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domingo, 10 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte 2

Olá galera que curte o Blog do Véio! Eu disse que seria rápido a postagem da segunda parte do Camaleão. Nessa fase, pesadíssima, diga-se de passagem, o camaleão flertou com drogas pesadas e ... Leiam e vejam como ele enfrentou essa fase.


Ziggy Stardust

Em sua tentativa musical seguinte, Bowie desafiou, nas palavras do biógrafo David Buckey, “a crença central da música rock de sua época” e “criou, provavelmente, o maior culto da cultura popular”. Vestido com um traje notável, seus cabelos tingidos de vermelho, e o rosto e os lábios fortemente maquiados, Bowie inaugurou a apresentação de Ziggy Stardust com a banda The Spiders From Mars, Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, num pub chamado Toby Jug, em Tolworth, em 10 de fevereiro de 1972.

A apresentação foi um sucesso e o levou ao estrelato. Ziggy And The Spiders
From Mars viajaram pelo Reino Unido ao longo dos próximos seis meses e disseminaram um “culto a Bowie” que “era único, sua influência durou mais tempo e tem sido mais criativa do que talvez quase todas as forças dentro da cultura pop”.Combinando elementos do hard rock de The Man Who Sold The World com o rock mais leve e experimental de Hunky Dory, o disco The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) foi lançado em junho. “Starman”, divulgada como a música principal do álbum, fez com que o Reino Unido focasse todos seus olhos em Bowie. Ambos, o single e o LP atingiram o topo rapidamente após sua performance da música ser apresentada em julho no Top Of The Pops. O álbum, que permaneceria nas paradas por dois anos, logo se juntou ao Hunky Dory, que agora fazia seis meses de idade. Ao mesmo tempo, as músicas “John, I’m Only Dancing” e “All The Young Dudes”, escritas e produzidas para Mott The Hoople, tornaram-se sucesso em seu país de origem. A Ziggy Stardust Tour continuou pelos Estados Unidos.

David Bowie contribuiu com back vocals no álbum solo Transformer (1972) de

Lou Reed, co-produzindo o disco com Mick Ronson. O álbum Aladdin Sane (1973), que ainda trazia o glam rock à tona, atingiu o primeiro lugar no Reino Unido, tornando-se seu primeiro álbum a alcançar tal posição. Descrito pelo próprio Bowie como “Ziggy vai à America”, contém músicas que ele escreveu durante a viagem aos Estados Unidos, que depois continuou pelo Japão para promover o novo álbum de 1973. Aladdin Sane foi o primeiro álbum de Bowie realizado quando ele já era, de certa forma, conhecido como pop star, e trouxe outros sucessos, como “The Jean Genie”, “Drive-In Saturday” e “Let’s Spend The Night Together”, cover dos Rolling Stones.


Seu amor em atuar o fez emergir em personagens criados para suas músicas. “Fora dos palcos sou um robô. No palco eu adquiro emoção. Provavelmente por isso que prefiro vestir-me como Ziggy do que como David”. Porém, com a satisfação, vieram graves dificuldades pessoais: atuando como a mesma pessoa por um longo período, tornou-se impossível separar Ziggy Stardust e, mais tarde, o Thin White Duke de sua própria pessoa nos bastidores. Ziggy/Bowie disse certa vez: “não me deixava sozinho durante anos. Foi quando tudo começou a azedar... Minha própria personalidade como um todo havia sido afetada. Tornou-se muito perigoso. Eu realmente tinha dúvidas sobre minha própria sanidade”.

Suas apresentações tardias como Ziggy, que incluíam músicas do disco Ziggy Stardust bem como do Aladdin Sane, eram ultrateatrais, muitas vezes utilizando elementos da mímica aprendida antes com Lindsay Kemp, e cheias de momentos chocantes, em cenas nas quais Bowie simulava um sexo oral na
O "famoso" sexo oral com a guitarra.
guitarra de um Mick Ronson elétrico. David Bowie viajou e deu conferências de imprensa como Ziggy antes de uma abrupta e dramática “aposentadoria” dos palcos no Hammersmith Odeon, Londres, em 03 de julho de 1973. Foram realizadas filmagens desse evento final e histórico, e lançadas em 1983 como Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, dirigido por D. A. Pennebaker.

Depois de romper a união bem-sucedida com os Spiders From Mars, Bowie tentou deixar Ziggy para trás. Seu catálogo anterior aos sucessos de 1972 estavam sendo cada vez mais requisitados: The Man Who Sold The World foi relançado em 1972, junto com Space Oddity. “Life On Mars”, de Hunky Dory, é lançado em junho de 1973 e chegou à terceira posição na U.K. Singles Chart. Em setembro do mesmo ano, “The Laughing Gnome”, gravado originalmente em 1967, atingiria a quarta posição. Pin Ups, coleção de covers de suas músicas
preferidas da década de 60, foi lançado em outubro de 1973, e trouxe o hit “Sorrow”, que alcançou a primeira posição, dando a Bowie o crédito de artista mais vendido no Reino Unido em 1973. Também cresceram a vendagem de seus álbuns anteriores, que chegaram, juntos à sexta posição no U. K. Chart.

Soul, Funk e o Thin White Duke (1974 – 1976)

Bowie mudou-se para os Estados Unidos em 1974, hospedando-se em Nova Iorque antes de se estabelecer em Los Angeles. Diamond Dogs (1974),
álbum que o encontrou dividido entre o funk e o soul, derivou-se de duas ideias distintas: um musical baseado num futuro selvagem e sediado numa cidade pós-apocalíptica e a tarefa de musicar o livro 1984 de George Orwell. O disco alcançou a primeira posição no Reino Unido e a quinta nos Estados Unidos, gerando os sucessos “Rebel Rebel” e “Diamond Dogs”. Para promove-lo, Bowie lançou a Diamond Dogs Tour, visitando cidades da América do Norte entre junho e dezembro de 1974.

Com coreografias de Toni Basil, e ricamente produzido com elementos teatrais e efeitos especiais, a produção de alto orçamento foi filmada por Alan Yentob. O resultado dessas imagens foi o documentário Cracked Actor, apresentando um Bowie pálido e magérrimo: de fato, a turnê coincidiu com o fato do cantor em usar constantes doses de cocaína, que o afetou com debilidades físicas graves, paranoias e problemas emocionais. Mais tarde Bowie comentaria que

seu primeiro álbum ao vivo, David Live (David ao vivo, em  1974), deveria se chamar “David Bowie Está Vivo e Bem e Vivendo Apenas na Teoria”. David Live, no entanto, solidificou seu status de superstar, e alcançou a segunda posição no Reino Unido e a oitava nos Estados Unidos. Depois de uma curta pausa na Filadélfia, onde David Bowie também gravou novo material, a turnê recomeçou com um novo destaque para a música soul.


O fruto dessas sessões de gravação na Filadélfia foi o disco Young Americans (1975). O biógrafo Christopher Sandford comenta: “Ao longo dos
anos, a maioria dos roqueiros britânicos tentaram, de uma forma ou outra, tornarem-se negros por extensão. Poucos tinham se sucedido tão bem como David Bowie”. A levada do álbum, que o cantor chamou de plastic soul, constituiu uma mudança radical no estilo, que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos do Reino Unido. Young Americans trouxe a primeira música de Bowie a atingir a primeira posição nos Estados Unidos, “Fame”, escrita juntamente com John Lennon, que também contribuiu com backing vocals, e Carlos Alomar. Distinguindo-se como um dos primeiros artistas brancos a aparecer no programa de variedades americano Soul Train, Bowie cantou “Fame” e “Golden Years”, seu single de outubro. O disco foi um sucesso comercial nos estados Unidos e no Reino Unido e, aproveitando tal prestígio, as gravadoras relançaram “Space Oddity” de 1969, que veio a ser a primeira música do artista a atingir a primeira posição no Reino Unido, meses depois de “Fame” alcançar o mesmo nos Estados Unidos.

Embora seu estrelato nessa época estivesse melhor estabelecido, Bowie só existia essencialmente quando podia mudar e surpreender, mesmo com as vendas estabelecidas de suas gravações (na época, mais de um milhão de cópias só do álbum Ziggy Stardust). Em 1975, ecoando o desentendimento amargo que teve com Kein Pitt cinco anos antes, Bowie demitiu seu novo empresário. No auge do conflito que se seguiu em meses de duração na justiça, assistiu, como descreve o biógrafo Christopher Sanford, “milhões de dólares de seus ganhos futuros serem entregues a DeFries em termos excepcionalmente generosos”, e então “trancafiou-se na West 20th Street, onde por uma semana seus gritos podiam ser ouvidos através da porta do sótão trancado. “Michael Lippman, seu advogado durante as negociações, tornou-se também seu mais novo empresário. Lippman, por sua vez, receberia uma compensação significativa depois de também ser demitido por Bowie, no ano seguinte.

Station to Station (1976) apresentava uma nova persona, o “Thin White Duke” do título principal. Visualmente, era uma extensão de Thomas Jerome
Newton, o extraterrestre que ele retratou no filme The Man Who Fell to Earth do mesmo ano. Desenvolvendo o funk e o soul de Young Americans, este novo disco também sintetizaria a música de seus próximos lançamentos. Trazia um Bowie interessado em misticismo e na Cabala. Sua dependência tóxica tornou-se pública quando Bowie foi entrevistado por Russel Harty no programa London Weekend Television, numa antecipação da turnê do álbum. Pouco antes da entrevista propagada via satélite começar, era anunciada a morte do ditador espanhol General Franco. Pediram para que Bowie abandonasse a reserva do satélite a fim de que permitisse que o governo espanhol transmitisse notícias sobre o ocorrido. Recusou-se a fazê-lo, e sua entrevista continuou. Na conversa em que se seguiu, conforme descrito pelo biógrafo David Buckley, “o cantor não deu nenhum sentido àquela que foi uma entrevista bastante extensa. Bowie parecia completamente desconexo e mal conseguia pronunciar uma frase coerente”. Sua sanidade tornou-se distorcida pela cocaína e ele sofreu overdoses durante todo o ano, além de emagrecer fisicamente de maneira alarmante.

O lançamento de Station to Station aconteceu em janeiro de 1976 e foi seguido em fevereiro por uma turnê de três anos e meio pela Europa e America do Norte. Apresentando todas as faixas do disco, a Isolar – 1976 Tour, também destacou as músicas do álbum, incluindo a dramática e longa “Station to Station”, faixa-título do álbum e as baladas “Wild Is The Wind” e “Word On a Wing”, além dos funks “TVC 15” e “Stay”.

A banda que tocou no disco e na turnê era formada pelo guitarrista Carlos Alomar, do baixista George Murray e do baterista Dennis Davis, que continuariam como unidade estável e criativa pelos próximos anos da década. A turnê foi bem sucedida, mas foi cercada por controvérsias políticas. Em Estocolmo, foi creditada a Bowie a frase de que “a Grã-Bretanha poderia beneficiar-se de um líder fascista” e posteriormente ele foi preso pela alfândega na fronteira Rússia-Polônia por posse de parafernálias nazistas.

Nessa época, também ocorreu o “incidente da Estação Victoria”. O que foi
isso: chegando num conversível Mercedes-Benz, Bowie acenou para a multidão em um gesto que alguns alegaram ter sido a saudação nazista, e cuja fotografia foi tirada e publicada na News Musical Express. Bowie afirmou tempos depois que o fotógrafo simplesmente havia o pegado acenando, declaração apoiada pelo então jovem Gary Numan, que estava entre a multidão naquele dia. “Pense nisso: se um fotógrafo tira uma foto de alguém acenando, você vai ter uma saudação nazi no final do movimento de cada braço. Tudo que você precisa é algum idiota num jornal de música ou algo do tipo para fazer uma matéria sobre isso...”. 


Mais tarde, o músico também se arrependeu por seus comentários pró-fascismo e seu comportamento durante o período de vícios e do caráter do Thin White Duke. Disse: “Eu estava fora da minha mente, totalmente enlouquecido. As únicas coisas das quais eu estava ligado eram mitologia... aquela coisa toda sobre Hitler e o Direitismo... Eu descobri o Rei Artur...”. De acordo com o dramaturgo Alan Franks, escrevendo mais tarde no The Times, “ele realmente estava demente” e teve experiências muito ruins com drogas pesadas.

Bem por enquanto era isso. Na próxima postagem, a terceira parte da vida do camaleão David Bowie. Até lá e, fiquem com mais de Bowie em:


















































segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Michael e Sandra Cretu

Olá galera que está curtindo o Blog do Véio! Satisfação em poder levar entrete-nimento a vocês que curtem a boa música. A partir desse momento vou comentar a vida e a carreira de um casal que deixou marcas profundas na música européia e, porque não dizer, mundial.

Sandra e Michael Cretu foram e ainda são importantes no cenário musical, afinal de contas suas músicas são ouvidas e lembradas até hoje. Vou descrever a história deles de maneira cronológica, fato esse que vai misturar tudo, como se (e assim foi!!) tudo se cruzasse .

MICHAEL, PRODUTOR BRILHANTE

Mihai Creturiu, músico e compositor, nascido na Romênia em 1957, conhecido mundialmente por Michael Cretu (seu apelido Cretu, em romeno quer dizer ''cabelo encaracolado'') que trabalhou com inúmeros produtores, músicos e artistas ao longo da sua extensa carreira.

Na década de 70, trabalhou com Frank Farian, produ-tor de bandas co-mo: nos 70, Silver Convection, Erup-tion e Boney M.; no final dos 80 e início dos 90, Milli Vanilli e, por consequência The Real Milli Vanilli, No Mercy, La Bouche.

Trabalhou também com artistas e bandas como Boney M., Goombay Dance Band e Mike Oldfield, algumas como produtor e tecladista, tempos antes de realizar seu projeto que o consagrou e antes de produzir a cantora que viria a ser sua esposa, simplesmente conhecida por Sandra.

Michael trabalhou com produtores da dance music como André Tanenberg, mais conhecido como ATB e a dupla de remixers Jam & Spoon.

TEU PASSADO TE ...ENGRANDECE

Michael estudou estudou mússica clássica em Bucareste em 1965 e Paris em 1968, depois frequentou a Academia de Música de Frankfurt, na Alemanha, de 1975 a 1978, formando-se em música.

Começou traba-lhando como tecla-dista e produtor na equipe de Frank Farian, então produ-tor famoso dos anos 70 e 80 pelas bandas Boney M. e Milli Vanilli.

Nos anos 80, Michael assumiu a produção do quartet pop alemão Hubert Kah e começou a escrever músicas para o seu lider, Hubert Kammler, conseguindo alguns sucessos e trabalhou, também, com outra banda que conseguiu lançar, chamada de Moti Special, na qual além de produtor era tecladista.

Nessa época ele conheceu sua futura mulher, Sandra. Vou contar tudo desde o começo.

SANDRA

Nascida na Alemanha, Sandra Menges, Sandra Ann Lauer, ou simplesmente Sandra, é uma cantora e atriz que interpretou sucessos tanto na era disco, como na fase anos 80 do synthpop com muito sintetizadores e teclados.

NASCIDA PARA BRILHAR 

Sandra Ann Lauer, nasceu na cidade alemã de Saarbrücker, perto da fron-teira com a França. Filha de pai francês e mãe alemã, des-de cedo mostra-va um interesse especial pela música e dança.

A dança a família deu um jeito. Colocou-a para aprender balé aos cinco anos de idade e se estendeu até os 15 anos. Durante esse período, aos dez anos, ganhou um violão e teve aulas com um professor.

Aos treze anos, Sandra visitou uma competição em sua cidade natal, chamada Festival da Jovem Estrela, onde estavam à procura de novos talentos para a indústria da música. Ela não estava fazendo parte deste concurso, apenas assistindo. 

Após a apresentação de todos os candidatos, quando o juri estava discutindo os resultados, Sandra disse para sua mãe que iria ao banheiro. Se levantou, caminhou até o palco, convenceu o DJ. a colocar uma base (só o instrumental) para fazer uma cover de uma canção de Olivia Newton-John, pegou o microfone e começou a cantar. 

Não é preciso dizer, que a partir daquele momento, Sandra não parou de cantar. Ajudada pelo reconhecimento recém adquirido, foi convidada a gravar, e lançou um single com uma música sobre um cachorro de estimação. A música foi mal sucedida, numa época em que a disco music predominava o cenário musical, Sandra resolveu se recolher por um tempo. 

Mas não demo-rou muito para que, em 1979, fosse convidada para participar de um trio. Formado por Michaela, Vetter e Sandra, o trio chamava-se Arabesque. Foi aí que come-çou um novo período na vida de Sandra.

Pela primeira vez, ela estava longe da família, aparecendo em programas de televisão, subin-do em palcos em países estrangei-ros, dando entre-vistas, tirando fotos, e cantando em shows.

O Arabesque foi bem sucedido e no aniversário de dezenove anos de Sandra, ela era uma estrela. O grupo foi particularmente popular no Japão, tiveram êxito no Japão e também ficaram conhecidas no Brasil (eu dancei muito na era disco com elas, na minha adolescência).

Depois de nove álbuns, as diferenças de interesses musicais e o fim da popularidade acabou resultando no fim do grupo. Nessa época Sandra e Michael, que era o tecladista da banda, já estavam namorando e se mudaram para Munique.

A PRINCESA DO POP


Michael criou seu próprio estúdio e lá gravaram uma música chamada ''Japan Ist Weit'', uma cover de ''Big In Japan'' do Alphaville, que conse-guiu entrar em várias paradas, como o Top 20 alemão e o Top 100 da Suíça. O que veio a seguir, fez parte da avalanche pop dos anos 80.

Em 1985 lançou um single chamado ''(I'll Never Be) Maria Mag-dalena'', que literal-mente ''estourou'' nas paradas. Esta música liderou as paradas em 41 países em todo o mundo, e alcançou o Top 10 em mais de vinte países.

Seu primeiro álbum The Long Play, de 1985, alcançou o número 12 em seu país de origem, permaneceu no Top 20 alemão por 16 semanas, enquanto na Suécia, ''Maria Magdalena'' passou quatro semanas no número um.

No Brasil, a música ''Maria Magdalena'' foi tema do remake de 1986 da novela Selva de Pedra, da Rede Globo, e permaneceu em número 1 nas paradas brasileiras, por mais de 15 semanas.

O single que veio depois, ''In The Heat Of The Night'', continuou o seu sucesso em todo o mundo, alcançando o número 2 na Alemanha e os Top 5 na França e no Brasil. Esta música ganhou, também, o primeiro lugar no Festival de Música de Tóquio, em 1986.

Pouco depois do lançamento de The Long Play, Sandra se mudou para Londres por seis meses, para aprender inglês com a instrutora de canto Helena Shelen que já havia trabalha-do com artistas como George Michael e Paul Young. Nos fins de sema-na, Sandra voltava para Munique para trabalhar em seu novo álbum.

Lançado em outubro de 1986, Mirrors, segundo álbum de estúdio, re-flete o contínuo desenvolvi-mento musical de Michael Cretu, já que neste álbum, Michael trabalhou mais como compositor. 

O primeiro dos quatro singles de Mirrors foi ''Innocent Love'', que entrou no Top 10 da França, enquanto o segundo single ''Hi Hi Hi'' se tornou um sucesso no mundo inteiro. A balada ''Loreen'' foi o terceiro single de Mirrors, enquanto o electro pop ''Midnight Man'' (com Michael cantando e aparecendo no vídeo da música) foi o quarto e último single do álbum.

Dois anos após ter iniciado sua carreira solo, Sandra lançou uma coletânea de sucessos, em 1987, chamado Ten On One. Junto com a coletânea, saiu uma outra com os vídeos, dando aos fãs uma ideia de como era a vida privada e o dia-a-dia de Sandra.

Sua versão de ''Everlasting Lo-ve'' foi um enorme sucesso e, pela primeira vez, ela teve um sucesso na Bill-board, a bíblia da música. O vídeo da música mostrou Sandra e um modelo como diversos amantes de to-das as épocas, como Adão e Eva, Bonnie e Clyde, Cleópatra e Marco Antô-nio, entre outros.

O segundo sin-gle de Ten On One foi ''Stop For a Minute'', que se tornou um sucesso na Europa e foi escrito especial-mente para uma série de televi-são alemã, cha-mado Tatort, onde ela apareceu cantando a música durante um dos episódios.

O ano de 1988 foi cheio para Sandra e Michael Cretu. No dia 7 de janeiro de 1988 eles se casaram e mudaram-se para a ilha espanhola de Ibiza, onde Michael contratou dois arquitetos famosos para construir uma mansão no estilo marroquino, ao qual ele agregou um estúdio profissional à obra.

No mesmo ano ela participou de um filme, Forever, e, ainda, lançaram o álbum Secret Land. Neste álbum, o som afastou-se um pouco do pop e ficou um pouco mais misterioso e sedutor (Humm! Agora eu entendi o porque do outro projeto de Michael).

Quatro singles fo-ram extraídos des-te álbum, sendo o primeiro ''Heaven Can't Wait'', grande sucesso na França e na Alemanha, a faixa título, ''Secret Land'' foi o segundo single, entrou no Top 10 alemão. O terceiro single ''We'll Be Together'' tam-bém se tornou sucesso, entrando para o Top 10 alemão. E, finalmente, ''Around My Heart'' foi o quarto single e atingiu o décimo-primeiro lugar na parada alemã e em 1990 participou da trilha do filme Big Romancer.

Sandra lançou a versão remixada de ''Everlasting Love'' e foi um sucesso nas paradas do Reino Unido, na Suécia, nas Filipinas, África do Sul, Brasil e Estados Unidos. Ainda nesse ano, Sandra participou do projeto Artist United For Nature.

O PROJETO PARALELO DOS DOIS: ENIGMA

Após trabalhar em colaboração com vários artistas, Mi-chael trabalhou jun-to com Sandra e tinha em mente um estilo diferente de ''New Age'' (música instrumental para meditação, norma-lmente), um estilo dance, mas que ainda não tinha nome.

Foi então que Michael lançou, juntamente com sua esposa, Sandra, David Faistein e Frank Peterson, o primeiro álbum daquele projeto que mudaria o cenário musical da ''música de elevador'' (apelido dado àquela música mais suave, para reflexão, utilizada em elevadores nos Estados Unidos e Europa).                                                                        
Em dezembro de 1990, surge o primeiro (Sim, porque vieram muitos após este!) álbum, a estréia do projeto: MCMXC a.D (1990 em números romanos seguindo de uma abreviação aparentemente incorreta do "Anno Domini"). As músicas chamaram atenção por causa da mistura, uma vez que Michael juntou cantos gregorianos, batida dançante e gemidos sensuais de Sandra, soando muito interessante aos ouvidos do público naquela época.

Estava lança-do o projeto Enigma, que trouxe como primeiro gran-de sucesso comercial de Michael, a música ''Sad-ness''. Outro grande suces-so foi a sexy ''Mea Culpa'', remixadas, as duas, depois por vários dos melhores DJ.s do mundo.

Antes que o álbum fosse lançado, Mi-chael foi bas-tante cautelo-so com a res-posta que po-deria obter, tanto do públi-co mais con-servador, mas principalmen-te da Igreja Católica e decidiu ocultar seu verdadeiro nome, assinando como M.C. Curly.

A contracapa do álbum conteve pouca informação sobre seus integrantes, promovendo o mistério sobre os criadores do álbum, levando à especulação se o Enigma era uma pessoa ou um grupo. E não foi à toa.

Há controvérsias em torno das músicas do álbum por serem tanto religiosas quanto sexuais, particularmente nos três primeiros singles. O vídeo clipe de "Principles Of Lust" (Princípios da Luxúria) foi banido da MTV e das maiorias das estações de TV, que também vetaram os vídeos de "Sadeness (Part 1)". 

O álbum em si foi banido em diversos países pela mesma razão, enquanto os críticos taxavam as músicas do álbum como blasfêmia. No entanto, a popula-ridade do álbum disparou até o número 1 em pelo menos 24 países diferentes em que foi lançado, alcan-çando o disco de ouro e de platina.

O sucesso de MCMXC a.D influen-ciou os trabalhos de B-Tribe em Fiesta Fatal!, Delerium em Semancic Spaces e também de Sarah Brightman em Eden. O álbum também foi um trampolim para novos grupos musicais inspirados no canto gregoriano em suas músicas, como por exemplo Era e Gregorian, na qual foi fundado por Frank Peterson após ter se desvinculado de Michael Cretu.

Particularmente, eu ainda destaco a viagem transcendental que a trilogia das músicas de ''Back To The Rivers Of Belief''. Quando você precisa relaxar e viajar na sonoridade da música, deve-se ouví-la desde o início até chegar no ápice de ''The Rivers Of Belief''.

Em 1993, Michael Cretu, recebeu a proposta de compor a trilha sonora completa do filme Invasão de Priva-cidade mas, no momento, estava desenvolvendo o segundo álbum do Enigma e estava impossibilitado de aceitar a oferta. Porém, entregou as músicas “Carly's Song” e “Carly's Loneliness”, temas para a personagem Carly interpretada pela atriz Sharon Stone.

Logo em seguida, The Cross Of Changes (A Cruz das Mudanças, ou Cruzamento das Mudanças) foi lançado e vendeu 6 milhões de cópias em um ano. Com o grande sucesso "Return To Innocence", este foi o álbum com mais faixas utilizadas em campanhas publicitárias e filmes, sendo utilizado pela última vez no filme Matrix, em 1999, a música "The Eyes Of Truth". 

Michael Cretu se deixou influenciar desta vez pelos ritmos hindus, inserindo cantos de lamento, que remetiam a paisagens e orações indianas, sempre com sua marca registrada. Um som de ostentação e de batidas sensuais, que elevavam a mente para causas espirituais, chamando a todos para uma meditação mais profunda sobre a vida e a nossa missão terrena.

Em 1996, lançou Le Roi Est Mort, Vive Le Roi! (O Rei Está Morto, Viva o Rei!). A idéia de Michael era que este álbum, o terceiro, fosse a síntese dos dois álbuns anteriores e, por consequência, os elementos fami-liares como os cantos gregorianos e a música hindu estivesse mais pre-sente do que nunca.

Embora o álbum tenha sido proje-tado tão meticulo-samente por Michael Cretu, não conseguiu o mesmo nível do sucesso dos dois anteriores. Em consequência, somente dois singles deste disco vingaram e foram lançados: ''Beyond The Invisible'' e ''T.N.T. For The Brain'', também remixadas por DJ.s para as pistas de dança, principalmente na Alemanha, país natal da banda e onde fazem mais sucesso.

No ano de 2000, The Screen Behind The Mirror (A Tela Atrás do Espelho), incluiu trechos de Carmina Burana de Carl Orff em quatro faixas do álbum. Neste disco volta-ram as marcas re-gistradas do Enig-ma, os Cantos Gregorianos e as flautas. Somente ''Gravity Of Love'' e ''Push The Limit'' foram lançadas como single. Este disco marca a estréia do cantor Andru Donalds no projeto Enigma.

Em 2001, Michael lançou o single ''Turn Around'' junto com a coletânea Love Sensuality Devotion - The Greatest Hits e a também coletânea, com o que já havia sido lançado e algumas novidades, Love Sensuality Devotion - The Remixes.

Lançado em 2003, Voyager (Viajante), foi considerado por muitos como uma transformação total do projeto, já que quase todos os elementos que jus-tificavam a assina-tura Enigma (cantos gregorianos, as fa-mosas flautas) não estavam mais pre-sentes nesse álbum, que estava mais eletrônico e diferente, quase uma releitura do projeto. Claro que isso influenciou na maneira dos fãs escutarem e por isso, as vendas não foram boas, pois muitos não apreciaram essa nova sonoridade.

Em 2005 a gravadora do Enigma anunciou o lançamento do single, já atrasado, da música ''Hello And Welcome'' que era dedicada ao boxeador alemão Felix Sturm, que foi anunciado para outubro e foi lançado em novembro (só seria lançado em março de 2006 na Alemanha).

Em 2006, o projeto Enigma finalmente lançou o seu sexto disco, A Posteriori, que contém ''Hello And Welcome''. Destaco ainda, ''Eppur Si Muove'' e ''Goodbye Milky Way''. Este talvez seja o álbum mais sombrio da banda, tendo como tema a Via Láctea e sua destruição prevista para acontecer daqui alguns milhões de anos.

Este álbum propõe uma reflexão sobre vida e morte, a criação e a destruição do  cosmo, claro e escuro, assim como o primeiro álbum, só que desta vez sem a temática sexual, com mais ênfase no dançante. A Posteriori foi lançado bem na época em que a humanidade olhava para o céu e se perguntava sobre se Plutão era planeta ou asteróide e forma uma bela trilha sonora para essa reflexão, já que o abuso dos ecos nas músicas remete a uma jornada pelo espaço sideral.

Seven Lives, Many Faces é o sétimo álbum do projeto Enigma, foi lançado em 2008, teve um desempenho me-lhor nas paradas do que o anterior A Posteriori. Teve como singles as faixas "Seven Lives" "La Puerta Del Cielo" e "The Same Parents". 

Este álbum marcou a volta do estilo que fez do Enigma uma sensação no mundo da música, inovando na mistura de sons e estilos. Com elementos mais intimistas e de fundo natural, em Seven Lives, Many Faces, Michael Cretu cria ares de reflexão, melodias suaves e um verdadeiro deleite aos ouvidos. 

As vendas do álbum foram de 500 mil cópias mundialmente em sua estreia e chegou a mais de 2 milhões de cópias até o momento. Considerando que a musica mundial sofre com downloads ilegais e a pirataria, é um número de vendagem espantoso para um estilo pouco divulgado no mundo da música.

Curiosidades

* No ano de 2001, o Enigma vendeu mais de 100 milhões de álbuns.

* O Enigma não é uma banda propriamente dita,mas um projeto musical, pois os artistas são convidados somente para participarem de determinados álbuns e não do projeto em si. Veja os exemplos: The Angel X forneceu os vocais para ''Return To Innocence''; Ruth-Ann Boyle e Andru Donalds em The Screen Behind The Mirror e Voyageur; Louisa Stanley e Elisabeth Houghton emprestaram suas vozes para ''The Voice Of Enigma'' e ''Knocking On Forbidden Doors'', respectivamente.

* O último registro em álbum de Sandra foi em 2009, quando lançou Back To Life, onde teve dois singles, ''In a Heartbeat'' e ''The Night Is Still Young''. 

* O último registro do Enigma não foi um álbum, já que não lançou nenhum depois de Seven Lives, Many Faces, mas um single, em 2011 chamado ''MMX (The Social Song)'' com a participação nos vocais de Fox Lima.

* Lembram do estúdio que Michael construiu em sua mansão estilo marroquino? Pois nele saem atualmente todo e qualquer projeto em que Michael esteja envolvido. Esse estúdio chama-se A.R.T. (sem pontuação a grafia significa ARTE). O que ele produz senão obras em que envolvem o talento, a arte de um músico.

* Sandra e Michael nasceram no dia 18 de maio, ela em 1962 e ele em 1957.

* Michael e Sandra se divorciaram em 2007, Sandra casou-se novamente, e eles continuam trabalhando juntos, até hoje.

* No vídeo de ''You And I'' que postei para que apreciem, aos 4 minutos da música (que na verdade são vídeos da intimidade do casal), aparece um pedaço da mansão no estilo marroquino que comentei com vocês.

Pois é pessoal, era isso que eu tinha para comentar sobre Michael Cretu, Sandra e Enigma (e ainda falei por tabela do Gregorian, uma das minhas primeiras postagens). 

Muito obrigado por visualizarem meus comentários. espero que tenham gostado desse. Na próxima postagem falarei sobre o fenômeno Mamonas Assassinas

Autor: Carlos Alberto de L. Anchieta

Vejam mais de Michael Cretu, Sandra e Enigma em:










































































































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