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domingo, 12 de junho de 2016

CAZUZA, O POETA NÃO ESTÁ MORTO

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio. Nesta postagem vou comentar sobre a vida do poeta Cazuza, que foi um ícone da década de 80, suas músicas e seu envolvimento com drogas, e algumas polêmicas.


INFANCIA E ADOLESCÊNCIA

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, no Rio de Janeiro, no dia 04 de abril de 1958, filho do produtor fonográfico João Araújo (1935 – 2013) e de Lucinha Araújo (1936), Cazuza recebeu o apelido antes de nascer. Seu verdadeiro nome foi dado por insistência da avó paterna. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu nome de batismo, por isso não respondia à chamada na escola. Só mais tarde, quando descobriu que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade Angenor, por um erro do cartório), é que Cazuza começou a aceitar o nome.


Cazuza sempre teve contato com a música. Influenciado desde pequeno pelos grandes nomes da música brasileira, ele tinha preferência pelas letras dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Era também grande fã da roqueira Rita Lee, para quem chegou a compor a letra da música “Perto do Fogo”, que Rita musicou. Cazuza cresceu no bairro do Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio até mudar para o Colégio Anglo-Americano, para evitar reprovação (ele também era um simples estudante, nada de anormal). Como às vezes os pais saiam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, Alice. Por volta de 1965 começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. A mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos.


Em 1972, tirando férias em Londres, Cazuza conheceu as músicas de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, e logo se tornou um grande fã. Por causa da promessa do pai, que disse que lhe presentearia com um carro caso ele passasse no vestibular, Cazuza foi aprovado em Comunicação em 1976, mas desistiu do curso três semanas depois. Mais tarde começou a frequentar o Baixo Leblon, onde levou uma vida boêmia. Por causa disso, João Araújo criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, da qual seu pai foi fundador e presidente. Na Som Livre, Cazuza trabalhou no departamento artístico, onde fez triagem de fitas de novos cantores. Logo depois trabalhou na assessoria de imprensa, onde escreveu releases para divulgar os artistas.
No final de 1979 fez um curso de fotografia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Lá descobriu a literatura da Geração Beat, os chamados poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira. Em 1980 retornou ao Rio de Janeiro, onde ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador. Foi nessa época que Cazuza cantou em público pela primeira vez. O cantor e compositor Léo Jaime, convidado para integrar uma nova banda de rock de garagem que se formava no bairro carioca do Rio Comprido, não aceitou, mas indicou Cazuza aos vocais. Daqueles ensaios na casa do tecladista Maurício Barros, nasceu o Barão Vermelho.


BARÃO VERMELHO

O Barão Vermelho, que até então era formado por Roberto Frejat, guitarrista, Dé Palmeira, baixista, Maurício Barros, tecladista, e Guto Goffi, baterista, gostaram muito do vocal berrado de Cazuza. Em seguida, Cazuza mostra à banda letras que havia escrito e passa a compor com Frejat, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que só tocava covers passa a criar um repertório próprio. Após ouvir uma fita demo da banda, o produtor Ezequiel Neves convence o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo a apostar no Barão Vermelho.


Com uma produção barata e gravado em apenas dois dias, é lançado em 1982 o primeiro disco da banda, Barão Vermelho. Das músicas mais importantes, destacam-se “Bilhetinho Azul”, “Ponto Fraco”, “Down Em Mim” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. Apesar de ser aclamado pela crítica, o disco vendeu apenas sete mil cópias. Depois de alguns shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, a banda voltou ao estúdio e com uma melhor produção gravou Barão Vermelho 2, lançado em 1983. 


Esse disco vendeu 15 mil cópias. Foi nessa fase que, durante um show no Canecão, Caetano Veloso apontou Cazuza como o maior poeta da geração e criticou as rádios por não tocarem as músicas do Barão. Na época, as rádios só tocavam pop brasileiro e MPB. O rótulo de “banda maldita” só abandonou o Barão Vermelho quando o cantor Ney Matogrosso gravou “Pro Dia Nascer Feliz”. 
Cazuza contou em uma entrevista, que certo dia tocaram a campainha do apartamento em que ele morava e sua empregada bateu na porta de seu quarto e lhe disse: "Seu Cazuza, seu Ney Matogrosso está aqui e pediu para falar com o senhor", o que levou Cazuza a responder: "Ah, pára de brincadeira e me deixa dormir!". Logo em seguida, Ney estava à porta de seu quarto, para conversar sobre a gravação de “Pro Dia Nascer Feliz”. Era o empurrão que faltava, e a banda ganhou vida própria.


MAIOR ABANDONADO E ROCK IN RIO

A banda foi convidada a compor e gravar o tema do filme Bete Balanço. A faixa-título tornou-se um dos grandes clássicos da banda, impulsionando o filme que virou sucesso de bilheteria. A música também impulsionou as vendas do terceiro disco do Barão. Maior Abandonado, lançado em outubro de 1984, conquistou disco de ouro, (o equivalente a 40 mil cópias) registrando outras composições como “Maior Abandonado” e “Por Que a Gente é Assim?”. Em 15 e 20 de janeiro de 1985, o Barão Vermelho se apresentou na primeira edição do Rock In Rio. A apresentação da banda no quinto dia tornou-se antológica por coincidir com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar. Cazuza anunciou esse fato ao público presente e para comemorar, cantou “Pro Dia Nascer Feliz”.


A SAÍDA DE CAZUZA DO BARÃO VERMELHO

Como eu disse no começo, algumas polêmicas causaram a saída de Cazuza da banda. Alguns meios de comunicação dizem que “Cazuza deixou a banda a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente”. Poder ser que essa seja a justificativa final, mas o que li em entrevistas da época, principalmente em revistas especializadas sobre música (eu assinava a Bizz, depois ShowBizz) é que Cazuza estava tão envolvido em orgias onde rolava álcool e drogas, que ele acabava chegando sempre atrasado para as gravações em estúdio. Aliás, outra polêmica que aconteceu na época, foi que Cazuza se declarou bissexual. Para aqueles homofóbicos de plantão, foi um prato cheio quando começou-se a falar na “peste gay”, prenúncios da AIDS que até então era conhecida como uma doença que só atingia quem era gay. Mais tarde se provou que era mentira. Mas voltando à polêmica vida desregrada, que depois foi retratado no filme sobre a vida de Cazuza, ele consumia cocaína injetando na veia. E o que é pior, compartilhando a seringa com outras pessoas. Portanto, se ele adquiriu a síndrome foi por causa das drogas.
Enfim, em uma conversa amigável, como foi dito pela banda, na época, Cazuza foi convidado a retirar-se. Em julho de 1985, durante os ensaios do quarto disco do Barão, Cazuza deixou o Barão para seguir carreira solo. Suspeita-se que nesse mesmo ano, ele começou a ter febre diariamente, indícios da AIDS que se agravaria anos depois. Ezequiel neves, que trabalhou com o Barão, dividiu-se entre a banda e a carreira solo de Cazuza.


EXAGERADO E SÓ SE FOR A DOIS

Em outubro de 1985, Cazuza foi internado para ser tratado por uma pneumonia. Ele exigiu fazer um teste de HIV, do qual o resultado foi negativo. Em novembro de 1985, seu primeiro disco solo Exagerado foi lançado pela Som Livre. “Exagerado”, a faixa-título composta em parceria com Leoni (ex-Kid Abelha), se tornou um dos maiores sucessos e marca registrada do cantor. A música “Só as Mães São Felizes” foi vetada pela censura. 


O segundo disco deveria ter sido lançado pela Som Livre, no segundo semestre de 1986, mas como a gravadora rompeu com seu elenco de artistas, Só Se For a Dois foi lançado pela PolyGram (agora Universal Music Group) em 1987. Logo depois, Cazuza foi contratado pela PolyGram. Só Se For a Dois mostrou temas românticos como “Só Se For a Dois”, “O Nosso Amor a Gente Inventa”, “Solidão Que Nada” e “Ritual”.


IDEOLOGIA E O TEMPO NÃO PÁRA

A AIDS se manifestou em 1987. Cazuza foi internado com pneumonia, e um novo teste revelou que o cantor era portador do vírus do HIV. Em outubro, Cazuza foi internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, para ser tratado de uma nova pneumonia. Em seguida, ele é levado pelos pais aos Estados Unidos. Lá, foi submetido a um tratamento a base de AZT (um coquetel de remédios, que depois ficamos sabendo que era ineficaz, diferente do que existe hoje, que se tratado direito, prolonga a vida infinitamente) durante dois meses no New England Hospital, de Boston. Ao voltar ao Brasil no começo de dezembro de 1987, Cazuza iniciou as gravações de um novo disco, Ideologia de 1988, que contém os hits “Ideologia”, “Brasil” e “Faz Parte do Meu Show”. “Brasil”, em versão de Gal Costa foi tema de abertura da telenovela Vale Tudo, da Rede Globo e ganhou o Prêmio Sharp por melhor música do ano e melhor composição pop-rock do ano (Cazuza, George Israel e Nilo Romero).


Os shows se tornaram mais elaborados e a turnê do disco Ideologia, dirigido por Ney Matogrosso, viajou por todo o Brasil. O Tempo Não Pára, gravado no Canecão durante esta turnê, foi lançado em 1989. O disco se tornou o maior sucesso comercial superando a marca de 500 mil cópias vendidas. A faixa “O Tempo Não Pára” tornou-se um dos seus maiores sucessos. Também destacam-se “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” com um arranjo mais introspectivo, “Codinome Beija-Flor” e “Faz Parte do Meu Show”. O Tempo Não Pára também foi lançado em VHS pela Globo.


BURGUESIA

Em fevereiro de 1989, Cazuza declarou publicamente que era soropositivo, ajudando assim a criar consciência em relação à doença e aos efeitos dela. Compareceu na cerimônia do Prêmio Sharp numa cadeira de rodas, e recebeu os prêmios de melhor música para “Brasil” e de melhor disco para Ideologia. Burguesia, de 1989, foi gravado com o cantor numa cadeira de rodas e com a voz nitidamente debilitada e fraca. É um disco duplo onde o primeiro disco traz músicas  de rock brasileiro e o segundo com músicas de MPB. Burguesia foi o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias. Cazuza recebeu o Prêmio Sharp póstumo de melhor música com “Cobaias de Deus”.


MORTE

Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990, quando voltou para o Rio de Janeiro. No dia 07 de julho de 1990, Cazuza morreu aos 32 anos de idade, por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de mármore do túmulo, aparece o título de seu último grande sucesso, “O Tempo Não Pára”, e as datas de seu nascimento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codinome. No ano seguinte, foi lançado o disco póstumo Por Aí.


 LEGADO

Em apenas dez anos de carreira, Cazuza deixou 126 músicas gravadas, 78 inéditas e 34 para outros intérpretes. Após sua morte, os pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, em 1990. Sociedade Viva Cazuza tem como intenção proporcionar uma vida melhor a crianças soropositivas através de assistência à saúde, educação e lazer. Em 1997, a cantora Cássia Eller lançou o disco Veneno AntiMonotonia, que traz somente composições de Cazuza.
As músicas de Cazuza já foram reinterpretadas pelos mais diversos artistas brasileiros dos mais diversos gêneros musicais. A Som Livre realizou o show Tributo a Cazuza, em 1999, posteriormente lançado em CD e DVD, do qual participaram Ney Matogrosso, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Zélia Duncan, Sandra de Sá, Arnaldo Antunes e Leoni. No ano de 2000 foi exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo o musical Casas de Cazuza, escrito e dirigido por Rodrigo Pitta, cuja história tem base nas músicas de Cazuza. Em 2004 foi lançado o filme biográfico Cazuza – O Tempo Não Pára de Sandra Werneck.
Em 30 de novembro de 2013, seu pai João Araújo, que era presidente da Som Livre, faleceu, vítima de uma parada cardíaca, aos 78 anos de idade.



ARTISTAS RELACIONADOS

Dentre diversos artistas relacionados a Cazuza, estão: Frejat, por ter sido um grande amigo e seu principal parceiro em composições musicais; Simone , por ter interpretado “O Tempo Não Pára” e “Codinome Beija-Flor”; Leoni, com quem compôs seu maior sucesso, “Exagerado”; George Israel (Kid Abelha), com quem compôs “Brasil”, “Solidão Que Nada” e mais 13 músicas; Léo Jaime, que apresentou Cazuza para a banda Barão Vermelho quando esta já estava formada e precisando de um vocalista para completar a banda; Lobão, tanto pela amizade com Cazuza quanto pela influência de um em outro, por ter sido grande inspiração no começo da carreira; Cássia Eller, por ter sido a intérprete que mais gravou músicas de Cazuza; Arnaldo Antunes, pela influência marcante; Bebel Gilberto, pela amizade e parceria em algumas músicas; Rita Lee, parceira na música “Perto do Fogo”, última que ele escreveu antes de morrer e primeira que ela gravou em seu disco de 1990; Ney Matogrosso, um grande amigo, que divulgou o Barão Vermelho no tempo em que a banda ainda era desconhecida, que dirigiu os shows “Ideologia” e “O Tempo Não Pára”; e Renato Russo, por ter homenageado duas vezes Cazuza e ter sido amigo, com a música em inglês “Feedback Song For a Dying Friend” e com a regravação de “Quando Eu Estiver Cantando”, no show Viva Cazuza, em 1990.

Bem pessoal, era isso que eu tinha para comentar sobre Cazuza, que se estivesse vivo, hoje estaria com 58 anos, um jovem senhor roqueiro. Vejam mais de Barão Vermelho e Cazuza em:





















































domingo, 10 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte 1

Olá galera que acompanha o Blog do Veio! É muito bom estar de volta e saber que vocês sentiram a falta de informações e curiosidades sobre o mundo da música. Nesta postagem continuarei falando sobre as perdas no mundo musical, desta vez falando sobre um importante personagem desse mundo maravilhoso da música, que nos deixou em janeiro, o camaleão David Robert ‘Bowie’ Jones.



DAVID BOWIE, UM CAMALEÃO MUSICAL

Nascido em Brixton, Londres, em 08 de janeiro de 1947, sob o nome David Robert Jones, foi um cantor, compositor, ator e produtor musical inglês. Muitas vezes foi referido como “Camaleão do Rock” pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tendo sido um artista importante para a música pop nestes 50 anos e é considerado um dos músicos mais inovadores e, ainda, influente de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 70 e 80, além de se diferenciar por possuir um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.

SEUS PRIMEIROS PASSOS NO MUNDO 
ARTÍSTICO (1947 – 1962)

David morou numa Londres, que, segundo seu vizinho, na década de 40 era o pior lugar para uma criança nascer. Desde cedo descobriu-se que David tinha talento para cantar, por isso o colocaram em um coral. Lá, sua voz foi considerada “adequada” no coral da escola, onde ele demonstrou uma capacidade musical acima da média. Aos nove anos foi inserido no método educativo de escutar sons e dançar, e sua dança agradou aos professores, que o achavam “vividamente artística” e sua postura “surpreendente” para uma criança. Claro, David vivia a música que escutava e a dança era consequência.

Neste mesmo ano, seu interesse pela música cresceu quando seu pai trouxe
para casa discos de vinis de uma coleção americana com músicas cantadas por Frankie Lymon & The Teenagers, The Platters, Fats Domino, Elvis Presley e Little Richard. Ao ouvir Richard cantar “Tutti Frutti”, Bowie diria mais tarde: “Eu tinha escutado a voz de Deus”. Da mesma forma, o impacto de Elvis em sua vida também foi imediato: “Eu vi uma prima minha dançar “Hound Dog” e eu nunca tinha visto ela se levantar e se mover tanto por nada. Realmente me impressionou, o poder da música. Comecei a procurar discos depois disso”. Depois disso, sua empolgação foi tanta que ele começou a aprender novos instrumentos, além de piano, enquanto isso se apresentava para seus amigos escoteiros fingindo ser Elvis e Chuck Berry e sua presença no palco era descrita como “fascinante ...como alguém de outro planeta”.
David estudou arte, música e desenho. Mais tarde seu meio-irmão por parte de mãe o apresentou ao jazz moderno e seu entusiasmo por instrumentistas como Charles Mingus e John Coltrane levou sua mãe a lhe dar um saxofone alto em 1961. Não demorou para que o garoto recebesse aulas de um músico local.
 Em 1962, metido em uma briga por conta de uma garota, recebeu um ferimento grave na escola, quando o amigo George Underwood lhe deu um forte soco no olho esquerdo, usando um grande anel no dedo. Os médicos temiam que ele viesse a perder parcialmente a visão. Foi forçado a ficar fora da escola para uma série de operações durante uma internação de quatro meses. O dano não pôde ser totalmente reparado, deixando-o com a percepção deficiente e com a pupila permanentemente dilatada (tempos depois isso tornaria-se sua marca pessoal, que embora tenha os dois olhos azuis, aparenta ter um olho de cada cor, fenômeno conhecido por heterocromia. Alguns acreditavam que seu olho fosse de vidro, mas, na realidade, o problema em seu olho é chamado de anisocoria, que, no seu caso, o deixou com a pupila permanentemente dilatada). Apesar da briga violenta, Underwood e David continuaram amigos, e Underwood passou a cuidar da parte artística dos primeiros discos de David.

OS KON-RADS E OS RIOT SQUADS (1962 – 1968)

Em 1962, David formou sua primeira banda, aos 15 anos de idade. Os Kon-rads tocavam guitarra baseados no rock and roll em festas jovens e casamentos, e tinham uma formação que variava entre quatro e oito membros, entre eles Underwood. Ao deixar a escola técnica no ano seguinte, David informou a seus pais o seu sonho de tornar-se uma estrela do rock. Não demorou muito para sua mãe arranjar um emprego de ajudante de eletricista para David. Frustrado pelas limitadas aspirações que seus colegas de banda tinham, David deixou a Kon-rads e formou outra banda os King Bees.

David escreveu uma carta a um empresário inglês bem-sucedido, chamado John Bloom, que trabalhava com máquinas de lavar, convidando-o a “fazer por nós o que Brian Epstein fez pelos Beatles, e fazer mais um milhão”. Bloom não respondeu à oferta, mas encaminhou o convite à Leslie Conn, parceiro de Dick James, que o contratou, fazendo dessa a primeira gestão pessoal do artista. Leslie Conn logo começou a promover o trabalho de David.
O primeiro single do cantor, “Liza Jane”, creditado à David Jones e os King Bees, não alcançou nenhum sucesso comercial. Desapontado com os King Bees e o repertório blues de Howlin’ Wolf e Willie Dixon, David deixou a banda e menos de um mês entrou para a Manish Boys, banda com levada blues, mas que também incorporava elementos do folk e soul: “Eu costumava sonhar em ser o Mick Jagger deles”, recordaria David anos mais tarde. “I Pity The Fool” não teve sucesso maior que “Liza Jane”, e não demorou para que David mudasse novamente de grupo, dessa vez entrando para o Lower Third, trio de blues fortemente influenciado por The Who. “You’ve Got a Habit Of Leaving” não se saiu melhor que as outras e marcou o fim do contrato com Leslie Conn.
Apesar de mais uma vez estar decepcionado, David continuou no Lower Third. Seu novo empresário, Ralph Horton, seria uma figura importante em sua transição para artista solo mais tarde, e também o apoiou quando David mudou-se para outro grupo, o Buzz, cuja música “Do Anything You Say” foi um verdadeiro fracasso. Enquanto era contratado pela Buzz, David entrou em 1967 para a Riot Squad. As gravações desse novo grupo incluíam músicas escritas por David e covers do Velvet Underground, nunca foram lançadas. Ken Pitt, apresentado por Ralph Horton, passou a ser o novo empresário de David.
Agora vocês irão entender porque até agora eu só o chamei de David.
Insatisfeito com seu nome artístico, na época Davy (e Davie) Jones, que em meados da década de 60, causava confusão com o ator Davy Jones do The Monkees, o jovem músico renomeou seu nome artístico, baseado em um americano do século XIX, chamado Jim Bowie e também à faca que ele popularizou. Seu nome também pode ser uma referência ao personagem David Bowman de 2001: A Space Odyssey (2001, Uma Odisseia no Espaço), famoso filme que inspirou a música “Space Oddity”.
Seu single “The Laughing Gnome”, lançado em abril de 1967, utilizava os vocais acelerados ao estilo do The Chipmunks, mas não obteve sucesso comercial. David Bowie, seu álbum de estréia, lançado seis semanas depois, é uma mistura de pop, folk, psicodelia e music hall, mas teve o mesmo destino que suas tentativas anteriores. David Bowie não lançou mais nada por dois anos.

Seu fascínio pelo bizarro reforçou-se com o encontro de Bowie como dançarino Lindsay Kemp, como disse o próprio David: “Eu vivia em suas emoções, foi uma influência maravilhosa. Sua vida cotidiana era a coisa mais teatral que eu já tinha visto. Era tudo o que eu pensava sobre boemia. Entrei para o circo.” Kemppor sua vez lembrou: “Eu não o ensinei a ser um artista mimico, mas a botar para fora o que ele era ... Eu o ativei para liberar o anjo e o demônio que estavam em seu interior”.
Estudando artes dramáticas com Kemp, do teatro avant-garde e da mímica a commedia dell’arte, Bowie ficou imerso na criação de personagens para apresentar ao mundo. Satirizando a vida numa prisão britânica, a música de 1967 “Over The Wall We Go” tornou-se um single na voz de Paul Nicholas. Outra composição de Bowie, chamada “Silly Boy Blue”, foi realizada por Billy Fury no ano seguinte.
Bowie começou a namorar Hermione Farthingale quando ela foi escalada junto a ele por Kemp para um minueto poético. Logo,ambos os amantes se mudaram juntos para um apartamento em Londres. Tocando violão, ela formou um grupo com Bowie e o baixista John Hutchinson. Entre setembro de 1968 e início de 1969, quando David e Hermione rompiam, o trio dava um pequeno número de concertos, combinando folk, beat music, poesia e mímica (coisa louca!).

DO FOLK PSICODÉLICO AO GLAM – DE SPACE ODDITY 
AO HUNKY DORY (1969 – 1973)

Devido à falta de sucesso comercial, David Bowie se viu obrigado a tentar ganhar a vida de formas diferentes. Uma dessas foi gravar um comercial para a empresa de sorvetes Lyons Maid, que, foi rejeitado por outro do Kit Kat.
Em 1969, foi realizado o filme de 30 minutos Love You Till Tuesday, criado como uma maneira para promover o cantor com apresentações de seu repertório. Apesar de não ter sido lançado até 1984, as sessões de filmagem em janeiro daquele ano levaram a um sucesso inesperado, quando Bowie disse aos produtores: “Eu tenho uma nova música para esse filme de vocês”. Bowie gravou uma demo da música que o ajudaria a dar um salto na carreira, através do sucesso comercial. “Space Oddity” foi lançada meses depois, para coincidir com o primeiro pouso na lua.

Rompendo seu namoro com Hermione Farthingale logo após o término do filme, Bowie mudou-se com Mary Finnigan como seu inquilino. Nesta época, continuava sua divergência do rock and roll e do blues, iniciada por seu trabalho com Hermione e, por isso, juntou forças com ela, com Christina Ostrom e Barrie Jackson para conduzir um clube de folk nas noites de domingo no pub Three Tuns, na High Street, em Becknham. Este logo se transformou em Beckenham Arts Lab e ficou extremamente popular.
O Beckenham Arts Lab organizou um festival livre num parque local, mais tarde imortalizado por Bowie na música “Memory Of a Free Festival”. Realizado em 11 de julho, cinco dias antes do lançamento da Apollo 11, “Space Oddity” ficou em 5º lugar no Top do Reino Unido. Seu segundo disco, Space Oddity, realizado em novembro, foi lançado no Reino Unido com o nome de David Bowie, o que causou certa confusão com o disco antecessor de mesmo nome, e o lançamento nos Estados unidos foi antecipadamente intitulado Man Of Words / Man Of Music. Na época de seu lançamento, não obteve sucesso comercial, mesmo com suas letras filosóficas de um mundo pós-hippie sobre paz, amor e moralidade, e um som de folk rock acústico reforçado pelo rock pesado.

David Bowie conheceu Angela Barnett em abril de 1969 e casaram um ano depois. A influência dela sobre ele foi imediato e o envolvimento dela em sua carreira teve uma força enorme, deixando o empresário Kein Pitt em desvantagem, com uma influência limitada. Estabelecido como artista solo após “Space Oddity”, Bowie sentia falta de algo: “uma banda em tempo livre para apresentações e gravações, pessoas, enfim, com as quais ele poderia se relacionar pessoalmente”. A falta se agravou quando Bowie teve uma rivalidade artística com Marc Bolan, na época seu guitarrista de estúdio.
Uma banda foi devidamente montada com Tony Visconti, no baixo que convidou John Cambridge, baterista que Bowie conheceu no Arts Lab e Mick Ronson, na guitarra elétrica. Após uma desastrosa apresentação sob o nome de The Hype, o grupo foi reconfigurado, agora apresentando David Bowie como artista solo. O trabalho inicial da banda ficou marcado por um desentendimento acalorado entre Bowie e Cambridge sobre o estilo de tocar bateria do segundo. Quando a discussão chegou em seu ponto mais estressado, Bowie soltou: “Você está fudendo meu álbum”. Cambridge deixou o grupo e foi substituído por Mick Woodmansey. Pouco tempo depois, ocorreu um ato que resultaria em anos de litígio: Bowie viu-se forçado a pagar indenização a Kein Pitt, e por isso o demitiu. Tony Defries ficou no lugar de Pitt.
As sessões de estúdio resultaram em seu terceiro disco, The Man Who Sold The World (1970), caracterizado pelo som de rock pesado de sua nova banda e que marcou claramente o afastamento do violão e do estilo folk estabelecido em Space Oddity. Para promover o álbum nos Estados Unidos, a Mercury Records financiou uma turnê de divulgação em que Bowie, entre janeiro e fevereiro de 1971, foi entrevistado por emissoras de rádio e mídia.

Explorando sua aparência andrógina, a capa original da versão britânica mostra o cantor com cabelos longos e um vestido: ele o utilizou durante as entrevistas, para a aprovação dos críticos, incluindo John Mendelsohn da Rolling Stone. Mendelsohn o descreveu da seguinte forma: “deslumbrante, quase desconcertantemente, lembra Lauren Bacall”. Nas ruas, a reação das pessoas variava entre o riso e a surpresa, até que um dos pedestres abordou Bowie com um revólver e lhe disse: “beije minha bunda”, uma expressão que o americano do norte usa para demonstrar surpresa, mas que este levou muito ao pé da letra.
Durante a viagem, Bowie conheceu o trabalho de dois americanos proto-punks que foram importantes e que o levaram a desenvolver o conceito que formaria mais tarde a personagem Ziggy Stardust: a fusão da personalidade de Iggy Pop com a música de Lou Reed, ambos elementos que o fizeram produzir “o último ídolo pop”.
Uma amiga recordou seu hábito de “rabiscar notas em guardanapos, sobre uma estrela do rock doida chamada Iggy ou Ziggy”, e, retornando à Inglaterra, declarou a intenção decriar uma personagem “que parecesse ter chegado de Marte”.

No álbum Hunky Dory (1971), Visconti, seu produtor e baixista, foi substituído
de ambos os papéis por Ken Scott e Trevor Bolder, respectivamente. O álbum testemunhou o retorno parcial do cantor de Space Oddity, com músicas como “Kooks”, escrito para seu filho, Duncan Zowie Haywood Jones, nascido em 30 de maio. Os pais escolheram seu apelido, Kooky. O menino seria conhecido como Zowie pelos próximos 12 anos, por conta do significado da palavra em grego zoe,  vida. Por outro lado, o álbum também explorou temas sérios, e homenageia algumas de sua influências musicais, nas músicas “Song For Bob Dylan”, “Andy Warhol”, e “Queen Bitch” (referência ao som do Velvet Underground). O disco, na época, não alcançou sucesso comercial.

Bem pessoal, esta foi a primeira parte da história deste incrivel camaleão, que, reconheço, estou conhecendo muito dela agora que escrevo para vocês. Logo em seguida postarei a segunda parte. Até lá e fiquem com mais de David Bowie em:

















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