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sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte Final

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio, com esta quinta parte, finalizo a trajetória do camaleão da música, David Bowie. Nesse segmento, relatarei sobre os últimos trabalhos de Bowie, sua morte e seu legado.

BOWIE NEOCLÁSSICO (1999 – 2012)



David Bowie compôs a trilha sonora de Omikron (The Nomad Soul) em 1999, um jogo de computador em que ele e a esposa Iman também aparecem como personagens. 



O álbum “...hours...”, lançado nesse mesmo ano, contendo algumas faixas regravadas do jogo, trazia uma música, “What’s Really Happening”, música de Bowie e Reeves Gabrels, com uma letra escrita pelo vencedor do concurso via internet “Cyber Song Contest”, disponível no site oficial de Bowie. O vencedor foi Alex Grant, fã de David Bowie. Utilizando instrumentos tradicionais e um som pesado, o disco marcou o fim dos experimentos de Bowie com a música eletrônica. Em 2000, ele iniciou um álbum que chamaria-se Toy, com novas versões de algumas de suas músicas do início de sua carreira e mais três inéditas, mas o disco nunca foi lançado.

Em outubro de 2001, Bowie abriu o Concerto Para a Cidade de Nova Iorque, evento de caridade em benefício às vítimas dos ataques de 11 de setembro, com uma versão minimalista e misteriosa da música “America” de Simon & Garfunkel, que seguiu-se com “Heroes”, tocada juntamente com uma banda marcial. Uma vez que o álbum Toy não fora lançado, Visconti continuou trabalhando em estúdio com Bowie e, um ano depois, o resultado das gravações foi um álbum inteiramente de músicas inéditas: Heathen, de 2002. No segundo semestre deste ano, ele realizou a Heathen Tour. Durante esse período, no dia 15 de agosto, nasceu Alexandria Zahra Jones, sua filha com Iman. A turnê visitou cidades europeias e da América do Norte e sua abertura ocorreu em Londres, no Meltdown, festival anual e, por isso, naquele ano, Bowie foi apontado como diretor artístico do evento. Entre os artistas que selecionou para o festival estavam Philip Glass, Television e The Polyphonic Spree. Além de músicas do novo álbum, a turnê também trazia música de Low.


Em 2003, lançou Reality, disco com humor e melancolia, que reflete sobre toda sua carreira e que, na faixa-título, canta: “Acertei, errei / estou de volta ao começo / procurei um sentido e não achei nada / Hey garoto, bem-vindo à realidade”. Em 2004, a Reality Tour o fez viajar pela Europa, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Japão, com um público estimado de 722.000, arrecadando uma quantia superior a qualquer outra turnê deste ano.

Apresentando-se em Oslo, Noruega, foi atingido no olho por um pirulito atirado por um fã e, uma semana depois, enquanto se apresentava no palco do Hurricane Festival em Scheebel, Alemanha, sentiu fortes dores no peito, e a apresentação foi interrompida. Foi diagnosticada uma série obstrução numa artéria e Bowie passou por uma angioplastia de emergência em Hamburgo, também na Alemanha. As 14 apresentações restantes da turnê foram canceladas. Recuperado da cirurgia cardíaca, diminuiu sua produção musical pela primeira vez em muitos anos. Apareceu só de vez em quando nos palcos e nos estúdios. Em 2004, cantou “Changes” num dueto com Butterfly Boucher para o filme de animação Shrek 2.


Durante o ano de 2005, que seguiu-se calmo em sua agenda, gravou vocais em “(She Can) Do That”, escrita com Brian Transeau, para o filme Stealth. Retornou aos palcos em 08 de setembro, junto ao Arcade Fire, num evento transmitido pela televisão nos Estados Unidos chamado Fashion Rocks, e tocou com a banda canadense pela segunda vez uma semana depois, durante o CMJ Music Marathon. Contribuiu com vocais na música “Province” dos TV On The Radio no álbum Return to Cookie Mountain, gravou um comercial da XM Satellite Radio com Snoop Dogg, e participou, com oamigo de longa data, Lou Reed, do álbum No Balance Palace da banda Kashmir.


Bowie foi premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 08 de fevereiro de 2006, que só é concedido a “músicos que, durante suas vidas, deram contribuições criativas de importância excepcional no campo da gravação”. Em abril, anunciou: “Estou dando um tempo a turnês e discos”. Em 29 de maio, porém, fez uma aparição surpresa no show de David Gilmour no Royal Albert Hall, de Londres. O evento foi filmado e, logo em seguida, foi lançada uma seleção das músicas em que ele participou. Sua última apresentação nos palcos se deu em novembro do mesmo ano, quando cantou ao lado de Alicia Keys no Black Hall, evento beneficente de Nova Iorque para a organização Keep a Child Alive.

Em 2007, Bowie foi escolhido para a curadoria do High Line Festival, selecionando músicas e artistas do evento de Manhattan, e participou do álbum de 2008, Anywhere I Lay My Head, de Scarlett Johansson, só de regravações de Tom Waits. Para os 40 anos de aniversário do primeiro pouso na Lua e também para o aniversário de seu primeiro sucesso, “Space Oddity”, a EMI lançou faixas individuais da gravação original da música, em 2009, num concurso que convidava os fãs a criarem um remix. Em 2010 foi lançado, A Reality Tour, álbum duplo/DVD com cenas ao vivo de sua turnê de 2003.                          

ÚLTIMOS ANOS (2013 – 2016)


Em 08 de janeiro de 2013, quando completou sessenta e seis anos, o site oficial de Bowie anunciou um novo projeto, chamado de The Next Day. O trabalho foi lançado em 08 de março na Austrália, 11 de março em quase todo o mundo e 12 de março nos Estados Unidos. Primeiro álbum de Bowie da década, The Next Day continha 14 faixas e várias faixas bônus. Seu portal reconheceu o tamanho do intervalo de sua obra. O produtor Tony Visconti afirmou que 29 músicas foram gravadas para o álbum, e algumas delas apareceriam no disco a ser lançado ainda naquele ano. O anúncio foi seguido pelo lançamento imediato de um single, “Where Are You Now”, escrito e gravado por Bowie em Nova Iorque e produzido pos Visconti, seu parceiro profissional de décadas.

O clipe de “Where Are You Now” foi lançado no Vimeo (site de compartilhamento de vídeo, no qual os usuários podem fazer upload, partilhar e ver vídeos) no mesmo dia, com direção de Tony Oursler, artista nova-iorquino. O single entrou nas paradas britânicas do iTunes poucas horas após o lançamento, e debutando na sexta posição do U.K. Singles Chart, sendo o primeiro single do artista no Top 10 em cerca de vinte anos (o último foi “Jump They Say” em 1993). A segunda produção de áudio e vídeo, “The Stars (Are Out Tonight)”, foi lançada em 25 de fevereiro. Dirigida por Floria Sigismondi, foi estrelado por Bowie e Tilda Swinton como um casal. Em 01 de março, o álbum foi disponibilizado no iTunes. The Next Day estreou na primeira posição da U. K. Albums Chart, melhor posição desde Black Tie White Noise de 1993, se tornando o álbum mais vendido de 2013. Por outro lado, o clipe de “The Next Day” causou controvérsias e chegou a ser removido do YouTube por violar os termos de serviço da plataforma. O vídeo somente voltou ao ar após restringir que somente maiores de dezoito anos pudessem acessar.


Em 2014, foi divulgado o futuro lançamento de uma coletânea, chamada Nothing Has Changed, para novembro. O disco continha hits dos cinquenta anos de carreira do cantor, incluindo o single inédito de “Sue (Or In a Season Of Crime)”, acompanhado por outra inédita, “This a Pitty She As a Whore”. Em maio de 2015, foi anunciado o single “Let’s Dance” seria relançado em vinil em 16 de julho, juntamente com a exposição David Bowie Is no Australian Centre For The Moving Image, em Melbourne.

Em agosto de 2015, foi anunciado que Bowie estaria compondo músicas para um musical da Broadway baseado no desenho animado Sponge Bob, Square Pants (Bob Esponja, Calça Quadrada). David escreveu e gravou a faixa-título da série de televisão The Last Panthers, que foi ao ar em novembro do mesmo ano. Ainda em novembro, a música “Blackstar”, faixa-título do álbum programado para janeiro de 2016, foi lançada como single e videoclipe. O álbum contém influências do krautrock, estilo das bandas alemãs experimentais do final da década de 60 e início de 70, Segundo o The Times: “Blackstar pode ser o trabalho mais triste de Bowie”. E não era para menos. Blackstar foi lançado em 08 de janeiro de 2016, no aniversário de 69 anos de Bowie, e recebeu críticas positivas imediatas.


A MORTE DO CAMALEÃO


Na noite de 10 de janeiro, dois dias após ter completado sessenta e nove anos e o lançamento do álbum Blackstar, Bowie morreu em seu apartamento em Nova Iorque, vítima de câncer de fígado. O músico foi diagnosticado com a doença dezoito meses antes, mas optou por não anunciar seu estado de saúde para o público. O diretor de teatro belga, Ivo van Hove, com quem trabalhou no musical Off-Broadway Lazarus, disse que Bowie evitou assistir os ensaios pelo avanço da doença. Hove observou que Bowie estava trabalhando constantemente desde que soube do diagnóstico.

Tony Visconti, produtor musical de Bowie, disse: “Ele sempre fez o que quis. E ele queria fazer as coisas do jeito dele, e da melhor maneira possível. Sua morte não foi diferente de sua vida, uma obra de arte. Ele fez Blackstar para nós, é o seu presente final. Eu sabia por um ano que isso aconteceria desse jeito. Não estava, entretanto, preparado. Ele era um homem extraordinário, cheio de amor e vida. Ele sempre estará conosco. Por ora, é apropriado chorar”. Bowie foi cremado em Nova Iorque.



DEPOIS DA MORTE DE BOWIE

Após a morte de David Bowie, fãs fizeram homenagens e memoriais. Foram distribuídas flores em um mural de Brixton, sul de Londres, onde o cantor nasceu. A fotografia da capa do álbum Aladdin Sane serviu de ilustração, enquanto fãs cantavam suas músicas. Outras homenagens ocorreram em Nova Iorque, Los Angeles e Berlim.

O produtor Tony Visconti revelou que Bowie planejou o álbum para ser o seu “canto do cisne”, e um presente de despedida para seus fãs antes de morrer. Posteriormente, jornalistas e críticos notaram que a morte é tema constante em várias das letras. A CNN observou que Blackstar “revela um homem de braços abertos com sua própria mortalidade”. Visconti afirmou, mais tarde, que David Bowie planejavam um álbum após o Blackstar. O cantor escreveu e gravou demos de cinco novas músicas em suas últimas semanas de vida, sugerindo que Bowie pensava em ter mais alguns meses de vida. Na semana de sua morte, as vendas e visualizações de clipes e músicas dispararam. Na Vevo’s, Bowie tornou-se o artista mais visualizado em um único dia. Nove álbuns do artista entraram para a U. K. Top 100 Albums Official Charts e trinta singles entraram na U. K. Top 100 Singles Charts.




Bem pessoal, aqui encerro este artigo sobre David 'Bowie' Jones, que será eternamente lembrado por ser um artista emblemático e muito teatral. Suas músicas serão cultuadas e tocadas por aqueles que sabem apreciar música verdadeira, experimental ou não, tetral ou não, visceral e engajadora. Curtam mais de David Bowie em:



































O Camaleão David Bowie - Parte 4

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio. Trago a quarta parte da odisseia do multi-artista David Bowie, agora como um simples coadjuvante na banda Tin Machine e suas experiências com o eletrônico.


TIN MACHINE (1989 – 1991)

Em 1989, Bowie deixou sua carreira solo de lado, atuando como mero coadjuvante e, pela primeira vez, um anônimo dentro de uma banda, como se fora o início de sua carreira, no início, formando grupos. Abanda Tin Machine, um quarteto especializado em hard rock, surgida depois que Bowie trabalhou experimentalmente com o guitarrista Reeves Gabrels. Adicionados à essa dupla, os irmãos Tony Sales (baterista) e Hunt Sales (baixista), dupla que David Bowie conhecia desde a década de 70 por trabalharem juntos em Lust Of Life, disco de Iggy Pop, de 1977, produzido por Bowie.


Querendo que o Tin Machine funcionasse democraticamente, Bowie dominou a banda, tanto nas composições como na tomada de decisões importantes. O disco de estreia, Tin Machine (1989), inicialmente teve popularidade, apesar de suas letras politizadas não terem agradado a todos. Segundo Bowie, uma de suas músicas foi descrita, na época, como “simplista, ingênua e radical, desistindo de falar sobre o aparecimento de neo-nazistas”. Na visão do biógrafo Christopher Sanford, o disco “teve coragem de denunciar drogas, fascismo e televisão”. A gravadora EMI reclamou das “letras pregativas”, da falta de produção e da abundância de minimalidade. De qualquer forma, o disco alcançou a terceira posição no Reino Unido.

A primeira turnê mundial do Tin Machine foi um sucesso comercial, embora críticos e fãs relutassem muito em aceitar as apresentações de Bowie como um simples membro da banda. Uma série de músicas e singles fracassaram e, após um desentendimento com a EMI, Bowie decidiu por largar a gravadora. Assim como a imprensa e o público, cada vez mais ele estava descontente com seu papel de simples integrante de uma banda. O Tin Machine começou a trabalhar num segundo álbum, porém concordaram em esperar mais um tempo e, nessa espera, Bowie deu um rápido retorno à carreira solo.

Na Sound+Vision Tour, tocando seus primeiros e maiores sucessos, anteriores ao disco Tonight, durante sete meses, alcançou novo sucesso comercial e novamente reconhecimento da crítica. Essa turnê contou com suas primeiras apresentações na América do Sul, entre elas o Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina.

As fotos da capa: a que saiu e a que era para ser de bom gosto.

Dez anos após seu divórcio com Angela, Bowie conheceu, em 1990, a modelo somali (tribo africana) Iman Abdulmajid, através de um amigo em comum. Dois anos depois eles se casaram. 
David Bowie e Iman
Ainda em 1991, após a bem-sucedida turnê solo de Bowie, o Tin Machine voltou a trabalhar. Porém, a crítica e o público, que já estavam decepcionados com o primeiro álbum do grupo, não mostrou muito interesse por um segundo disco. O lançamento de Tin Machine II ficou marcado por uma enorme divulgação e uma polêmica inoportuna por causa de sua capa. Após a produção ter começado, a nova gravadora, Victory, repensou no lançamento da capa com os quatro integrantes da banda, nus em formato de estátuas, que eram para ser “num gosto requintado”, segundo Bowie, tornou-se um prato cheio para a mídia, que dizia ser “algo obsceno”. Por fim, foi feito uma forma de “remendo” fotográfico a fim de tornar as figuras assexuadas. O Tin Machine excursionou novamente, porém, após o álbum ao vivo Tin Machine Live: Ou Vey, Baby, fracassou comercialmente, e a banda se separou e Bowie, embora continuasse a colaborar com Gabrels, retornou para sua carreira solo.     
                            

BOWIE ELETRÔNICO (1992 – 1999)

Em abril de 1992, Bowie participou do Concerto em Tributo à Freddie Mercury, após a morte do vocalista do Queen no ano anterior. Cantou “Heroes” e “All The Young Dudes”, esta última junto com Ian Hunter, vocalista do Mott The Hoople, não podendo deixar de cantar “Under Pressure”, em que foi acompanhado por Annie Lennox, que cantou a parte de Freddie Mercury na música. Quatro anos depois, Bowie e Iman estavam casados na Suíça. Com a intenção de se mudarem para Los Angeles, o casal foi até os Estados Unidos para procurar um imóvel para morar, mas tiveram que permanecer no hotel, sob toque de recolher, por causa dos Distúrbios de Los Angeles de 1992 (aquele em que os jurados, todos brancos, absolveram os policiais por terem assassinado um jovem negro, Rodney King). As manifestações começaram bem no dia em que eles chegaram à cidade, fazendo com que o casal fosse se estabelecer em Nova Iorque.


Em 1993, o lançamento de Black Tie White Noise trouxe um Bowie influenciado em hip-hop, jazz e soul. O álbum, que novamente o reuniu com o produtor de Let’s Dance, Nile Rodgers, fazia uso constante de instrumentos eletrônicos e confirmou seu retorno à popularidade, chegando ao primeiro lugar nas paradas britânicas e fazendo sucesso com a música “Jump They Say”. Al B. Sure participou na faixa título. Este álbum também contou com a participação de seu antigo colega da era Ziggy Stardust, Mick Ronson, que morreu de câncer no final de 93. Bowie explorou novas direções em The Buddha Of Suburbia, trilha sonora composta para uma série televisiva adaptada livremente do livro The Buddha Of Suburbia (1900) de Hanif Hureishi. O disco trazia alguns dos novos elementos introduzidos no Black Tie White Noise, e também anunciava uma mudança para o rock alternativo. O disco foi bem recebido pela crítica, embora não alcançasse muito sucesso comercial, atingindo a 87ª posição nas paradas do Reino Unido.


O álbum Outside, de 1995, reuniu Bowie novamente com Brian Eno, e foi gerado como o primeiro volume de uma narrativa sem sentido óbvio sobre arte e assassinato. Apresentando personagens de um conto escrito pelo artista, o álbum conseguiu sucesso nas paradas britânica e americanas. Bowie escolheu a banda Nine Inch Nails como sua parceria para a Outside Tour, e recebeu, por isso, recepções mistas. Visitaram cidades da Europa e da América do Norte, entre setembro de 1995 e fevereiro de 1996 e esta turnê registrou o retorno de Gabrels como guitarrista principal de Bowie.


Em janeiro de 1997, David Bowie entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame. Nesse mesmo ano, Bowie lançou o álbum Earthling, onde misturou elementos do jungle britânico e do drum and bass. Foi um sucesso comercial e de crítica. A música “I’m Affraid Of Americans”, escrita com Brian Eno para o filme Showgirls de Paul Verhoeven, foi regravada no álbum, remixada para ser lançada como single. Esse trabalho ficou por conta do multi-instrumentista Trent Reznor (famoso por sua banda Nine Inch Nails), que além de produzir, fez backing vocals na música. O vídeo clipe, do qual Reznor também participava, foi tão exibido na televisão, que fez com que a música ficasse 16 semanas na Billboard Hot 100 americana. Em 1998, Bowie reuniu-se com Tony Visconti, produtor musical e gravou a música “(Safe In This) Sky Life” para o filme Rugrats, mas a faixa foi cortada na edição final. Mais tarde, ela foi regravada e saiu como “Safe” no lado B do single de 2002 “Everyone Says ‘Hi’”. Ainda em 1998, Bowie disse gostar muito da música “Without You I’m Nothing” do Placebo. Resultado: foram adicionados os vocais de Bowie e a versão, também produzida por Tony Visconti,  saiu como single. Também em 1998, Bowie gravou “A Foggy Day (In London Town)” com Angelo Badalamenti, tributo a George Gershwin, no intuito de arrecadar dinheiro para várias instituições de caridade dedicadas na conscientização e no combate à AIDS.

Bem pessoal, volto logo para concluir a longa e bela carreira do camaleão David Bowie. Curtam mais de Bowie em:


























































O Camaleão David Bowie - Parte 3

Salve galera que curte o blog. Estou aqui, após um pequeno intervalo, para postar a terceira parte do camaleão David Bowie. Neste período ele morou na Alemanha, criou uma trilogia admirada até hoje e ... vejam o restante, acompanhando a história desse multi-artista. 

O Período em Berlim (1976 – 1979)

Bowie mudou-se para a Suiça em 1976, comprou um chalé em uma montanha
ao norte do Lago de Genebra. Na nova residência, sua dependência pela cocaína cresceu, além disso, quis aventurar-se em atividades fora da musica. Começou a pintar e produziu uma série de quadros pós-modernistas. Na turnê, costumava desenhar nun caderno e fotografar cenas que serviriam de referência futura. Ao visitar o Bruücke Museum em Berlim e outras galerias em Genebra, Bowie se transformou, nas palavras do biógrafo Christopher Sandford “num profílico pintor e colecionador de arte contemporânea... Mas não somente um famoso patrono da arte expressionista. Trancafiado em Clos des Mésanges, iniciou um , curso intensivo de auto-aperfeiçoamento em música clássica e literatura, e começou a trabalhar numa autobiografia”. Tais aperfeiçoamentos só viriam a enriquecer seu trabalho de estúdio e palco.

O ano de 1976 ainda não havia terminado quando seu interesse pela cena musical da Alemanha e seu vício em drogas o levaram a mudar-se para a Berlim Ocidental, no intuito de renovar e revigorar sua carreira musical. Trabalhando com Brian Eno, enquanto dividia um apartamento em Schöneberg com o mais novo amigo Iggy Pop, concentrou-se na música minimalista e ambiental em seus três próximos álbuns, co-produzidos com Tony Visconti, que vieram a ser conhecidos como sua Trilogia de Berlim.


Nessa época, Iggy Pop lançou seu primeiro álbum solo sem os Stooges, chamado The Idiot, e, mais tarde, Lust Of Life, ambos de 1977, com contribuições de Bowie em melodias e letras, realizando turnês pela Europa, Reino Unido e Estados Unidos em março e abril de 1977. O disco Low (1977), parcialmente influenciado pelo som do Kraftwerk e do Neu!, evidenciou um afastamento de composições para um estilo mais abstrato, em que as letras eram esporádicas e opcionais. Na época do lançamento, ele recebeu críticas negativas por isso, e a própria gravadora, a RCA, preocupada em manter sua dinâmica comercial, não aprovou o álbum, e o ex-empresário de Bowie, Tony DeFries, embora ainda mantivesse um significante interesse financeiro nos assuntos do cantor, tentou se prevenir desse fracasso. Apesar desses pressentimentos preliminares, a música “Sound And Vision” alcançou a terceira posição no U.K. Chart. O sucesso levou Philip Glass, compositor contemporâneo, descrever o disco como “uma obra de gênio” em 1992, quando se baseou nele para sua “Symphony Nº 1”(posteriormente, Glass também usaria o próximo álbum de base para sua “Symphony Nº 4, “Heroes”). Não demorou para que notassem o talento de Bowie em criar músicas complexas que pareciam simples.


O segundo disco da trilogia, “Heroes” (1977), refletiu a abordagem instrumental e minimalista de Low e também incorporou elementos do pop e do rock, além de contar com a contribuição do guitarrista Robert Fripp. Assim como o álbum anterior, Heroes evidenciou o espírito da época da Guerra Fria, simbolizada por uma Alemanha dividida pelo Muro de Berlim. Neste novo trabalho, Bowie incorporou sons ambientes de uma variedade de fontes, incluindo geradores de ruídos, sintetizadores e o koto, instrumento japonês, e alcançou o sucesso, pois ele atingiu a terceira posição no Reino Unido. Sua faixa-título, baseada no amor incondicional de dois amantes dos lados opostos do Muro de Berlim, que Bowie via se unirem diariamente, embora tenha alcançado somente a 24ª posição nas paradas britânicas, ganhou popularidade tardia duradoura, e em poucos meses, foi lançada em alemão e francês. No final daquele ano, Bowie a cantou no programa de televisão Marc, apresentado pelo colega Marc Bolan, e dois dias depois para o especial de Natal de Bing Crosby, quando juntou-se a ele em “Peace On Earth / Little Drummer Boy”, versão de “The Little Drummer Boy” com um novo e contrapontual verso. Cinco anos depois, o dueto gozaria de fama mundial ao alcançar a terceira posição nas paradas britânicas no Natal de 1982.




Terminado Low “Heroes” Bowie ocupou grande parte de 1978 a trabalhar na Isolar II, levando músicas dos dois primeiros álbuns da trilogia para quase um milhão de pessoas, durante 70 apresentações ao vivo em 12 países. Naquele momento, o artista havia parado com seu vício em drogas, como descreve David Buckley, a Isolar II foi “sua primeira turnê durante cinco anos em que ele não se anestesiou com grandes quantidades de cocaína antes de subir no palco...Sem o esquecimento que as drogas lhe traziam, estava com uma condição mental suficientemente saudável para fazer novos amigos”. A turnê foi filmada e seu lançamento coincidiu com o lançamento, no mesmo ano, do disco Stage, seu segundo álbum ao vivo.


Lodger (1979), terceiro e último álbum daquilo que Bowie chamaria de Trilogia de Berlim, passou longe da atmosfera ambiental e minimalista dos outros dois e trouxe uma levada que nos remete às baterias e às guitarra do rock e do pop que fizeram parte de sua carreira anterior à estadia em Berlim. O resultado foi uma mistura complexa de new wave e world music. Algumas das faixas, como “Boys Keep Swinging”, “Move On” e “Red Money”, foram compostas utilizando as cartas das Estratégias Oblíquas de Eno. O álbum havia sido gravado na Suiça. Antes de seu lançamento, Mel Ilberman da RCA declarou: “Não seria justo chamar o disco de o Seargent Pepper de Bowie... um álbum conceitual que retrata o Inquilino (Lodger) como um andarilho sem teto, evitado e vitimado pelas pressões da vida e da tecnologia”. Como descreve o biógrafo Christopher Sanford, “A gravação coincidiu com várias esperanças frustradas, e com a produção, que significava o fim da parceria de 15 anos com Eno”. Lodger chegou à quarta posição nas paradas britânicas e na vigésima nos Estados Unidos, rendendo os singles “Boys Keep Swinging” e “DJ”. No final de 1979, Bowie e Angela iniciaram o processo de divórcio, e, após meses de disputas judiciais, seu casamento terminou no início de 1980.


DE SUPERSTAR A MEGASTAR (1980 – 1989)


Em 1980, foi lançado o álbum Scary Monsters (And Super Creeps), trazendo a música “Ashes To Ashes”, que alcançou o primeiro lugar nas paradas. A música revisitava o personagem Major Tom de “Space Oddity”. O videoclipe da música foi um dos mais caros e também um dos mais inovadores de todos os tempos. Embora esse disco utilizasse princípios estabelecidos pela trilogia de Berlim, foi considerado pelos críticos como muito mais direto musical e liricamente. Ele teve contribuições de guitarristas como Robert Fripp, Pete Townshend, Chuck Hammer e Tom Verlaine. Com “Ashes To Ashes” atingindo o topo das paradas britânicas, Bowie abriu uma apresentação de três meses no Teatro Broadway em 24 de setembro, estrelando na peça O Homem Elefante.
Em 1981, Bowie encontrou-se com o grupo Queen na Suíça e ambos realizaram um single, “Under Pressure”, retratando a pressão social. O dueto foi um sucesso e tornou-se o terceiro single de sua carreira a atingir a primeira posição nas paradas britânicas. “Under Pressure surgiu por acaso, David veio até nós para estudar... começou a mexer com algo e tudo correu muito espontaneamente e rapidamente. Foi um verdadeiro prazer trabalhar com ele, tem um tremendo talento”, disse Freddie Mercury.

Ainda no mesmo ano, ele fez uma aparição no filme alemão Christiane F., uma história baseada em fatos reais sobre uma adolescente viciada em drogas na Berlim da década de 70. A trilha sonora, construída principalmente por músicas já escritas anteriormente por Bowie, foi lançada como Christiane F. meses depois. Bowie interpretou o papel principal de uma adaptação televisiva de 1981 da peça Baal de Bertolt Brecht. Coincidindo com essa transmissão, foi lançado um Extended Play (E.P.) com cinco faixas da peça, todas gravadas em Berlim. Em março de 1982, um mês antes do filme Cat People de Paul Schrader ser lançado, a música de Bowie de mesmo nome, “Cat People”, saiu como single, alcançando sucesso em pouquíssimo tempo nos Estados Unidos e entando no U. K. Top 30.


Bowie atingiu novo pico de popularidade e sucesso comercial em 1983 com o disco Let’s Dance, que também o fez cativar uma nova leva de seguidores. Co-produzido por Nile Rodgers, da banda Chic, o álbum ganhou disco de platina no Reino Unido e nos Estados Unidos. Seus três singles principais tornaram-se um dos vinte maiores sucessos de ambos os países, e sua faixa-título alcançou a primeira posição. “Modern Love” e “China Girl” alcançaram a segunda posição no Reino Unido, e geraram dois aclamados vídeos promocionais que, como escreve o biógrafo David Buckley, “foram totalmente absorventes e ativaram arquétipos fundamentais no mundo pop”. O videoclipe para “Let’s Dance”, com sua narrativa em torno do jovem casal de aborígenes, tinha como público alvo a juventude, já “China Girl”, com uma cena (que depois foi parcialmente censurada) de um namoro nu na praia (Homenagem ao filme A Um Passo da Eternidade), foi sexualmente provocante o bastante para que garantisse sua alta frequência na MTV. Em 1983, Bowie surgia como um dos artistas de videoclipes mais importantes da época. “Let’s Dance” seguiu-se com uma turnê mundial chamada Serious Moonlight Tour, durante a qual Bowie recebia contribuições de Earl Slick na guitarra e Frank e George Simms no backing vocal. A viagem musical durou seis meses e foi extremamente popular.

O disco Tonight (1984), outro álbum dançante, trouxe Tina Turner cantando 
com Bowie na faixa-título, que foi escrita com o amigo Iggy Pop. O disco também trazia covers, como o sucesso de 1966 “God Only Knows” dos Beach Boys, e a música “Blue Jean”, baseada no curta-metragem Jazzin’ For Blue Jean, garantiu a Bowie o Grammy Award For Best Short Form Music Video. Em 1985, ele se apresentou no Estádio de Wembley para o Live Aid, uma série de concertos com músicos famosos e aclamados da época, na tentativa de arrecadar fundos contra a fome na Etiópia. Durante o evento, Bowie gravou um videoclipe com Mick Jagger, em que cantam e dançam juntos a música “Dancing In The Street”, sucesso de 1964 na voz de Martha And The Vandellas, e que deu ao dueto a primeira posição nas paradas. No mesmo ano, Bowie juntou-se ao Pat Metheny Group na gravação de “This Is Not America” para a trilha sonora do filme The Falcon And The Snowman. Lançada como single, a música tornou-se um dos 40 sucessos das paradas britânicas e americanas.


Em 1986, deram um papel à Bowie no filme Absolute Beginners, que foi mal recebido pelos críticos, mas que sustentou-se pela música-tema, escrita por David Bowie, também chamada “Absolute Beginners” e que alcançou o segundo lugar nas paradas britânicas. No mesmo ano, o filme Labirinto estreia e Bowie, que compôs e cantou cinco músicas para o filme, também atuou como a personagem Jareth, o que lhe garantiu extrema popularidade. 


Seu último disco solo da década foi Never Let Me Down de 1987, em que ele abandona a levada de seus dois álbuns anteriores e oferece um rock pesado com uma mistura de Techno e industrial. Embora tenha sido um relativo fracasso, atingiu a sexta posição nas paradas britânicas e rendeu os singles “Day-In Day-Out”, “Time Will Crawl” e “Never Let Me Down”. Tempos depois Bowie o descreveria como seu ¿¿¿”nadir”¿¿¿¿ e o chamaria de um “álbum ruim”. A série de 86 concertos chamada de Glass Spider Tour  surgiu nessa época, em 20 de maio, com o intuito de divulgar o disco. Na guitarra principal, a banda contava com Peter Frampton. Os críticos difamaram a turnê, dizendo que, se comparada às tendências contemporâneas da música de arena e estádio, seus efeitos especiais e suas danças a tornavam demasiadamente cansativa.

Bem pessoal, esta é a terceira parte de cinco partes da vida de David Bowie, onde ficamos sabendo um pouco mais sobre sua vida e sua carreira. Espero que estejam gostando, pois eu que conhecia um pouco da vida de Bowie, descobri preciosidades até então desconhecidas por mim. Saibam um pouco mais de Bowie em:






























































domingo, 10 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte 2

Olá galera que curte o Blog do Véio! Eu disse que seria rápido a postagem da segunda parte do Camaleão. Nessa fase, pesadíssima, diga-se de passagem, o camaleão flertou com drogas pesadas e ... Leiam e vejam como ele enfrentou essa fase.


Ziggy Stardust

Em sua tentativa musical seguinte, Bowie desafiou, nas palavras do biógrafo David Buckey, “a crença central da música rock de sua época” e “criou, provavelmente, o maior culto da cultura popular”. Vestido com um traje notável, seus cabelos tingidos de vermelho, e o rosto e os lábios fortemente maquiados, Bowie inaugurou a apresentação de Ziggy Stardust com a banda The Spiders From Mars, Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, num pub chamado Toby Jug, em Tolworth, em 10 de fevereiro de 1972.

A apresentação foi um sucesso e o levou ao estrelato. Ziggy And The Spiders
From Mars viajaram pelo Reino Unido ao longo dos próximos seis meses e disseminaram um “culto a Bowie” que “era único, sua influência durou mais tempo e tem sido mais criativa do que talvez quase todas as forças dentro da cultura pop”.Combinando elementos do hard rock de The Man Who Sold The World com o rock mais leve e experimental de Hunky Dory, o disco The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) foi lançado em junho. “Starman”, divulgada como a música principal do álbum, fez com que o Reino Unido focasse todos seus olhos em Bowie. Ambos, o single e o LP atingiram o topo rapidamente após sua performance da música ser apresentada em julho no Top Of The Pops. O álbum, que permaneceria nas paradas por dois anos, logo se juntou ao Hunky Dory, que agora fazia seis meses de idade. Ao mesmo tempo, as músicas “John, I’m Only Dancing” e “All The Young Dudes”, escritas e produzidas para Mott The Hoople, tornaram-se sucesso em seu país de origem. A Ziggy Stardust Tour continuou pelos Estados Unidos.

David Bowie contribuiu com back vocals no álbum solo Transformer (1972) de

Lou Reed, co-produzindo o disco com Mick Ronson. O álbum Aladdin Sane (1973), que ainda trazia o glam rock à tona, atingiu o primeiro lugar no Reino Unido, tornando-se seu primeiro álbum a alcançar tal posição. Descrito pelo próprio Bowie como “Ziggy vai à America”, contém músicas que ele escreveu durante a viagem aos Estados Unidos, que depois continuou pelo Japão para promover o novo álbum de 1973. Aladdin Sane foi o primeiro álbum de Bowie realizado quando ele já era, de certa forma, conhecido como pop star, e trouxe outros sucessos, como “The Jean Genie”, “Drive-In Saturday” e “Let’s Spend The Night Together”, cover dos Rolling Stones.


Seu amor em atuar o fez emergir em personagens criados para suas músicas. “Fora dos palcos sou um robô. No palco eu adquiro emoção. Provavelmente por isso que prefiro vestir-me como Ziggy do que como David”. Porém, com a satisfação, vieram graves dificuldades pessoais: atuando como a mesma pessoa por um longo período, tornou-se impossível separar Ziggy Stardust e, mais tarde, o Thin White Duke de sua própria pessoa nos bastidores. Ziggy/Bowie disse certa vez: “não me deixava sozinho durante anos. Foi quando tudo começou a azedar... Minha própria personalidade como um todo havia sido afetada. Tornou-se muito perigoso. Eu realmente tinha dúvidas sobre minha própria sanidade”.

Suas apresentações tardias como Ziggy, que incluíam músicas do disco Ziggy Stardust bem como do Aladdin Sane, eram ultrateatrais, muitas vezes utilizando elementos da mímica aprendida antes com Lindsay Kemp, e cheias de momentos chocantes, em cenas nas quais Bowie simulava um sexo oral na
O "famoso" sexo oral com a guitarra.
guitarra de um Mick Ronson elétrico. David Bowie viajou e deu conferências de imprensa como Ziggy antes de uma abrupta e dramática “aposentadoria” dos palcos no Hammersmith Odeon, Londres, em 03 de julho de 1973. Foram realizadas filmagens desse evento final e histórico, e lançadas em 1983 como Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, dirigido por D. A. Pennebaker.

Depois de romper a união bem-sucedida com os Spiders From Mars, Bowie tentou deixar Ziggy para trás. Seu catálogo anterior aos sucessos de 1972 estavam sendo cada vez mais requisitados: The Man Who Sold The World foi relançado em 1972, junto com Space Oddity. “Life On Mars”, de Hunky Dory, é lançado em junho de 1973 e chegou à terceira posição na U.K. Singles Chart. Em setembro do mesmo ano, “The Laughing Gnome”, gravado originalmente em 1967, atingiria a quarta posição. Pin Ups, coleção de covers de suas músicas
preferidas da década de 60, foi lançado em outubro de 1973, e trouxe o hit “Sorrow”, que alcançou a primeira posição, dando a Bowie o crédito de artista mais vendido no Reino Unido em 1973. Também cresceram a vendagem de seus álbuns anteriores, que chegaram, juntos à sexta posição no U. K. Chart.

Soul, Funk e o Thin White Duke (1974 – 1976)

Bowie mudou-se para os Estados Unidos em 1974, hospedando-se em Nova Iorque antes de se estabelecer em Los Angeles. Diamond Dogs (1974),
álbum que o encontrou dividido entre o funk e o soul, derivou-se de duas ideias distintas: um musical baseado num futuro selvagem e sediado numa cidade pós-apocalíptica e a tarefa de musicar o livro 1984 de George Orwell. O disco alcançou a primeira posição no Reino Unido e a quinta nos Estados Unidos, gerando os sucessos “Rebel Rebel” e “Diamond Dogs”. Para promove-lo, Bowie lançou a Diamond Dogs Tour, visitando cidades da América do Norte entre junho e dezembro de 1974.

Com coreografias de Toni Basil, e ricamente produzido com elementos teatrais e efeitos especiais, a produção de alto orçamento foi filmada por Alan Yentob. O resultado dessas imagens foi o documentário Cracked Actor, apresentando um Bowie pálido e magérrimo: de fato, a turnê coincidiu com o fato do cantor em usar constantes doses de cocaína, que o afetou com debilidades físicas graves, paranoias e problemas emocionais. Mais tarde Bowie comentaria que

seu primeiro álbum ao vivo, David Live (David ao vivo, em  1974), deveria se chamar “David Bowie Está Vivo e Bem e Vivendo Apenas na Teoria”. David Live, no entanto, solidificou seu status de superstar, e alcançou a segunda posição no Reino Unido e a oitava nos Estados Unidos. Depois de uma curta pausa na Filadélfia, onde David Bowie também gravou novo material, a turnê recomeçou com um novo destaque para a música soul.


O fruto dessas sessões de gravação na Filadélfia foi o disco Young Americans (1975). O biógrafo Christopher Sandford comenta: “Ao longo dos
anos, a maioria dos roqueiros britânicos tentaram, de uma forma ou outra, tornarem-se negros por extensão. Poucos tinham se sucedido tão bem como David Bowie”. A levada do álbum, que o cantor chamou de plastic soul, constituiu uma mudança radical no estilo, que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos do Reino Unido. Young Americans trouxe a primeira música de Bowie a atingir a primeira posição nos Estados Unidos, “Fame”, escrita juntamente com John Lennon, que também contribuiu com backing vocals, e Carlos Alomar. Distinguindo-se como um dos primeiros artistas brancos a aparecer no programa de variedades americano Soul Train, Bowie cantou “Fame” e “Golden Years”, seu single de outubro. O disco foi um sucesso comercial nos estados Unidos e no Reino Unido e, aproveitando tal prestígio, as gravadoras relançaram “Space Oddity” de 1969, que veio a ser a primeira música do artista a atingir a primeira posição no Reino Unido, meses depois de “Fame” alcançar o mesmo nos Estados Unidos.

Embora seu estrelato nessa época estivesse melhor estabelecido, Bowie só existia essencialmente quando podia mudar e surpreender, mesmo com as vendas estabelecidas de suas gravações (na época, mais de um milhão de cópias só do álbum Ziggy Stardust). Em 1975, ecoando o desentendimento amargo que teve com Kein Pitt cinco anos antes, Bowie demitiu seu novo empresário. No auge do conflito que se seguiu em meses de duração na justiça, assistiu, como descreve o biógrafo Christopher Sanford, “milhões de dólares de seus ganhos futuros serem entregues a DeFries em termos excepcionalmente generosos”, e então “trancafiou-se na West 20th Street, onde por uma semana seus gritos podiam ser ouvidos através da porta do sótão trancado. “Michael Lippman, seu advogado durante as negociações, tornou-se também seu mais novo empresário. Lippman, por sua vez, receberia uma compensação significativa depois de também ser demitido por Bowie, no ano seguinte.

Station to Station (1976) apresentava uma nova persona, o “Thin White Duke” do título principal. Visualmente, era uma extensão de Thomas Jerome
Newton, o extraterrestre que ele retratou no filme The Man Who Fell to Earth do mesmo ano. Desenvolvendo o funk e o soul de Young Americans, este novo disco também sintetizaria a música de seus próximos lançamentos. Trazia um Bowie interessado em misticismo e na Cabala. Sua dependência tóxica tornou-se pública quando Bowie foi entrevistado por Russel Harty no programa London Weekend Television, numa antecipação da turnê do álbum. Pouco antes da entrevista propagada via satélite começar, era anunciada a morte do ditador espanhol General Franco. Pediram para que Bowie abandonasse a reserva do satélite a fim de que permitisse que o governo espanhol transmitisse notícias sobre o ocorrido. Recusou-se a fazê-lo, e sua entrevista continuou. Na conversa em que se seguiu, conforme descrito pelo biógrafo David Buckley, “o cantor não deu nenhum sentido àquela que foi uma entrevista bastante extensa. Bowie parecia completamente desconexo e mal conseguia pronunciar uma frase coerente”. Sua sanidade tornou-se distorcida pela cocaína e ele sofreu overdoses durante todo o ano, além de emagrecer fisicamente de maneira alarmante.

O lançamento de Station to Station aconteceu em janeiro de 1976 e foi seguido em fevereiro por uma turnê de três anos e meio pela Europa e America do Norte. Apresentando todas as faixas do disco, a Isolar – 1976 Tour, também destacou as músicas do álbum, incluindo a dramática e longa “Station to Station”, faixa-título do álbum e as baladas “Wild Is The Wind” e “Word On a Wing”, além dos funks “TVC 15” e “Stay”.

A banda que tocou no disco e na turnê era formada pelo guitarrista Carlos Alomar, do baixista George Murray e do baterista Dennis Davis, que continuariam como unidade estável e criativa pelos próximos anos da década. A turnê foi bem sucedida, mas foi cercada por controvérsias políticas. Em Estocolmo, foi creditada a Bowie a frase de que “a Grã-Bretanha poderia beneficiar-se de um líder fascista” e posteriormente ele foi preso pela alfândega na fronteira Rússia-Polônia por posse de parafernálias nazistas.

Nessa época, também ocorreu o “incidente da Estação Victoria”. O que foi
isso: chegando num conversível Mercedes-Benz, Bowie acenou para a multidão em um gesto que alguns alegaram ter sido a saudação nazista, e cuja fotografia foi tirada e publicada na News Musical Express. Bowie afirmou tempos depois que o fotógrafo simplesmente havia o pegado acenando, declaração apoiada pelo então jovem Gary Numan, que estava entre a multidão naquele dia. “Pense nisso: se um fotógrafo tira uma foto de alguém acenando, você vai ter uma saudação nazi no final do movimento de cada braço. Tudo que você precisa é algum idiota num jornal de música ou algo do tipo para fazer uma matéria sobre isso...”. 


Mais tarde, o músico também se arrependeu por seus comentários pró-fascismo e seu comportamento durante o período de vícios e do caráter do Thin White Duke. Disse: “Eu estava fora da minha mente, totalmente enlouquecido. As únicas coisas das quais eu estava ligado eram mitologia... aquela coisa toda sobre Hitler e o Direitismo... Eu descobri o Rei Artur...”. De acordo com o dramaturgo Alan Franks, escrevendo mais tarde no The Times, “ele realmente estava demente” e teve experiências muito ruins com drogas pesadas.

Bem por enquanto era isso. Na próxima postagem, a terceira parte da vida do camaleão David Bowie. Até lá e, fiquem com mais de Bowie em:


















































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