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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ROCK GRANDE DO SUL - ENGENHEIROS DO HAWAII - TERCEIRA PARTE




Salve galera que está curtindo o Blog Opinião do Véio! Estou aqui para comentar a terceira e última parte da carreira desta banda gaúcha por natureza, brasileira de nascimento.

Todo mundo passa por uma fase em que tem que mudar, sejam os planos, seja de local ou mudanças internas (pessoal ou profissional). E não foi diferente para os Engenheiros, pois tiveram que se adaptar, ou com a saída de um integrante, ou com um novo tipo de sonoridade, uma nova visão comercial.




Nova fase (2000 – 2003)

Da turnê de ¡Tchau Radar!, surgiu o terceiro disco ao vivo da banda, e o décimo segundo de sua carreira: 10.000 Destinos. Novamente, Gessinger repassa o repertório consagrado da banda em novas versões divididas em um set acústico e um elétrico e conta com a participação de Paulo Ricardo, cantando "Rádio Pirata" do RPM, e do gaiteiro Renato Borghetti nas canções "Refrão de um Bolero" e "Toda Forma de Poder". Como faixas-bônus, gravadas em estúdio, acompanham as inéditas "Números" e "Novos Horizontes", além da regravação de "Quando o Carnaval Chegar", de Chico Buarque.

Capa do álbum ao vivo de 2000.

Alguns meses após a apresentação no Rock in Rio III (2001), Lúcio, Adal e Luciano saem da banda e montam outro grupo, Massa Crítica, mudando novamente a formação dos Engenheiros. Lúcio, Adal e Luciano são substituídos por Paulinho Galvão (guitarra), Bernardo Fonseca (baixo) e Gláucio Ayala (bateria). Gessinger volta a tocar guitarra, após 14 anos responsável pelo contrabaixo dos Engenheiros.

Com essa nova formação eles regravam algumas músicas da banda e lançam uma re-edição de seu último disco, agora intitulado 10.001 Destinos. Duplo, traz as mesmas faixas do disco precursor, e novas versões de estúdio das canções "Novos Horizontes", "Freud Flinstone", "Nunca Se Sabe", "Eu Que Não Amo Você", "A Perigo", "Concreto e Asfalto" e "Sem você".

Capa do álbum de 2001, também ao vivo.

Começava com esta formação, seguindo novamente o mercado musical (quando bandas mais pesadas começaram a ter mais espaço), de som mais limpo e pesado. Isso se confirma em 2002, com o lançamento do disco Surfando Karmas & DNA, disco que consolida a nova fase da banda, e que tem a participação especial do ex-Engenheiros Carlos Maltz na faixa "E-stória" (música feita com e-mails que ele trocou com Maltz depois de anos sem se falar)

São destaques do disco a faixa título e as canções "Terceira do Plural", "Esportes Radicais", "Ritos de Passagem" e "Nunca Mais". Há influência do punk rock e pop rock nas novas canções.

Capa do Álbum de 2002.

O disco seguinte, Dançando no Campo Minado, de 2003, mantém a regra: sonoridade muito similar ao seu antecessor com músicas curtas, guitarras pesadas e poesia crítica de Gessinger denunciando os males da globalização, da desilusão política e ideológica e da guerra, nas canções "Fusão a Frio", "Dançando no Campo Minado", "Dom Quixote" e "Segunda Feira Blues" (partes I e II, esta última novamente com a participação de Carlos Maltz), porém, convivendo com um certo otimismo na parte mais emotiva da vida. Emplaca nas rádios a faixa “Até o Fim”.

Capa do álbum de 2003.

Acústico MTV e Acústico II: Novos Horizontes (Turnês Acústicas) (2004 – 2008)

Para comemorar os vinte anos de banda, completados em 2005, os Engenheiros do Hawaii lançaram o CD e DVD Acústico MTV. O acústico tem as participações especiais dos músicos Humberto Barros (órgão Hammond) e Fernando Aranha (violões). Este último já havia feito uma participação especial no disco anterior.

Capa do álbum acústico comemorando 20 anos, de 2005.

O disco se diferencia dos demais por não trazer participações especiais, apenas "fraternais": Clara Gessinger, filha de Humberto, divide os vocais com o pai em “Pose” (executada com parte da letra cortada) e Carlos Maltz, co-fundador e ex-baterista dos Engenheiros, que canta junto com Gessinger em “Depois de Nós”, de sua autoria.

Além dos grandes sucessos, como “Infinita Highway”, “Somos Quem Podemos Ser” e “O Papa é Pop” e das composições recentes, como “Surfando Karmas & DNA” e “Até o Fim”, o disco traz as músicas “O Preço” e “Vida Real”, ambas do álbum Humberto Gessinger Trio.

Por fim, acrescentam-se ainda as músicas inéditas "Armas Químicas e Poemas" e "Outras Frequências". Durante a turnê do Acústico, Paulinho Galvão deixa a banda e seu posto é assumido por Fernando Aranha. Nos teclados, por sua vez, o jovem Pedro Augusto assume o lugar de Humberto Barros, que já fazia parte da banda de apoio do Kid Abelha.

O novo disco, Acústico II: Novos Horizontes, foi gravado nos dias 30 e 31 de maio de 2007, em São Paulo, no Citibank Hall, e foi lançado em agosto de 2007 com nove faixas inéditas, além de nove regravações. O disco quebrou a seqüencia de a cada 3 discos em estúdio, ser gravado um "ao vivo".

Capa do álbum acústico de 2007.
Também foi palco de novas experiências para Gessinger, como a viola caipira que usa em algumas músicas do álbum. Segundo ele, se tivesse que rever todas as obras dos Engenheiros do Hawaii, 'Novos Horizontes' é o que não mexeria em nada. Destaque maior para as faixas inéditas "Guantánamo", "Coração Blindado", "No Meio de Tudo, Você" e "Quebra-Cabeça".

No fim de 2007, o então baixista Bernardo Fonseca sai da banda e Humberto Gessinger assume o baixo. Desde então a banda voltou a utilizar guitarras em seus shows. No ano de 2008, após shows pelo Brasil inteiro, a banda termina a turnê acústica, começada em 23 de julho de 2004 com o lançamento do Acústico MTV.



ATIVIDADES INTERROMPIDAS

Junto com a turnê terminam, pelo menos temporariamente, as atividades d'os Engenheiros do Hawaii. O vocalista e líder da banda, Humberto Gessinger, declarou no site oficial da banda que os planos de retorno da banda são somente no ano de 2017.

Lembrando que já é a quinta vez que Gessinger adiou o retorno dos Engenheiros. Entre 2008 e 2012 Gessinger se dedicou ao Pouca Vogal, parceria com Duca Leindecker, vocalista do Cidadão Quem. Juntos eles cantavam novas baladas e grandes sucessos de suas bandas.

Capa de Insular, álbum solo de Humberto Gessinger.

Gessinger atualmente se dedica em sua carreira solo que começou em 2013 com o lançamento do CD Insular (com destaque para a parceria com Jota Quest "Tudo Está Parado"), e continuou com o CD/DVD Insular Ao Vivo em 2014.

No ano de 2016 ele começou uma nova turnê denominada "Louco Pra Ficar Legal" trecho da música: "Pra ficar legal" de 2002. Também lançou 5 livros: Meu Pequeno Gremista, Pra Ser Sincero - 123 Variações Sobre Um Mesmo Tema no final de 2009, Mapas do Acaso - 45 Variações Sobre Um Mesmo Tema em fevereiro de 2011, o livro Nas Entrelinhas do Horizonte em abril de 2012 e o livro Seis Segundos de Atenção em agosto de 2013.

Capa do DVD Insular ao Vivo, de 2014,

2017, 30 ANOS: A REVOLTA DOS DÂNDIS

No fim do ano de 2016 pairou no ar uma expectativa de uma reunião da tão aclamada formação clássica G,L&M, afinal, o disco mais cultuado pelos fãs e até mesmo pelo Humberto Gessinger, Augusto Licks e Carlos Maltz.

Licks é totalmente avesso a aparições públicas, mas desde 2015 criou um workshop intitulado "Do Quarto Para o Mundo", onde já visitou algumas capitais, mas a grande surpresa foi subir no palco da cantora Tsubasa Imamura para uma participação em "Pra Ser Sincero, Gessinger / Licks" mais de 20 anos depois do último show com os Engenheiros.

Augusto Licks, ex-integrante.

Já Carlos Maltz passou por um momento difícil no final de 2016, passou por um procedimento para tratar aneurisma na aorta, Gessinger ficou mantendo os fãs de Carlos atualizados com notas em seu perfil do Facebook e Twitter, um fato que quase passou despercebido. foi que Licks entrou em contato com o ex-companheiro de banda, até onde se sabe, foi a primeira vez que os dois se falaram desde a saída turbulenta de Licks dos Engenheiros, segundo o próprio Maltz foi uma das melhores coisas que lhe aconteceu neste momento tão difícil.

Carlos Maltz, ex-integrante.

Juntando tudo isso, rumores estariam levando para a tão aguardada reunião? Infelizmente não, é pouco provável que a marca Engenheiros do Hawaii volte a estar novamente em um show, seja com GL&M ou até mesmo com outra formação, até mesmo porque a carreira solo de Humberto Gessinger é super bem sucedida, sucesso de público e crítica, um dos poucos artistas que consegue se manter com um público fiel, e longe dos grandes holofotes da industria de hoje em dia.

INSPIRAÇÃO

Cabe aqui salientar que os Engenheiros do Hawaii também foram influenciados pelo filósofo existencialista francês Jean-Paul Sartre nas canções como “Infinita highway”. Por exemplo, essa música que mudou definitivamente a trajetória dos Engenheiros explicita trechos como “a dúvida é o preço da pureza”, uma frase da obra O Muro, de Sartre.

A “Infinita highway” permite induzir a presença de uma temática existencial. Além da citação de O Muro em “Infinita highway”, Sartre é mencionado em “Guardas da Fronteira” (“Acontece que eu não tenho escolha / Por isso mesmo é que eu sou livre / Não sou eu o mentiroso / Foi Sartre quem escreveu o livro”). O próprio Humberto Gessinger, líder da banda Engenheiros do Hawaii, afirma que "Infinita Highway" coloca sobre uma base musical progressiva reflexões existencialistas inspiradas por Sartre.

A formação clássica: Maltz, Guessinger & Licks.

O segundo disco da banda, A Revolta dos Dândis, um dos mais aclamados pela crítica nacional, também é o que mais deixa transparecer as preferências de Humberto por Sartre. Ao mesmo tempo, o grupo foi acusado de elitista e fascista devido ao conteúdo de suas letras. Em resposta, Gessinger afirmou que o povo brasileiro entende tanto de existencialismo como de boxe, sendo os dois produtos de consumo. Entre as faixas que mais nitidamente evidenciam a filosofia existencial estão: Infinita Highway, Terra de Gigantes, Refrão de Bolero e a faixa que dá nome ao álbum, A Revolta dos Dândis.

Assim, do mesmo modo estão presentes no trabalho dos Engenheiros do Hawaii a filosofia de Camus, Nietzsche e Sartre, a linguagem social dos livros de Ferreira Gullar, John Fante, Arthur Rimbaud e George Orwell, bem como os aspectos regionais e nacionais, característicos das obras de Moacyr Scliar, Carlos Drummond de Andrade e Josué Guimarães.

Quando surgiu a banda Engenheiros do Hawaii, Gessinger utilizou-se de um experimentalismo de sons herdados da Bossa-Nova, Jovem Guarda, Tropicalismo e do Rock Progressivo, do qual ainda traz como marca em suas composições o conceitualismo, isto é, um engajamento em torno de um tema.



FORMAÇÕES

Humberto Gessinger é o único integrante da fundação do grupo que conseguiu sobreviver a todas as mudanças de formação ocorridas durante toda a trajetória da banda.


ÚLTIMA FORMAÇÃO

Humberto Gessinger - voz, bandolim, viola caipira, baixo, guitarra 6 e XII, acordeon, midi pedalboard, talk box, harmônica, acordeón, violão e piano (1984-2008)

Gláucio Ayala - bateria, percussão e vocais (2001-2008)
Fernando Aranha - guitarra (2004-2008)
Pedro Augusto - teclados (2005-2008)

EX-INTEGRANTES

Carlos Stein - guitarra (1984-1985)
Marcelo Pitz - baixo e vocais (1984-1987)
Augusto Licks - guitarra, harmônica, violão, teclados e midi-pedalboard (1987-1994)
Carlos Maltz - bateria, percussão e vocais (1984-1996)
Ricardo Horn - guitarra e violão (1994-1996)
Fernando Deluqui - guitarra, violão e vocais (1995-1996)
Paolo Casarin - teclados e acordeom (1995-1996)
Luciano Granja - guitarra e violão (1996-2001)
Adal Fonseca - bateria e percussão (1996-1997 e 1998-2001)
Lúcio Dorfman - teclados e vocais (1997-2001)
Paulinho Galvão - guitarra e violão (2001-2005)
Bernardo Fonseca - baixo (2001-2008)



Bem pessoal, por aqui encerro a história dessa banda que, está em atividade suspensa, mas não há, ainda, uma remota possibilidade de retorno. Não como banda, mas Humberto Gessinger continua na ativa e podemos, quem sabe, ter uma esperança, por menor que seja, de que um dia teremos de volta a banda, seja com qual formação for.

Esperança de que nos tragam novidades e nos façam sentir aquela vibração com a qual nos deparávamos quando ouvíamos seus sucessos, suas melodias. Felizmente, sonhar não custa nada.


Continuem com mais dos Engenheiros do Hawaii em:

































domingo, 15 de outubro de 2017

ROCK GRANDE DO SUL - ENGENHEIROS DO HAWAII - SEGUNDA PARTE


Salve galera que está curtindo o Blog Opinião do Véio! Sejam bem - vindos à segunda parte de minha postagem sobre os Engenheiros do Hawaii. Como eles mesmos disseram com o título do primeiro LP, estavam longe demais das capitais, ou seja, o eixo Rio - São Paulo, onde estão as grandes gravadoras, as melhores oportunidades de se fazer grandes apresentações, shows em estádios e grandes ginásios.

E foi o que eles fizeram, Como se diz no Rio Grande do Sul, se mudaram “de mala e cuia”. Foram conquistar o Brasil, pois é isso que uma banda com carreira em ascendência deve fazer.


MUDANÇA PARA O RIO DE JANEIRO (1990 – 1993)

O disco seguinte, O Papa é Pop, de 1990 consolida a mudança de sonoridade da banda. Puxados pelo sucesso "Era um Garoto Que Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones", regravação de uma velha canção do grupo Os Incríveis (por sua vez versão da canção "C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones" de Gianni Morandi), e a faixa-título, o quinto disco dos Engenheiros investe no som progressivo, calçado nos solos de guitarra de Licks e em uma base mais eletrônica de teclados e bateria.

Capa do álbum de 1990.

Gessinger passa a assumir também o piano elétrico e começam a surgir as baladas de piano e voz da banda. São dele as canções "Anoiteceu em Porto Alegre", "O Exército de um Homem Só" (dividida em duas partes), "Pra Ser Sincero" e "Perfeita Simetria" (versão alternativa da canção "O Papa é Pop"). Em meio aos novos sucessos, uma antiga canção, "Refrão de Bolero", oriunda do segundo disco, A Revolta dos Dândis, também era bastante executada pelas rádios. Aclamados pelo público e massacrados pela crítica, os Engenheiros do Hawaii consagram-se no Rock in Rio II, arrancando elogios do jornal americano New York Times, apesar de ignorados pela Folha de S. Paulo.

O Papa é Pop é considerado o álbum mais vendido da banda, com mais de 400 mil cópias nos primeiros anos. Com ele, os Engenheiros do Hawaii foram considerados a maior banda de rock do Brasil de 1990 em votação promovida pela revista Bizz, em reportagem da mesma revista meses depois e pela revista Veja.

O ano de 1991 marca o lançamento do sexto disco, Várias Variáveis, que completa a trilogia iniciada no segundo e terceiro discos da banda. Há redução dos efeitos eletrônicos e a retomada de um som mais rock 'n' roll, mas não repete o mesmo sucesso do anterior, mesmo tendo a canção "Herdeiro da Pampa Pobre", regravação de um antigo sucesso de Gaúcho da Fronteira, bastante executada nas rádios. Este é um dos discos que contém as melhores letras do grupo, porém, o som não é o forte do álbum, sendo o mesmo questionado hoje até pelo próprio Gessinger.


Capa do álbum de 1991.

Pode-se dizer que foi um disco seminal, pois canções como "Piano Bar", "Muros & Grades" e "Ando Só", em regravações em outros discos, estabeleceram-se como algumas das melhores da banda. No ano seguinte, 1992, é lançado o sétimo disco, Gessinger, Licks & Maltz, ou GLM, inspirado no famoso logotipo ELP de Emerson, Lake & Palmer. O som continua mesclando elementos de MPB e rock progressivo, com destaque para as canções "Ninguém = Ninguém", "A Conquista do Espaço", "Pose (Anos 90)" e "Parabólica", canção que Gessinger fez em homenagem a sua filha Clara, nascida em fevereiro do mesmo ano.

Capa do álbum de 1992.

O oitavo disco dos Engenheiros é o semi-acústico Filmes de Guerra, Canções de Amor, de 1993, gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. A banda considerava este disco como acústico, pois condicionava tal formato à ausência de bateria e às guitarras semi-acústicas. Na época não existia a febre de acústicos gravados pelos grandes nomes nacionais, o que denota o caráter visionário da banda.

Capa do álbum acústico de 1993.

 O disco foi gravado ao vivo por uma decisão da banda de gravar um álbum ao vivo a cada três álbuns, uma ideia da banda Rush, que faz o mesmo. Com guitarras acústicas, percussão, piano, acordeão e participação da Orquestra Sinfônica Brasileira em três faixas, regida por Wagner Tiso, as velhas canções – como "Muros e Grades", "O Exército de um Homem Só" e "Crônica", e novas composições como "Mapas do Acaso" e "Quanto Vale a Vida?", ganharam arranjos que apontavam para o blues, a música tradicionalista e a erudita, ressaltando a excelente qualidade das letras dos Engenheiros do Hawaii.

A banda chegou a participar, ainda no mesmo ano, do festival Hollywood Rock Brasil, junto com os brasileiros do Biquini Cavadão, De Falla, Dr. Sin e Midnight Blues Band. Entretanto não foram bem recepcionados e receberam muitas vaias. Eles se apresentaram no mesmo dia de L7 e Nirvana.



O ano de 1993 marca também a primeira excursão dos Engenheiros pelo Japão e Estados Unidos. Porém, no final deste mesmo ano, discussões e rixas internas acabaram por resultar na saída do guitarrista Augusto Licks. Inicia-se uma longa disputa jurídica pela marca "Engenheiros do Hawaii", tendo Gessinger e Maltz finalmente ficado com o nome da banda.

TEMPOS DETEMPESTADE E GESSINGER TRIO (1994 – 2000)

O passo seguinte foi remontar os Engenheiros, com a entrada do guitarrista Ricardo Horn. Posteriormente, também ingressam na banda: Paolo Casarin (acordeom e teclados) e o guitarrista Fernando Deluqui (ex-RPM). Após dois anos sem gravar, os Engenheiros lançam em 1995 o álbum Simples de Coração.

Capa do álbum de 1995.

O som é mais pesado, com climas regionais gaúchos dados pelo acordeão de Casarin. Destaque para as canções "A Promessa", "A Perigo", "Lance de Dados", "Ilex Paraguariensis" e "Simples de Coração". Havia ainda a canção "O Castelo dos Destinos Cruzados", em que o baterista Maltz assume os vocais. O disco Simples de Coração também teve uma versão em inglês, que não chegou às vendas. Os fãs mais assíduos têm apenas as MP3s.

Paralelamente às gravações do Simples de Coração, Gessinger monta o trio “33 de Espadas”, para tocar música instrumental. Ao fim da turnê de Simples de Coração, a banda passou por uma grave crise, pois a formação "quinteto" era temporária. 

O trio 33 de Espadas.

Longe do sucesso de outros tempos, os Engenheiros começam a pensar em seguir outros caminhos. O "33 de Espadas" faz sua estréia já com a formação que viria se chamar "Humberto Gessinger Trio", tendo Luciano Granja na guitarra e Adal Fonseca na bateria.

O grupo lançou o disco, também intitulado Humberto Gessinger Trio (HG3), em 1996. O clima enxuto do disco, basicamente com bateria, baixo e guitarra, lembra os primeiros trabalhos de Gessinger, como exemplificam as canções "Vida Real", "Freud Flintstone", "De Fé" e "O Preço". Paralelo a esse fato, Carlos Maltz envolve-se numa trilha mística e resolve abandonar os Engenheiros. A partir daí, o baterista monta o grupo A Irmandade. Durante a turnê do Humberto Gessinger Trio, há uma constante troca de nome das bandas. Os shows que deveriam ser anunciados como HG3 ainda eram apresentados como Engenheiros do Hawaii.

Capa ampliada do álbum de 1996.

A verdade é que para um produtor anunciar um show dos Engenheiros do Hawaii, banda nacionalmente conhecida era muito mais fácil e rentável que apresentar como Humberto Gessinger Trio, nome absolutamente desconhecido. Reconhecendo que era inviável seguir com o nome da nova banda, Gessinger volta a admitir-se como um Engenheiro do Hawaii. Para que haja alguma diferença entre o HG3 e o "novo" Engenheiros do Hawaii, ele convida Lúcio Dorfmann a assumir os teclados do grupo, configurando um novo som ao grupo, bem próximo ao pop que predominava no mercado musical da época.

O disco Minuano, de 1997, marca a volta dos Engenheiros do Hawaii com este nome. O álbum mescla influências regionalistas, tecnologia e que conta com arranjos de violino que lembram o folk, tornam este o disco mais leve e com a sonoridade mais vaga da banda. Emplaca o sucesso "A Montanha", além de outras belas canções como "Nuvem", "Faz Parte" e "Alucinação", uma cover para uma antiga canção de Belchior.

Capa do álbum de 1997, com a estátua do Laçador.

O disco ainda marcou a saída dos Engenheiros do Hawaii da BMG. A saída se deu com o lançamento de um box em formato de lata, intitulado Infinita Highway, contendo o relançamento de todos os dez discos da banda até então. Todos foram remasterizados, com exceção dos dois últimos (Simples de Coração e Minuano foram gravados já para o formato CD).

¡Tchau Radar!, de 1999, marca a entrada dos Engenheiros para a Universal Music Group e exibe uma maior maturidade do grupo, onde as influências musicais da banda ficam mais evidentes (folk rock, rock 'n roll dos anos 60, rock progressivo e MPB) com belas composições de Gessinger, como "Eu Que Não Amo Você", "Seguir Viagem" e "3 X 4" além de duas covers: "Negro Amor" ("It's All Over Now Baby Blue", de Bob Dylan) e "Cruzada" (de Tavinho Moura e Marcio Borges), esta contando com arranjos de orquestra, como é comum em várias faixas do álbum.

Capa do álbum de 1999.

Bem galera, por aqui encerro esta segunda parte da história dos Engenheiros do Hawaii. Quando uma banda é amada pelo seu público e odiada pelos críticos, o que acontece é o seguinte: muito falatório, tentando explicar o inexplicável, ladainhas que não acabam mais por parte de críticos que gostariam de elaborar uma obra musical, mas nem sempre conseguem. Eu cito uma frase da música do primeiro LP dos Engenheiros, “Toda Forma de Poder”, direcionada diretamente aos críticos de plantão (Não me odeiem por isso!): “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada...”

Por outro lado, os apreciadores e consumidores que gostam da banda, se fartam comprando os produtos que adoram e curtem com prazer. Agora lembrei de um amigo que era (sim, ele já fez a passagem!) um grande admirador dos Engenheiros do Hawaii. Para ele, muito do que está nas letras dos Engenheiros, tem sentido sim, e quem tem experiência, sabe que muito do que ali está escrito, faz sim, parte da vida do ser humano. Ouçam sem moderação!!


Fiquem com mais dos Engenheiros do Hawaii em:



































ROCK GRANDE DO SUL - ENGENHEIROS DO HAWAII - PRIMEIRA PARTE


Salve galera que curte o Blog Opinião do Véio! Muita satisfação em ter vocês aqui para apreciarem os meus comentários. Nesta onda de bandas do sul que resolvi postar, vem a terceira participante do projeto Rock Grande do Sul, uma vez que já falei dos Garotos da Rua e da TNT.

Tive o prazer de conhecer Os Engenheiros do Hawaii em sua primeira formação, quando Humberto ainda tinha os cabelos curtos. No ano de 1988, eu trabalhava em uma rádio FM em minha cidade natal, no Rio Grande do Sul.
Fiquei sabendo que iríamos sonorizar uma banda que estava ficando bastante popular. Saí do meu trabalho, por volta de uma hora da manhã e ganhei carona, pois tinha que levar junto, uma maleta com 70 LPs de minha propriedade, que eu tinha a liberdade de usar em meu horário de trabalho.

Chegando lá, atrasou um pouco a apresentação, para minha sorte. Quando começou o show, era Os Engenheiros do primeiro LP, Longe Demais das Capitais, que eu já conhecia muito bem, pois tocava as músicas deles em meu horário.

Naquele tempo, Humberto quase não falava entre uma música e outra, era muito, muito tímido. Mas o grupo mostrou à que veio e tocou divinamente bem cada música que embalou a noite.




HISTÓRIA

Engenheiros do Hawaii é uma banda brasileira de rock, formada em 1984 na cidade de Porto Alegre por Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Stein (guitarra), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Maltz (bateria) , que alcançou grande popularidade com suas canções líricas e críticas.

Antes de chegarem à sua formação atual, a banda passou por algumas mudanças de formação, sendo Gessinger o último integrante da formação original a permanecer na banda até a "pausa" ocorrida em 2008, por motivos particulares da banda.

TRAJETÓRIA

OS PRIMEIROS ANOS (1984 – 1989)

Quatro estudantes da Faculdade de Arquitetura da UFRGS: Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Stein (guitarra), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Maltz (bateria),  resolveram formar uma banda apenas para uma apresentação em um festival da faculdade, que aconteceria por protesto à paralisação de aulas.

O primeiro show da banda foi em 11 de janeiro de 1985. Escolheram o nome Engenheiros do Hawaii para satirizar os estudantes de engenharia que andavam com bermudas de surfista, com quem tinham uma certa rixa. Começaram a surgir propostas para novos shows e, após, algumas apresentações em palcos alternativos de Porto Alegre juntamente com uma série de shows pelo interior do Rio Grande do Sul.

A banda, em menos de quatro meses de carreira já consegue gravar duas músicas na coletânea Rock Grande do Sul (1985) com diversas bandas gaúchas, em razão de uma das bandas vencedoras do concurso adicionador à coletânea ter desistido da participação do álbum na última hora. Quando a banda seguiu com seus ensaios, durante a greve da faculdade, Carlos Stein realizou uma viagem, o que acabou inviabilizando sua permanência no grupo, e, tempos depois, ele passa a integrar a banda Nenhum de Nós. Meses passaram, e os Engenheiros do Hawaii gravam o seu primeiro álbum: Longe Demais das Capitais, em 1986.

A capa do álbum (LP) de 1986.

O norte musical do disco apontava para um som voltado à música pop, muito próximo ao ska de bandas como o The Police e Os Paralamas do Sucesso. Destacam-se as canções "Toda Forma de Poder", que foi tema das novelas Hipertensão da Rede Globo e Vitória da Rede Record. "Segurança", além de "Sopa de Letrinhas" e "Longe Demais das Capitais".

Antes de começarem as gravações do segundo disco, Marcelo Pitz deixa a banda por motivos pessoais. Com Gessinger assumindo o baixo, entra o guitarrista Augusto Licks, que havia trabalhado com Nei Lisboa, conhecido músico gaúcho. Os Engenheiros lançam o disco A Revolta dos Dândis, em 1987. A banda muda o direcionamento temático, iniciando uma trilogia baseada no rock progressivo, com discos com repetições de temas gráficos e musicais e letras em que ocorre a auto-citação.

A capa do álbum de 1987.

Os arranjos musicais são influenciados pelo rock dos anos 60, as letras são críticas, com ocorrência de várias antíteses e paradoxos e aparecem citações literárias de filósofos, como Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Destaque para os hits "Infinita Highway", "Terra de Gigantes", "Refrão de Bolero" e a faixa título, dividida em duas partes.

Começam os shows para grandes plateias nos centros urbanos do país, como o festival Alternativa Nativa, realizado entre 14 e 17 de junho de 1987. A partir desta data, os Engenheiros encheriam ginásios e estádios pelo Brasil afora. Porém, houve polêmicas e a banda chegou mesmo a ser acusada de elitista e fascista pelo conteúdo de suas letras. As polêmicas se intensificaram quando membros da banda se apresentaram com camisetas estampadas com a Estrela de Davi e a Suástica.

O disco seguinte, Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém, de 1988, pode ser visto como uma continuidade do anterior, tanto pelo trabalho da capa do álbum como pelo tema e estilo de suas canções. Destaque para as músicas "Somos Quem Podemos Ser", "Cidade em Chamas", "Tribos & Tribunais", a faixa-título e "Variações Sobre o Mesmo Tema", esta última uma homenagem à banda Pink Floyd, com sua estética progressiva e dividida em três partes.

A capa do álbum de 1988.

O álbum também marca a saída dos Engenheiros da cidade de Porto Alegre, indo morar no Rio de Janeiro. Consolidada a nova formação, os Engenheiros lançam Alívio Imediato, de 1989, quarto disco da banda e o primeiro registro ao vivo. Suas canções mostram uma retrospectiva de suas principais canções e as novas perspectivas a serem incorporadas, em especial o som mais eletrônico, presente na faixa título e na música "Nau à Deriva", ambas gravadas em estúdio e as demais gravadas ao vivo no Canecão, no Rio de Janeiro.

A capa do álbum de 1989.

Bem galera, por aqui encerro a primeira parte da história dos Engenheiros do Hawaii. Talvez a inteligência das letras da banda tenha trazido um pouco de desconforto aos “limitados cabeça”. Saber apreciar uma boa música e tentar entender seu conteúdo parece não ter sido muito fácil para os “entendidos de plantão”.

Engenheiros não é uma banda de letras simples, pode-se dizer, ao contrário são músicas “cabeça”, para curtir, “viajar” num mundo musical onde as interpretações por parte de quem as ouvem, é a parte fundamental.

Engenheiros, juntamente com Legião Urbana, formam aqueles tipos de bandas que ou os ouvintes têm uma boa cultura literária, artística, de pensamento, ou acabam não entendendo boa parte do que os cantores quiseram dizer. E viva a música boa, com qualidade!!



Fiquem com mais de Engenheiros do HawaII em:




















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