delas é que, o uso de drogas de Freddie incomodava muito a Michael. Outra, que a lhama de estimação do artista irritou Mercury a ponto de desistir de gravar algo.


Logo, afirmaria que os dois se afastaram naturalmente por conta de agenda, e porque Michael se isolou dos contatos sociais. Duas das músicas seriam utilizadas em um futuro álbum solo de Michael Jackson, mas com a participação de Mick Jagger.
Naquele ano, John Deacon se reuniu com um diretor de vídeo, o qual queria que o Queen produzisse mais uma trilha sonora. Em nome da banda, o baixista aceitou, e com os demais integrantes, passou a trabalhar em novas músicas. No entanto, a idéia evoluiu para um álbum quando o diretor afirmou que não tinha recursos para investir no material.
Após o material ter sido escrito, os integrantes foram selecionar as músicas definitivas para The Works, e as músicas de Roger Taylor não agradaram nenhum deles. Freddie disse ao baterista para trabalhar em uma nova música, senão ficaria sem nenhuma para colaborar. Assim, Roger começou a escrever ''Radio Ga Ga'', que mais tarde se tornaria seu maior sucesso autoral na carreira do Queen.
No entanto, o relacionamento entre os integrantes ainda era tenso. Freddie aceitou gravar apenas por questões contratuais, pois estava desmotivado e reservado, não querendo contato com ninguém, se animando mais tarde. Em razão do extremo fracasso de Hot Space, era de consenso geral entre os quatro de que era necessário produzir um material mais condizente com a identidade já construída pelo Queen.
Brian May investiu em mais peso em sua guitarra, flertando com o heavy metal em ''Hammer to Fall'', enquanto Freddie construia baladas típicas como ''It's a Hard Life''. John Deacon, mais uma vez produzia seu material quieto, mas que seria um dos principais sucessos do Queen, ''I Want to Break Free''. No fim das contas, mesmo com uma série de atritos, o quarteto tinha o pensamento de que a banda era mais importante, ideia que os manteve unidos.


Após o lançamento, o trabalho recebeu críticas mistas e mesmo não repetindo a fórmula do disco anterior, continuou a vender pouco. Durante a turnê, as tensões de Freddie o fizeram perder muitos amigos, e teve problemas para se locomover, por ter sido ferido em uma briga em Nova Iorque.
No clipe de ''I Want To Break Free'', os membros da banda atuaram vestidos de mulher, em referência à série Coronation Street. O material que tinha um tom humorístico, foi bem recebido no Reino Unido, mas não nos Estados Unidos, onde foi interpretado de forma errada por alguns como apologia ao mundo gay. Os americanos são extremamente conservadores e existe muita homofobia no país. Como resposta, o Queen ignorou o país e nunca mais fizeram um show na América do Norte. Quem será que saiu perdendo?


Em outubro de 1984, a banda se apresentou em Sun City, próximo a Joanesburgo, na África do Sul. O país estava em pleno regime do apartheid, e foi recomendado para o Queen não tocar lá. 

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Um pouquinho de história no meio da carreira do Queen: apartheid, ou separação, foi um regime de segregação racial, onde a minoria branca mandava no país através de um partido político. Esse regime iniciou em 1948 e findou em 1994. Durante esse período, vejam só que ironia, um país de origem negra, mas onde os negros não podiam dividir o espaço com os brancos na maioria dos lugares. Houve muita revolta, muitas mortes (negras é claro!). Dois de seus maiores opositores na história sul africana foram Steve Biko (morto pelo regime) e Nelson Mandela, que foi prisioneiro político durante muitos anos e depois que o apartheid terminou, tornou-se o primeiro negro presidente do país. Bem, isso é só para vocês entenderem o que se seguiu. 

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Como represália, a imprensa criticou fortemente a atitude do quarteto, em tocar na África do Sul, em pleno regime de apartheid. Mas quando nenhum de seus integrantes foi chamado para participar da gravação de ''Do They Know It's Christmas?'' do projeto Band Aid, a situação desanimou muito o grupo, que até pensou em encerrar as atividades. Ao mesmo tempo, uma canção de natal do Queen era divulgada, ''Thank God, it's Christmas''.


Logo depois, no início de 1985 a banda voltou ao Brasil para participar da primeira edição do Rock In Rio, que aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A apresentação que reuniu aproximadamente 300 mil pessoas foi positiva, contendo no repertório músicas de todas as fases do Queen. ''Love Of My Life'' cantada, em grande parte pelo público, foi um dos momentos mais marcantes do Rock In Rio. Meses depois, era lançado Mr. Bad Guy, primeiro trabalho solo de Freddie Mercury.


A má situação do Queen perante a imprensa e público, começou a mudar quando Bob Geldof os convidou para participar de um evento beneficente chamado Live Aid, e o grupo viu ali como uma oportunidade de se redimir. No entanto, alguns fatos os incomodaram: apresentar-se durante o dia, e ter vários outros artistas e bandas tocando na mesma data.
David Bowie, The Who, Elton John e U2 eram alguns deles. Paul McCartney, por exemplo, retornaria aos palcos pela primeira vez após a morte de John Lennon. Mesmo com alguns impasses, aceitaram o desafio.
Concentrados em apresentar sucessos, em seus vinte minutos de apresentação tocaram ''Bohemian Rhapsody'', ''Radio Ga Ga'' (lembrada por suas palmas em uníssono), ''Hammer To Fall'', ''Crazy Little Thing Called Love'', ''We Will Rock You'', ''We Are The Champions'' e ''Is This World We Created?''. A apresentação que aconteceu as 18 horas no estádio de Wembley, foi considerada a mais memorável de todo o evento e melhorou a imagem da banda que, renovada, retomaria seu ânimo.


Impulsionados pelo sucesso do Live Aid, o grupo se reuniu em 1985 para compor e gravar novas músicas. ''One Vision'', de Roger Taylor, foi adaptada pelos demais, que também ganharam créditos. Ao mesmo tempo, receberam um convite para criarem uma trilha sonora para o filme de ação e fantasia Highlander, do qual surgiu ''Who Wants To Live Forever'', de Brian May e ''One Year Of Love'', de John Deacon, ambas com um arranjo de cordas criado por Michael Kamen, músico que trabalhou anteriormente com o Pink Floyd em The Wall e The Final Cut.
Ainda na mesma época, Freddie começou um relacionamento com um cabeleireiro irlandês chamado Jim Hutton, e o namoro do cantor com a atriz Barbara Valentin, que durou muitos anos, terminou. Ao mesmo tempo, uma nova doença, divulgada preconceituosamente como ''peste gay'', começava a se espalhar. Eram os primeiros indícios da AIDS.  Alguns amigos de Freddie começaram a morrer, e embora ainda não fosse portador da doença, muitos à sua volta a contrairam. Ao contrário do que poderia se pensar, Freddie não aumentou os cuidados na sua atividade sexual.
Em 1986, após a trilha sonora ser concluída, o Queen começou a gravar o novo álbum. O produtor David Richards gravaria algumas músicas juntamente com Brian e Roger no Mountain Studios, enquanto Mack faria o mesmo com Freddie e John em outro estúdio.


O trabalho individualizado, que já havia enfrentado problemas em Jazz, voltou em A Kind Of Magic. O trabalho se saiu mal nas paradas norte-americanas, e recebeu críticas, em grande parte negativas. A turnê de divulgação contou com uma estrutura complexa e o maior palco na carreira da banda, mas a chegada dos quarenta anos, os nódulos vocais, tabagismo e um estilo de vida pouco saudável, iam exigindo bem mais de Freddie, que ainda conseguia realizar as apresentações.
O final da turnê foi em agosto, em Knebworth Park, que reuniu aproximadamente 200 mil pessoas. Nesta época, John Deacon teve crises imprevisíveis, em Knebworth em especial, o baixista quebrou seu instrumento com seu amplificador, uma atitude que nem o próprio músico conseguia explicar. Foi o último show do Queen com sua formação clássica.


1988 - 1991: OS ÚLTIMOS ANOS DE FREDDIE

Após o fim da turnê de A Kind Of Magic, Brian May começou a trabalhar com um futuro álbum solo. Freddie fez o mesmo, lançando o single de ''The Great Pretender''.
Após uma série de elogios e aproximações, o cantor produziria um disco, de título Barcelona, juntamente com a cantora de ópera Montserrat Caballé, da qual era fã e em 1992 planejavam cantar juntos na estréia dos Jogos Olímpicos. Entretanto, entre abril e maio de 1987, Freddie foi diagnosticado com o vírus da AIDS, fato que bagunçou todos os planos do vocalista que, a princípio, manteve o quadro em segredo.
Roger Taylor decidiu fundar uma nova banda, chamada The Cross e John Deacon fez gravações com Elton John, Cozy Powell e também fundou um grupo, chamado The Immortals, que chegou a lançar apenas um single.
Em janeiro de 1988, o grupo se reuniu em Londres para definir que, a partir daquele momento o futuro repertório inédito do Queen seria creditado a todos, independentemente de seus reais compositores, para evitar decisões guiadas pelo ego ou ganância.
Assim, os quatro também trabalhariam juntos novamente no estúdio. Freddie se desdobrava entre as sessões do futuro álbum com as gravações de Barcelona, enquanto, oficialmente não se pronunciava sobre sua doença para seus colegas de trabalho. No entanto, em certo momento os músicos já sabiam, exceto o produtor David Richards, que pensava que ele estivesse com câncer.
No mesmo período, Brian passava por um momento turbulento em sua vida pessoal, que estava cada vez mais traumática e já apresentava sinais de depressão. Assumiu publicamente seu relacionamento com Anita Dobson, separou-se da sua esposa e de seus filhos e em junho de 1988, perdeu seu pai.


No entanto, há participação intensa de Brian no álbum. ''I Want It All'', o primeiro single do álbum, tornou-se um dos maiores sucessos do Queen. The Miracle estreou no primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, e nos Estados Unidos teve um desempenho regular, embora superior à Kind Of Magic.
A mídia especializada, em geral teve opiniões mistas a positivas, sendo considerado um álbum mais orientado ao rock que a banda fazia anteriormente. Sobre o projeto, Roger Taylor considerou que ''era o melhor álbum do Queen em dez anos, facilmente''.
Ao lançar o single ''I Want It All'' em abril de 1989, a banda anunciou que não faria turnê do álbum. Freddie afirmou que queria quebrar o ciclo que faziam desde o início da carreira.
Os clipes gravados para as músicas de trabalho foram mais complexos do que os anteriores, utilizando vários recursos que diminuissem o foco em Freddie.


Nestes, o cantor deixou a barba crescer, o que o ajudou a esconder os sinais do Sarcoma de Kaposi em sua pele. No último video gravado, da música ''The Miracle'', o quarteto teve a ideia de contratar atores mirins para atuar, com o grupo aparecendo no final.
Freddie, nestas imagens pareceu mais envelhecido e fraco do que na última turnê. Brian e Roger ficaram responsáveis por promover o trabalho, e negaram todos os boatos sobre uma possível doença de Freddie Mercury.
Poucos meses depois do lançamento de The Miracle, Freddie voltou sozinho ao estúdio para produzir músicas. Foi nessa época que o cantor revelou aos seus colegas ser portador do vírus da AIDS, em uma reunião formal.
O diagnóstico entristeceu e arrasou com os demais integrantes, que estiveram dispostos a trabalhar num futuro álbum, pelo pouco tempo de vida que Freddie ainda poderia ter. O cantor pediu para que ninguém contasse sobre o vírus, fato que fez a banda criar uma espécie de escudo protetor sob o vocalista. O repertório conteve algumas músicas que sobraram de Barcelona, The Miracle e músicas que anteriormente estavam destinadas ao futuro trabalho solo de Brian May.
As gravações, no início foram intensas, durando semanas ininterruptas. Porém, quando o Queen foi receber o Brit Awards, Freddie Mercury estava com uma aparência ainda mais diferente.
Com uma roupa folgada, cabelo ralo e barba espessa, apenas agradeceu, enquanto Brian May fez o discurso. O ocorrido só fez aumentar as especulações de que Freddie estava doente, e foi sua última aparição pública.
O single ''Innuendo'' foi lançado em janeiro de 1991 e, por causa do estado frágil de Freddie, a banda resolveu fazer um clipe com ilustrações. Cada ação para preservar o silêncio do artista era questionada pela imprensa, mas os músicos negavam tudo.


O álbum, distribuído no início daquele ano teve a mesma recepção de The Miracle, diferenciando-se pelo fato de que a mídia especializada destacava as letras mais sérias e reflexivas.
Nas divulgações públicas do trabalho, apenas Brian e Roger participavam, e a falta de John e Freddie era sempre notada. Mas foi no clipe de ''These Are The Days Of Our Lives'' que evidenciou a fraqueza do cantor, que mal podia se mover por causa de uma lesão no pé. O último recado vindo do Queen, foi a música "The Show Must Go On", que literalmente é, "o show tem que continuar". Mas sem Freddie, pois o clipe foi uma montagem com os demais feitos pela banda, já que ele estava muito enfraquecido, impossibilitado para se movimentar.
Nos últimos meses de sua vida, Freddie preferiu cercar-se de pessoas nas quais confiava, como Mary Austin, sua ex-noiva, seu namorado Jim Hutton (o qual tinha descoberto também ser soropositivo), Mike Moran, Dave Clark, e seu motorista Terry Giddings. Seu testamento, feito pouco após seu aniversário, renderia muitas surpresas.
Mesmo temeroso sobre os efeitos que teria, caso assumisse a doença, Freddie pensou que era a melhor hora. O estigma da AIDS, como uma doença gay tinha diminuído, mas a principal preocupação do cantor estava no impacto que poderia causar às famílias de amigos próximos, principalmente as dos demais integrantes do Queen.
O comunicado foi divulgado um dia antes de sua morte: ''Seguindo a enorme comoção da mídia nas últimas duas semanas, eu gostaria de confirmar que fui testado como soropositivo e tenho AIDS. Eu senti que era melhor manter isso privado até agora para proteger a mim e àqueles ao meu redor. No entanto, chegou a hora de meus amigos e meus fãs saberem a verdade, e espero que todos se juntem a mim e aos meus médicos na luta contra essa terrível doença. Minha privacidade sempre foi importante para mim e sou famoso por minha falta de entrevistas, por favor, entendam que essa política continuará''.
Seu funeral aconteceu em Londres três dias depois, assistido por trinta e cinco pessoas, incluindo a família de Freddie, os integrantes e o empresário do Queen, Mary Austin, Jim Hutton e poucas outras pessoas.
O corpo do cantor foi cremado e suas cinzas foram entregues a Mary Austin, sendo que apenas ela, a família do cantor e os integrantes do Queen sabem onde as cinzas foram depositadas, e nunca revelarem seu paradeiro. Mary ficou com a maior parte da herança do cantor.


Mas este que seria o fim de uma banda, foi apenas mais uma pausa, para reiniciar com aqueles trabalhos que ficaram inacabados. Mas isso é assunto para a próxima postagem, a quarta parte sobre a carreira da banda Queen. Fiquem com mais do Queen e de Freddie Mercury em carreira solo, em:







































































sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte Final

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio, com esta quinta parte, finalizo a trajetória do camaleão da música, David Bowie. Nesse segmento, relatarei sobre os últimos trabalhos de Bowie, sua morte e seu legado.

BOWIE NEOCLÁSSICO (1999 – 2012)



David Bowie compôs a trilha sonora de Omikron (The Nomad Soul) em 1999, um jogo de computador em que ele e a esposa Iman também aparecem como personagens. 



O álbum “...hours...”, lançado nesse mesmo ano, contendo algumas faixas regravadas do jogo, trazia uma música, “What’s Really Happening”, música de Bowie e Reeves Gabrels, com uma letra escrita pelo vencedor do concurso via internet “Cyber Song Contest”, disponível no site oficial de Bowie. O vencedor foi Alex Grant, fã de David Bowie. Utilizando instrumentos tradicionais e um som pesado, o disco marcou o fim dos experimentos de Bowie com a música eletrônica. Em 2000, ele iniciou um álbum que chamaria-se Toy, com novas versões de algumas de suas músicas do início de sua carreira e mais três inéditas, mas o disco nunca foi lançado.

Em outubro de 2001, Bowie abriu o Concerto Para a Cidade de Nova Iorque, evento de caridade em benefício às vítimas dos ataques de 11 de setembro, com uma versão minimalista e misteriosa da música “America” de Simon & Garfunkel, que seguiu-se com “Heroes”, tocada juntamente com uma banda marcial. Uma vez que o álbum Toy não fora lançado, Visconti continuou trabalhando em estúdio com Bowie e, um ano depois, o resultado das gravações foi um álbum inteiramente de músicas inéditas: Heathen, de 2002. No segundo semestre deste ano, ele realizou a Heathen Tour. Durante esse período, no dia 15 de agosto, nasceu Alexandria Zahra Jones, sua filha com Iman. A turnê visitou cidades europeias e da América do Norte e sua abertura ocorreu em Londres, no Meltdown, festival anual e, por isso, naquele ano, Bowie foi apontado como diretor artístico do evento. Entre os artistas que selecionou para o festival estavam Philip Glass, Television e The Polyphonic Spree. Além de músicas do novo álbum, a turnê também trazia música de Low.


Em 2003, lançou Reality, disco com humor e melancolia, que reflete sobre toda sua carreira e que, na faixa-título, canta: “Acertei, errei / estou de volta ao começo / procurei um sentido e não achei nada / Hey garoto, bem-vindo à realidade”. Em 2004, a Reality Tour o fez viajar pela Europa, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Japão, com um público estimado de 722.000, arrecadando uma quantia superior a qualquer outra turnê deste ano.

Apresentando-se em Oslo, Noruega, foi atingido no olho por um pirulito atirado por um fã e, uma semana depois, enquanto se apresentava no palco do Hurricane Festival em Scheebel, Alemanha, sentiu fortes dores no peito, e a apresentação foi interrompida. Foi diagnosticada uma série obstrução numa artéria e Bowie passou por uma angioplastia de emergência em Hamburgo, também na Alemanha. As 14 apresentações restantes da turnê foram canceladas. Recuperado da cirurgia cardíaca, diminuiu sua produção musical pela primeira vez em muitos anos. Apareceu só de vez em quando nos palcos e nos estúdios. Em 2004, cantou “Changes” num dueto com Butterfly Boucher para o filme de animação Shrek 2.


Durante o ano de 2005, que seguiu-se calmo em sua agenda, gravou vocais em “(She Can) Do That”, escrita com Brian Transeau, para o filme Stealth. Retornou aos palcos em 08 de setembro, junto ao Arcade Fire, num evento transmitido pela televisão nos Estados Unidos chamado Fashion Rocks, e tocou com a banda canadense pela segunda vez uma semana depois, durante o CMJ Music Marathon. Contribuiu com vocais na música “Province” dos TV On The Radio no álbum Return to Cookie Mountain, gravou um comercial da XM Satellite Radio com Snoop Dogg, e participou, com oamigo de longa data, Lou Reed, do álbum No Balance Palace da banda Kashmir.


Bowie foi premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 08 de fevereiro de 2006, que só é concedido a “músicos que, durante suas vidas, deram contribuições criativas de importância excepcional no campo da gravação”. Em abril, anunciou: “Estou dando um tempo a turnês e discos”. Em 29 de maio, porém, fez uma aparição surpresa no show de David Gilmour no Royal Albert Hall, de Londres. O evento foi filmado e, logo em seguida, foi lançada uma seleção das músicas em que ele participou. Sua última apresentação nos palcos se deu em novembro do mesmo ano, quando cantou ao lado de Alicia Keys no Black Hall, evento beneficente de Nova Iorque para a organização Keep a Child Alive.

Em 2007, Bowie foi escolhido para a curadoria do High Line Festival, selecionando músicas e artistas do evento de Manhattan, e participou do álbum de 2008, Anywhere I Lay My Head, de Scarlett Johansson, só de regravações de Tom Waits. Para os 40 anos de aniversário do primeiro pouso na Lua e também para o aniversário de seu primeiro sucesso, “Space Oddity”, a EMI lançou faixas individuais da gravação original da música, em 2009, num concurso que convidava os fãs a criarem um remix. Em 2010 foi lançado, A Reality Tour, álbum duplo/DVD com cenas ao vivo de sua turnê de 2003.                          

ÚLTIMOS ANOS (2013 – 2016)


Em 08 de janeiro de 2013, quando completou sessenta e seis anos, o site oficial de Bowie anunciou um novo projeto, chamado de The Next Day. O trabalho foi lançado em 08 de março na Austrália, 11 de março em quase todo o mundo e 12 de março nos Estados Unidos. Primeiro álbum de Bowie da década, The Next Day continha 14 faixas e várias faixas bônus. Seu portal reconheceu o tamanho do intervalo de sua obra. O produtor Tony Visconti afirmou que 29 músicas foram gravadas para o álbum, e algumas delas apareceriam no disco a ser lançado ainda naquele ano. O anúncio foi seguido pelo lançamento imediato de um single, “Where Are You Now”, escrito e gravado por Bowie em Nova Iorque e produzido pos Visconti, seu parceiro profissional de décadas.

O clipe de “Where Are You Now” foi lançado no Vimeo (site de compartilhamento de vídeo, no qual os usuários podem fazer upload, partilhar e ver vídeos) no mesmo dia, com direção de Tony Oursler, artista nova-iorquino. O single entrou nas paradas britânicas do iTunes poucas horas após o lançamento, e debutando na sexta posição do U.K. Singles Chart, sendo o primeiro single do artista no Top 10 em cerca de vinte anos (o último foi “Jump They Say” em 1993). A segunda produção de áudio e vídeo, “The Stars (Are Out Tonight)”, foi lançada em 25 de fevereiro. Dirigida por Floria Sigismondi, foi estrelado por Bowie e Tilda Swinton como um casal. Em 01 de março, o álbum foi disponibilizado no iTunes. The Next Day estreou na primeira posição da U. K. Albums Chart, melhor posição desde Black Tie White Noise de 1993, se tornando o álbum mais vendido de 2013. Por outro lado, o clipe de “The Next Day” causou controvérsias e chegou a ser removido do YouTube por violar os termos de serviço da plataforma. O vídeo somente voltou ao ar após restringir que somente maiores de dezoito anos pudessem acessar.


Em 2014, foi divulgado o futuro lançamento de uma coletânea, chamada Nothing Has Changed, para novembro. O disco continha hits dos cinquenta anos de carreira do cantor, incluindo o single inédito de “Sue (Or In a Season Of Crime)”, acompanhado por outra inédita, “This a Pitty She As a Whore”. Em maio de 2015, foi anunciado o single “Let’s Dance” seria relançado em vinil em 16 de julho, juntamente com a exposição David Bowie Is no Australian Centre For The Moving Image, em Melbourne.

Em agosto de 2015, foi anunciado que Bowie estaria compondo músicas para um musical da Broadway baseado no desenho animado Sponge Bob, Square Pants (Bob Esponja, Calça Quadrada). David escreveu e gravou a faixa-título da série de televisão The Last Panthers, que foi ao ar em novembro do mesmo ano. Ainda em novembro, a música “Blackstar”, faixa-título do álbum programado para janeiro de 2016, foi lançada como single e videoclipe. O álbum contém influências do krautrock, estilo das bandas alemãs experimentais do final da década de 60 e início de 70, Segundo o The Times: “Blackstar pode ser o trabalho mais triste de Bowie”. E não era para menos. Blackstar foi lançado em 08 de janeiro de 2016, no aniversário de 69 anos de Bowie, e recebeu críticas positivas imediatas.


A MORTE DO CAMALEÃO


Na noite de 10 de janeiro, dois dias após ter completado sessenta e nove anos e o lançamento do álbum Blackstar, Bowie morreu em seu apartamento em Nova Iorque, vítima de câncer de fígado. O músico foi diagnosticado com a doença dezoito meses antes, mas optou por não anunciar seu estado de saúde para o público. O diretor de teatro belga, Ivo van Hove, com quem trabalhou no musical Off-Broadway Lazarus, disse que Bowie evitou assistir os ensaios pelo avanço da doença. Hove observou que Bowie estava trabalhando constantemente desde que soube do diagnóstico.

Tony Visconti, produtor musical de Bowie, disse: “Ele sempre fez o que quis. E ele queria fazer as coisas do jeito dele, e da melhor maneira possível. Sua morte não foi diferente de sua vida, uma obra de arte. Ele fez Blackstar para nós, é o seu presente final. Eu sabia por um ano que isso aconteceria desse jeito. Não estava, entretanto, preparado. Ele era um homem extraordinário, cheio de amor e vida. Ele sempre estará conosco. Por ora, é apropriado chorar”. Bowie foi cremado em Nova Iorque.



DEPOIS DA MORTE DE BOWIE

Após a morte de David Bowie, fãs fizeram homenagens e memoriais. Foram distribuídas flores em um mural de Brixton, sul de Londres, onde o cantor nasceu. A fotografia da capa do álbum Aladdin Sane serviu de ilustração, enquanto fãs cantavam suas músicas. Outras homenagens ocorreram em Nova Iorque, Los Angeles e Berlim.

O produtor Tony Visconti revelou que Bowie planejou o álbum para ser o seu “canto do cisne”, e um presente de despedida para seus fãs antes de morrer. Posteriormente, jornalistas e críticos notaram que a morte é tema constante em várias das letras. A CNN observou que Blackstar “revela um homem de braços abertos com sua própria mortalidade”. Visconti afirmou, mais tarde, que David Bowie planejavam um álbum após o Blackstar. O cantor escreveu e gravou demos de cinco novas músicas em suas últimas semanas de vida, sugerindo que Bowie pensava em ter mais alguns meses de vida. Na semana de sua morte, as vendas e visualizações de clipes e músicas dispararam. Na Vevo’s, Bowie tornou-se o artista mais visualizado em um único dia. Nove álbuns do artista entraram para a U. K. Top 100 Albums Official Charts e trinta singles entraram na U. K. Top 100 Singles Charts.




Bem pessoal, aqui encerro este artigo sobre David 'Bowie' Jones, que será eternamente lembrado por ser um artista emblemático e muito teatral. Suas músicas serão cultuadas e tocadas por aqueles que sabem apreciar música verdadeira, experimental ou não, tetral ou não, visceral e engajadora. Curtam mais de David Bowie em:



































O Camaleão David Bowie - Parte 4

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio. Trago a quarta parte da odisseia do multi-artista David Bowie, agora como um simples coadjuvante na banda Tin Machine e suas experiências com o eletrônico.


TIN MACHINE (1989 – 1991)

Em 1989, Bowie deixou sua carreira solo de lado, atuando como mero coadjuvante e, pela primeira vez, um anônimo dentro de uma banda, como se fora o início de sua carreira, no início, formando grupos. Abanda Tin Machine, um quarteto especializado em hard rock, surgida depois que Bowie trabalhou experimentalmente com o guitarrista Reeves Gabrels. Adicionados à essa dupla, os irmãos Tony Sales (baterista) e Hunt Sales (baixista), dupla que David Bowie conhecia desde a década de 70 por trabalharem juntos em Lust Of Life, disco de Iggy Pop, de 1977, produzido por Bowie.


Querendo que o Tin Machine funcionasse democraticamente, Bowie dominou a banda, tanto nas composições como na tomada de decisões importantes. O disco de estreia, Tin Machine (1989), inicialmente teve popularidade, apesar de suas letras politizadas não terem agradado a todos. Segundo Bowie, uma de suas músicas foi descrita, na época, como “simplista, ingênua e radical, desistindo de falar sobre o aparecimento de neo-nazistas”. Na visão do biógrafo Christopher Sanford, o disco “teve coragem de denunciar drogas, fascismo e televisão”. A gravadora EMI reclamou das “letras pregativas”, da falta de produção e da abundância de minimalidade. De qualquer forma, o disco alcançou a terceira posição no Reino Unido.

A primeira turnê mundial do Tin Machine foi um sucesso comercial, embora críticos e fãs relutassem muito em aceitar as apresentações de Bowie como um simples membro da banda. Uma série de músicas e singles fracassaram e, após um desentendimento com a EMI, Bowie decidiu por largar a gravadora. Assim como a imprensa e o público, cada vez mais ele estava descontente com seu papel de simples integrante de uma banda. O Tin Machine começou a trabalhar num segundo álbum, porém concordaram em esperar mais um tempo e, nessa espera, Bowie deu um rápido retorno à carreira solo.

Na Sound+Vision Tour, tocando seus primeiros e maiores sucessos, anteriores ao disco Tonight, durante sete meses, alcançou novo sucesso comercial e novamente reconhecimento da crítica. Essa turnê contou com suas primeiras apresentações na América do Sul, entre elas o Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina.

As fotos da capa: a que saiu e a que era para ser de bom gosto.

Dez anos após seu divórcio com Angela, Bowie conheceu, em 1990, a modelo somali (tribo africana) Iman Abdulmajid, através de um amigo em comum. Dois anos depois eles se casaram. 
David Bowie e Iman
Ainda em 1991, após a bem-sucedida turnê solo de Bowie, o Tin Machine voltou a trabalhar. Porém, a crítica e o público, que já estavam decepcionados com o primeiro álbum do grupo, não mostrou muito interesse por um segundo disco. O lançamento de Tin Machine II ficou marcado por uma enorme divulgação e uma polêmica inoportuna por causa de sua capa. Após a produção ter começado, a nova gravadora, Victory, repensou no lançamento da capa com os quatro integrantes da banda, nus em formato de estátuas, que eram para ser “num gosto requintado”, segundo Bowie, tornou-se um prato cheio para a mídia, que dizia ser “algo obsceno”. Por fim, foi feito uma forma de “remendo” fotográfico a fim de tornar as figuras assexuadas. O Tin Machine excursionou novamente, porém, após o álbum ao vivo Tin Machine Live: Ou Vey, Baby, fracassou comercialmente, e a banda se separou e Bowie, embora continuasse a colaborar com Gabrels, retornou para sua carreira solo.     
                            

BOWIE ELETRÔNICO (1992 – 1999)

Em abril de 1992, Bowie participou do Concerto em Tributo à Freddie Mercury, após a morte do vocalista do Queen no ano anterior. Cantou “Heroes” e “All The Young Dudes”, esta última junto com Ian Hunter, vocalista do Mott The Hoople, não podendo deixar de cantar “Under Pressure”, em que foi acompanhado por Annie Lennox, que cantou a parte de Freddie Mercury na música. Quatro anos depois, Bowie e Iman estavam casados na Suíça. Com a intenção de se mudarem para Los Angeles, o casal foi até os Estados Unidos para procurar um imóvel para morar, mas tiveram que permanecer no hotel, sob toque de recolher, por causa dos Distúrbios de Los Angeles de 1992 (aquele em que os jurados, todos brancos, absolveram os policiais por terem assassinado um jovem negro, Rodney King). As manifestações começaram bem no dia em que eles chegaram à cidade, fazendo com que o casal fosse se estabelecer em Nova Iorque.


Em 1993, o lançamento de Black Tie White Noise trouxe um Bowie influenciado em hip-hop, jazz e soul. O álbum, que novamente o reuniu com o produtor de Let’s Dance, Nile Rodgers, fazia uso constante de instrumentos eletrônicos e confirmou seu retorno à popularidade, chegando ao primeiro lugar nas paradas britânicas e fazendo sucesso com a música “Jump They Say”. Al B. Sure participou na faixa título. Este álbum também contou com a participação de seu antigo colega da era Ziggy Stardust, Mick Ronson, que morreu de câncer no final de 93. Bowie explorou novas direções em The Buddha Of Suburbia, trilha sonora composta para uma série televisiva adaptada livremente do livro The Buddha Of Suburbia (1900) de Hanif Hureishi. O disco trazia alguns dos novos elementos introduzidos no Black Tie White Noise, e também anunciava uma mudança para o rock alternativo. O disco foi bem recebido pela crítica, embora não alcançasse muito sucesso comercial, atingindo a 87ª posição nas paradas do Reino Unido.


O álbum Outside, de 1995, reuniu Bowie novamente com Brian Eno, e foi gerado como o primeiro volume de uma narrativa sem sentido óbvio sobre arte e assassinato. Apresentando personagens de um conto escrito pelo artista, o álbum conseguiu sucesso nas paradas britânica e americanas. Bowie escolheu a banda Nine Inch Nails como sua parceria para a Outside Tour, e recebeu, por isso, recepções mistas. Visitaram cidades da Europa e da América do Norte, entre setembro de 1995 e fevereiro de 1996 e esta turnê registrou o retorno de Gabrels como guitarrista principal de Bowie.


Em janeiro de 1997, David Bowie entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame. Nesse mesmo ano, Bowie lançou o álbum Earthling, onde misturou elementos do jungle britânico e do drum and bass. Foi um sucesso comercial e de crítica. A música “I’m Affraid Of Americans”, escrita com Brian Eno para o filme Showgirls de Paul Verhoeven, foi regravada no álbum, remixada para ser lançada como single. Esse trabalho ficou por conta do multi-instrumentista Trent Reznor (famoso por sua banda Nine Inch Nails), que além de produzir, fez backing vocals na música. O vídeo clipe, do qual Reznor também participava, foi tão exibido na televisão, que fez com que a música ficasse 16 semanas na Billboard Hot 100 americana. Em 1998, Bowie reuniu-se com Tony Visconti, produtor musical e gravou a música “(Safe In This) Sky Life” para o filme Rugrats, mas a faixa foi cortada na edição final. Mais tarde, ela foi regravada e saiu como “Safe” no lado B do single de 2002 “Everyone Says ‘Hi’”. Ainda em 1998, Bowie disse gostar muito da música “Without You I’m Nothing” do Placebo. Resultado: foram adicionados os vocais de Bowie e a versão, também produzida por Tony Visconti,  saiu como single. Também em 1998, Bowie gravou “A Foggy Day (In London Town)” com Angelo Badalamenti, tributo a George Gershwin, no intuito de arrecadar dinheiro para várias instituições de caridade dedicadas na conscientização e no combate à AIDS.

Bem pessoal, volto logo para concluir a longa e bela carreira do camaleão David Bowie. Curtam mais de Bowie em:


























































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