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sábado, 7 de outubro de 2017

DO ELETRÔNICO AO ROCK - DEPECHE MODE - TERCEIRA PARTE



Salve galera que curte o Blog Opinião do Véio! Bom saber que estão acompanhando meus comentários sobre o Depeche Mode. Esta é a terceira e última parte da história da banda, começando agora na década de 2000.



Anos 2000: Uma grande ascensão mundial

Exciter  veio em 2001, com quatro singles: "Dream On", misturando os opostos (acústico e eletrônico), "I Feel Loved", cumprindo bem o papel de faixa comercial, sendo um grande sucesso nos clubes do mundo todo,  "Freelove" com a sua batida bonita, seu clima sério e seu belíssimo final e, por último, já em 2002, é lançado "Goodnight Lovers", uma baladinha de boa letra, que nem chegou a ser executada na Exciter Tour, o que surpreendeu os fãs, que esperavam que "The Dead Of Night" ou "The Sweetest Condition" se tornasse o quarto single.

A capa do álbum de 2001.

Anton Corbijn, que já havia filmado o Devotional em 1993, filmou duas grandes noites da banda em Paris, tendo como resultado o mais ao vivo dos DVDs e um dos melhores da banda, o Depeche Mode: One Night In Paris, lançado em meados de 2002, também contando com a presença de Peter Gordeno e Christian Eigner no palco. A banda aproveita para descansar e trabalhar em projetos paralelos. Ainda em 2002, uma nova edição de The Videos 86-98 é lançada numa edição em DVD duplo, que incluía clipes raros como a versão original de "Strangelove", os vídeoclipes de "One Caress", "But Not Tonight" e "Condemnation (Paris Mix)".


Carreiras Paralelas

No início de 2003, Dave Gahan lança o primeiro trabalho solo, Paper Monsters, mais rock que tudo que já se viu no Depeche Mode, com influências até mesmo de blues (onde Gahan toca até gaita). "Dirty Sticky Floors", faixa principal do disco, foi bem executada nas rádios. O álbum teve uma turnê muito bem sucedida, contando com mais quatro excelentes músicos no palco. Com composições próprias, Dave Gahan começa a reclamar o seu espaço no Depeche Mode como compositor, o que gerou muitos comentários em público.

Nesse interim, é lançado um álbum de covers (que também continha um DVD) Counterfeit II, projeto paralelo de Martin Gore, que tinha o single "Loverman". Mais eletrônico que Dave Gahan, e mais depressivo também, o disco contou com o apoio de uma curta turnê pela Europa e Estados Unidos. No palco, dois músicos, além de Martin Gore, incluindo o tecladista Peter Gordeno.

Ao final de 2003, o Depeche Mode relança uma edição especial do 101 em DVD, com dois discos, e algumas faixas que não tinham no VHS original e entrevistas recentes com Martin Gore, Dave Gahan e Andrew Fletcher.

Em 2004, Dave Gahan lança o DVD Paper Monsters Live que incluía todas as faixas do álbum ao vivo e algumas do Depeche Mode, como: "A Question of Time", "Never Let Me Down Again" entre outras. Todas as músicas foram também lançadas e um álbum que só foi vendido pela Internet no formato MP3. Martin Gore também lança uma versão do álbum Counterfeit II com músicas ao vivo desse projeto. É lançada também nesse ano a edição especial em DVD duplo de Devotional, incluindo algum material extra, entre eles as projeções de palco e as versões ao vivo de "Halo" e "Policy Of Truth", sem falar de um documentário feito pela MTV Europa na época. Também nesse ano, é lançado o álbum duplo Remixes 81-04, com uma edição limitada contendo um terceiro disco. Mike Shinoda do Linkin Park participou de uma nova versão de "Enjoy The Silence", que teve até um single e um videoclipe novo.

A capa do álbum de remixes de 2004.

Um Novo Retorno

Playing The Angel, lançado em 17 de Outubro de 2005, foi precedido pelo single "Precious". Gravado em Santa Barbara, Nova York e Londres. Playing The Angel foi criado mais rápido que os dois últimos álbuns da banda e, pela primeira vez, incluiu três faixas escritas por Dave Gahan, sendo co-produzido por Ben Hillier (Some Cities, do Doves, e Think Tank, do Blur). O álbum teve um bom desempenho apesar de alguns fãs alegarem estar mal mixado. Playing The Angel representa um retorno criativo e atualizado à sonoridade dos anos oitenta, sendo um dos melhores trabalhos do grupo em toda a sua carreira.

A capa do álbum de 2005.


A banda resolve dar uma pausa, depois de uma das suas melhores turnês, a Touring The Angel, que teve uma média de 40 mil pessoas por show. Em setembro de 2006, foi lançado o DVD duplo (com uma rara edição tripla) Touring The Angel: Live In Milan, com duas noites da banda e um grande show na cidade de Milão na Itália.

Em 2007 Dave Gahan lança Hourglass, seu segundo trabalho solo. Mais eletrônico e mais Depeche Mode, singles como "Kingdom" e "Saw Something" chegaram a entrar nas paradas inglesas e americanas. No mesmo ano, Gahan faz uma pequena turnê, tendo lançado também um álbum virtual do material ao vivo do novo trabalho, Live In SoHo, pelo iTunes. No mesmo ano, Dave Gahan anuncia um novo álbum com o Depeche Mode, a ser lançado em 2009.

2009-2011: Sounds Of The Universe

No dia 15 de janeiro de 2009, o site oficial anuncia o nome do álbum, e no dia 20 de abril o álbum Sounds Of The Universe é lançado, ficando em 1º lugar em 21 países e ficando durante semanas na lista dos mais vendidos na Europa, ultrapassando nomes de peso como Green Day e U2, "Wrong" foi lançado no dia 21 de fevereiro e "Peace", seu segundo single foi lançado no mercado europeu no dia 15 de julho, e fez grande sucesso na MTV Brasil. Mais tarde lançaram apenas para os Estados Unidos o single promocional "Perfect".

Como anunciado no dia 6 de outubro de 2008 na Alemanha, uma turnê mundial iria começar para a promoção do álbum, e iria incluir países que não foram agraciados com turnês nos últimos anos como os da América Latina principalmente, fazendo shows no Chile, Peru, Colômbia, Argentina e Brasil.

Para a decepção de milhares de fãs, a Tour Of The Universe não iria mais tocar no Brasil, no dia 22 de julho de 2009, os dois shows da turnê que seriam realizados no Rio de Janeiro e São Paulo foram cancelados. Os fãs fizeram um grande protesto no site depeche mode no brasil.net, composto por um abaixo assinado e um vídeo.

Em 30 de setembro de 2009, "Wrong" foi nomeado em ambos "Melhor Vídeo de Rock" e "Melhor Efeitos Visuais Em Um Vídeo" no UK MVA Award (uma premiação britânica).

Em 03 de dezembro de 2009, Sounds Of The Universe foi indicado como "Melhor Álbum Alternativo" no Grammy Awards. Eles receberam uma segunda nomeação para o vídeoclipe "Wrong" de "Melhor Videoclipe Musical de Forma Curta".

A capa do álbum de 2009.

A banda anunciou que faria um concerto beneficente para o Teenage Cancer Trust no Royal Albert Hall em 17 de fevereiro de 2010. O concerto teve a participação de Alan Wilder, que tocou piano na apresentação da canção "Somebody" com Martin Gore nos vocais.
"Fragile Tension/Hole to Feed", um single lado A duplo, foi lançado como terceiro single em 07 de dezembro de 2009.

Conforme relatado pela revista Billboard, a Tour Of The Universe se tornou um dos 25 mais rentáveis em 2009. A lista liderada por U2 e Madonna compara faturamento duplo faturado pelos artistas que estavam em turnê entre 06 de dezembro de 2008 e 21 de novembro de 2009. Depeche Mode fica no vigésimo lugar na lista, com uma receita bruta total de U$ 45.658.648,00 em 31 shows, gerando uma audiência estimada de 690.000 espectadores. Esses números são apenas para os shows realizados na América, o faturamento da Tour Of The Universe em solo europeu foi muito maior.

Ainda em 2009, foi estimado que a banda já havia vendido mais de 110 milhões de cópias em todo o mundo. A banda teve 44 canções nas paradas britânicas e já esteve mais vezes que qualquer outro artista entre os 40 mais ouvidos no Reino Unido a alcançar o primeiro lugar.

Em Março de 2010, o Depeche Mode ganhou o prêmio de "Melhor Grupo Internacional - Rock/Pop" no ECHO Awards na Alemanha.

O DVD Tour Of The Universe - Live In Barcelona foi lançado em 8 de novembro de 2010. O show em Barcelona na Espanha foi gravado entre 20 e 21 de novembro de 2009. O vídeo de Tour Of The Universe é o primeiro que foi lançado em formato Blu-Ray.

A capa do DVD de 2010.

Como uma conclusão da relação de três anos trabalhando com a EMI, em 06 de junho de 2011, a banda lançou uma coletânea de remixes, intitulado Remixes 2: 81-11 que apresenta remixes dos ex-membros Vince Clarke e Alan Wilder. Outros envolvidos com o projeto foram Nick Rhodes do Duran Duran, Röyksopp, Karlsson e Winnberg de Miike Snow, Eric Prydz, Clark e muito mais. Uma novo remix de "Personal Jesus", de Stargate, intitulado "Personal Jesus 2011", foi lançada como single em 30 de Maio de 2011, em apoio da compilação.

Depeche Mode também contribuiu com uma cover de "So Cruel" (uma canção do U2) para o álbum de tributo AHK-Toong BAY-bi Covered para o 20º aniversário de Achtung Baby, um álbum de 1991 da banda de rock irlandesa U2. O CD de compilação foi lançado pela Q Magazine no final de 2011.

2012-2015: Delta Machine

Em dezembro de 2012, a banda havia confirmado que estava trabalhando em um novo álbum. O disco, intitulado Delta Machine, foi oficialmente lançado em 22 de março de 2013. O álbum estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos no Reino Unido e em sexto nos Estados Unidos. O grupo saiu então em turnê mundial para divulgar o trabalho.

A capa do álbum de 2013.

Em março de 2014, Depeche Mode ganhou o prêmio de "Melhor Grupo Internacional – Rock / Pop" do ECHO Awards na Alemanha. Também foi indicado ao prêmio "Álbum do Ano" por Delta Machine, mas acabou perdendo.
Em 08 de outubro de 2014, a banda anunciou o lançamento do álbum de vídeo Depeche Mode Live in Berlin, filmado durante um show no O2 World em Berlim, Alemanha, em novembro de 2013, durante a turnê do Delta Machine. Este trabalho foi lançado em 17 de novembro de 2014 e foi um sucesso de vendas.

2016 - Presente: Spirit

Em uma entrevista feita em 25 de janeiro de 2016, Martin Gore anunciou que a banda retornaria ao estúdio em abril de 2016, com Gore e Gahan escrevendo e compondo novas canções.

A capa da coletânea de vídeos lançada em 2016.

Em setembro de 2016, a página oficial do Depeche Mode no Facebook fez posts insinuando uma nova versão, que foi mais tarde confirmada pela banda como uma compilação de vídeo musical, Video Singles Collection, que foi lançada em 11 de novembro de 2016 pela Sony.

Em 11 de outubro de 2016, a banda anunciou que seu décimo quarto álbum, intitulado Spirit e produzido por James Ford, seria lançado na primavera de 2017. Quatro dias mais tarde, a banda anunciou o 1º calendário europeu da turnê Global Spirit Tour, que começaria na Friends Arena de Estocolmo em 05 de maio de 2017. Uma semana depois, o grupo recebeu uma indicação para o Hall Of Fame de Rock And Roll em 2017.

A capa do álbum lançado também em 2016.

Em 03 de fevereiro de 2017 saiu o primeiro single do novo álbum, "Where's The Revolution". Spirit foi lançado em 17 de março de 2017 e foi mais um sucesso de público e crítica.

Grande Influência e Fonte de Inspiração

A influência do Depeche Mode pode ser notada por bandas tão diferentes que fizeram um álbum de tributo ao grupo em 1998. O potencial da banda dentro do cenário musical é enorme, principalmente na música eletrônica, rock industrial e pop. Abaixo, uma lista de bandas que foram influenciadas, muito ou pouco, por Depeche Mode.

Hoje é considerado uma enorme influência para diversos músicos e bandas de pop e rock atuais como Pet Shop Boys, Camouflage, Linkin Park, Red Flag, Paradise Lost, Coldplay, The Killers, Franz Ferdinand, HIM, Keane, The Bravery, Information Society. Smashing Pumpkins (que regravou "Never Let Me Down Again"), Rammstein (regravou "Stripped"), Lacuna Coil (regravou "Enjoy The Silence"), Placebo (regravou "I Feel You"), Deftones (regravou "Sweetest Perfection" e "To Have And To Hold"), e Marilyn Manson (regravou "Personal Jesus").


Além de ser bastante notória a sua grande quantidade de fãs ilustres, como os próprios Marilyn Manson e Trent Reznor (Nine Inch Nails), Johnny Cash (regravou "Personal Jesus"), Robert Smith (regravou "World In My Eyes"), Tori Amos (regravou "Enjoy The Silence" e "Personal Jesus"), Scott Weiland, Amy Lee, Shakira, Lady GaGa e The Ting Tings. Outras menores também, como Anno Zero, The Junior Boys, Gus Gus, Veruca Salt, God Lives Underwater, Hooverphonic, Failure, Apollo Four Forty e Monster Magnet.

Existem bandas também que são fãs de Depeche Mode e acredita-se que já trocaram influências com a banda, como é o caso do The Cure, Foo Fighters e Queens Of The Stone Age, ou artistas como Marilyn Manson, Tori Amos, Shakira e Johnny Cash. Existem também bandas e artistas brasileiros que foram influenciadas pelo trabalho do Depeche, como Jay Vaquer, Alex Góes, o Skulk ou a banda cover Strange Mode. Os Pet Shop Boys ouviam muito o álbum Violator e o usaram como inspiração para o seu aclamado álbum Behaviour. Neil Tennant disse que "Nós estávamos ouvindo o álbum Violator, que era realmente um bom álbum. Ficamos com muita inveja"; enquanto Chris Lowe disse "Eles realmente aumentaram de nível".


Chester Bennington, principal vocalista do Linkin Park foi bastante inspirado pela banda, como pode ser visto pelos seus trajes no vídeoclipe de "What I've Done". Outro membro da banda, Mike Shinoda, recentemente afirmou: "Depeche Mode é uma das bandas mais influentes de todos os tempos, e são uma grande inspiração para mim".
Entretanto, a maior e mais criticamente reconhecida participação da banda foi definitivamente ser peça-chave na "explosão dance music" de Chicago e de Detroit, onde vários DJ's e produtores como Derrick May, Kevin Saunderson e Juan Atkins aclamavam a banda como maior influência, principalmente depois do lançamento do Music For The Masses.

As bandas que influenciaram o Depeche Mode são principalmente o Kraftwerk, Velvet Underground e David Bowie. Ao vivo, admiram a banda punk The Clash.

Existem muitas coisas que o Depeche Mode fez que nenhuma outra banda do mesmo gênero faz, como por exemplo ser a única banda de música eletrônica a se apresentar em estádios, ter uma base enorme de fãs dedicados por todo o mundo e sempre ter álbuns estreando no Top 10 da Billboard 200, mesmo com mais de 25 anos de carreira.
 Seus álbuns vendem em média mais de 3 milhões de cópias, tem 18 singles na US Hot 100, 4 singles em primeiro lugar na US Modern Rock e 7 singles na US Hot Dance/Club Play, e mais de 20 singles no total a chegar em paradas de sucesso, de um modo geral.


Em 1997, o Rammstein fez uma cover da música "Stripped". Disponível na versão australiana, como uma faixa bônus, do segundo álbum da banda, o Sehnsucht. "But Not Tonight" ganhou uma cover feita por Scott Weiland (Stone Temple Pilots, Velvet Revolver) para o filme Não É Mais Um Besteirol Americano.

Em Maio de 2007, após cálculos e contagens das gravadoras, chegou-se ao resultado de 16 milhões de cópias vendidas nos EUA sozinhos, não incluindo singles. O Depeche Mode é considerado "a banda de música eletrônica mais popular de todos os tempos" pela grande maioria da crítica e do público mundial, sendo mais famosa que grandes concorrentes, como New Order e os Pet Shop Boys.

Em Agosto de 2008, o Coldplay lançou uma versão cover do vídeoclipe de "Enjoy the Silence", como um vídeo alternativo de Viva La Vida. O vídeo foi dirigido por Anton Corbijn nos Países Baixos.
Em Novembro de 2013, a banda sueca Ghost lançou o EP de covers "If You Have Ghost", que contou com a produção de Dave Grohl. A quarta faixa do disco foi uma cover de "Waiting For The Night".

A formação original do Depeche Mode.

Integrantes

Atuais
David Gahan - vocal (1980-presente)
Martin Gore - teclado, guitarra e vocal (1980-presente)
Andrew Fletcher - teclado, baixo (1980-presente)

Ex-integrantes
Vince Clarke - teclado, guitarrra, backing vocals (1980–1981)
Alan Wilder - teclado, piano, bateria, percussão, backing vocals (1982–1995)

Bem pessoal que esteve curtindo a história do Depeche Mode, esta foi a parte final de uma carreira que ainda não se encerrou, pois como disse no início, a banda ainda continua em atividade, fazendo a alegria de fãs e apreciadores de boa música. Cabe-nos esperar e ouvir o que a banda nos apresentará em um breve futuro. Espero que nos surpreenda novamente, pois o que eles mais sabem fazer é se reinventar.


Fiquem com mais de Depeche Mode em:























sábado, 30 de setembro de 2017

DO ELETRÔNICO AO ROCK - DEPECHE MODE - SEGUNDA PARTE


Salve galera que curte o Blog Opinião do Véio! Que bom saber que vocês estão aqui curtindo a segunda parte da história da banda Depeche Mode. 

Após um "pequeno" intervalo de dois meses entre a primeira parte e a segunda, estou eu aqui, lidando com as "birras" de meu notebook! 

Agora comentarei sobre o período que se inicia em 1985, com uma mudança significativa no estilo, com músicas mais pesadas e sombrias, um álbum que não emplacou na Inglaterra, mas em compensação nos Estados Unidos...

1985-1988: Celebrações negras, amores
estranhos e a consagração mundial

 - 
A coletânea The Singles 81-85, lançado no mercado europeu,
chegou também ao Brasil ...



Em 1985, após o lançamento de quatro álbuns (dois por ano), Depeche Mode dá uma pausa e lança duas coletâneas. The Singles 81-85 para o mercado europeu e Catching Up With Depeche Mode para o americano. Das duas, somente a coletânea européia foi lançada no Brasil, com a faixa inédita "Shake The Disease", que foi sucesso de público e crítica e é faixa obrigatória na coleção dos fãs da banda.

... já a coletânea Catching Up With Depeche Mode,
foi lançada exclusivamente para o mercado norte-americano,
com diferença de duas ou três músicas.
Em julho de 1985, a banda tocou pela primeira vez do outro lado da Cortina de Ferro, com concertos em Budapeste e Varsóvia.

A maior transformação do Depeche Mode aconteceu em 1986, com o lançamento do 15º single "Stripped" e o quinto álbum Black Celebration. As letras se tornaram mais reflexivas e a sonoridade mais complexa e mais afastada do "industrial-pop" dos dois álbuns anteriores, porém sem perder a característica do uso de samplers. 

O álbum de 1986.


O resultado foi um som sinistro, altamente atmosférico e texturizado. Os destaques ficam por conta de "Black Celebration" e "Fly On The Windscreen". Neste álbum, uma música cantada por Martin L. Gore se tornou um grande sucesso nos Estados Unidos: "A Question Of Lust". Na edição americana foi incluída uma faixa bônus chamada "But Not Tonight".

O videoclipe de "A Question of Time" foi o primeiro dirigido por Anton Corbijn, diretor responsável pelos vídeos da banda e que, até hoje, já dirigiu mais de 20 de seus vídeos. Além das gravações ao vivo, ele também assina as capas de álbuns e singles.


Alan aproveitou o momento para trabalhar em duas demos, lançado o material como primeira realização de seu projeto paralelo que atendia pela alcunha de Recoil, o álbum recebe o título de 1+2, de 1986.

Em 1987, o álbum Music For The Masses reforça as mudanças no estilo da banda. O produtor Dave Bascombe (que produziu Tears for Fears) participou da produção e "aparentemente” a banda havia abandonado os samplers por mais experimentação musical. Embora o desempenho de "Strangelove", "Never Let Me Down Again" e "Behind The Wheel" nas paradas tenha sido decepcionante no Reino Unido, o álbum teve uma ótima aceitação em países como Canadá, Brasil (particularmente com "Strangelove"), Alemanha Ocidental, África do Sul, Suécia e na Suíça, muitas vezes atingindo o top 10 das paradas desses países.


O álbum de 1987.

Seguindo o Music For The Masses, o grupo fez a turnê mundial de 1987 a 1988, a Concert For The Masses Tour. Praticamente todos os ingressos disponíveis para os shows desta turnê se esgotaram e foi encerrada em um show com um público de 80 mil pessoas. Esta turnê foi documentada no vídeo 101 (agora em DVD duplo com extras). 

O álbum duplo, ao vivo de 1988.

No Brasil, o álbum também foi um sucesso de vendas com excelente divulgação nas rádios, principalmente para o grande hit "Strangelove", música indispensável em qualquer referência aos anos 80 e até hoje pode ser ouvida em casas noturnas e eventos em todo o mundo. 

A revista especializada Record Mirror descreveu Music For The Masses como "o álbum mais completo e sexy do Depeche Mode até agora". Apesar do fracasso inicial no seu país de origem, o álbum fez um gigantesco sucesso no mercado americano, algo que a banda não tinha conseguido alcançar com os álbuns anteriores.

A turnê Music For The Masses Tour começou logo após o lançamento do álbum. Em 07 de março de 1988, a banda fez um show extra-oficial (uma vez que nada havia sido oficialmente anunciado anteriormente) na arena esportiva Werner-Seelenbinder-Halle, em Berlim Oriental. Naquela época, o regime comunista ainda estava em vigor e o Depeche Mode seria uma das únicas bandas a conseguir tocar no lado oriental da Alemanha. Por volta da mesma época, também fizeram concertos em Budapeste e Praga (1988). A turnê mundial terminou em 18 de Junho 1988, com um concerto no estádio Rose Bowl em Pasadena, Califórnia, EUA, com a presença de 60.453 pagantes (o maior público em oito anos no local).

1990-1994: Fé e devoção a uma das bandas mais bem-sucedidas da história

Em 1989 é a vez de Martin Gore mostrar seu trabalho solo em Counterfeit, com músicas cover de The Durutti Column, Tuxedomoon, Sparks, entre outros.

No meio de 1989, a banda começou a gravar em Milão com o produtor Flood. O resultado dessa sessão foi o single "Personal Jesus", completamente diferente das gravações anteriores. Antes deste lançamento, foram colocadas mensagens publicitárias nos jornais do Reino Unido com a frase "Your own personal Jesus" (ao pé da letra, “Seu próprio Jesus pessoal, individual”. 



Em seguida, os anúncios incluíam um número de telefone que era discado, ouvia-se a canção. Existem regravações dessa faixa por inúmeros artistas, entre eles Johnny Cash e Marilyn Manson. Em 2006, ela foi escolhida com umas das melhores canções de todos os tempos através de votação pela Revista Q.

Em 1990, é a vez do lançamento do single "Enjoy The Silence", que seria um dos mais bem-sucedidos singles da banda até o momento (chegou ao número 6 nas paradas britânicas, sendo o primeiro da banda a atingir o top 10 depois de "Master And Servant") e posteriormente viria a se tornar um dos maiores hits de toda a história da banda. Nos Estados Unidos, o single alcançou a oitava colocação nas paradas daquele país, recebendo certificação de ouro.


O álbum de 1990.

O álbum Violator veio alguns meses depois, também sob a assinatura do produtor Flood (U2, Erasure). Para promover o novo lançamento, a banda realizou uma sessão de autógrafos no interior da loja Wherehouse Entertainment em Los Angeles. O evento acabou atraindo um número muito elevado de fãs e terminou em uma confusão generalizada entre as 20 mil pessoas presentes. Algumas pessoas acabaram ficando feridas após serem pressionadas sobre o vidro da loja pela multidão e na confusão que se formou. 


Como um pedido de desculpas aos fãs que ficaram feridos, a banda lançou uma fita cassete de edição limitada especialmente para os fãs de Los Angeles, distribuído através de estação de rádio KROQ (o patrocinador do evento na Wherehouse).

Violator chegou no Top 10 das paradas tanto dos EUA quanto do Reino Unido. O álbum foi o primeiro da banda a chegar ao Top 10 da Billboard 200. Ficou em sétimo lugar por 74 semanas (Isso mesmo, quase um ano e meio!!). A banda também recebeu certificação de platina tripla nos EUA pelas 4,5 milhões de vendas do álbum por lá. Violator continua a ser o álbum mais vendido da história da banda. Mais dois singles do álbum, "Policy Of Truth" e "World In My Eyes", também atingiram as paradas dos EUA e Reino Unido. No Brasil, "Policy Of Truth" foi a faixa de maior sucesso do álbum, sendo executada em diversas rádios voltadas ao público jovem.

A World Violation Tour marcou o ponto mais alto da popularidade da banda. Nos Estados Unidos, 42 mil ingressos foram vendidos em quatro horas para o show no Giants Stadium em Nova Jérsei e 48 mil foram vendidos em meia hora para o show no Dodger Stadium em Los Angeles. Estima-se que a soma de todas as pessoas presentes nos show da turnê seja de cerca de hum milhão e duzentas mil pessoas.



Alan aproveita o intervalo para, em 1991, lançar mais um EP do Recoil, o Bloodline, que contava com a participação especial de Douglas McCarthy do Nitzer Ebb no vocal em uma das músicas.

Songs Of Faith And Devotion é lançado em 1993 e rendeu umas das maiores turnês da história da banda, a Devotional Tour. O álbum, mais uma vez produzido por Flood, abusava das guitarras distorcidas de Martin L. Gore e da bateria acústica de Alan Wilder, e assim que chegou ao mercado, atingiu o primeiro lugar de assalto, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. 


O álbum de 1993.

Com um estilo mais rock que os álbuns anteriores, o Songs Of Faith And Devotion também contou com influências da musicalidade gospel na presença de duas backing vocals de vozes marcantes em "Condemnation", "In Your Room" e "Get Right With Me". A turnê durou cerca de um ano e meio e, em 1994, chegou ao Brasil para duas apresentações em São Paulo.

A Devotional Tour também foi documentada e lançada em vídeo (agora em DVD duplo com extras) junto com uma nova versão do álbum ao vivo, chamada Songs of Faith and Devotion Live. Apesar da indicação ao Grammy de "Melhor Vídeo Longo de Show" e a sua aclamação, o álbum ao vivo foi muito mal em vendas e tomado como um dos maiores erros comerciais da banda. Em 1994, o Depeche Mode tinha atingido o patamar da elite das bandas “de estádio” do mundo, ao lado de U2, R.E.M., INXS e The Rolling Stones.


David Gahan

A longa duração da turnê, o abuso de drogas, as instáveis mudanças de comportamento de David Gahan devido seu vício em heroína e as constantes convulsões de Martin L. Gore geraram desgastes no relacionamento interno.

Martin L. Gore

No meio da turnê Andrew Fletcher voltou para casa com uma crise nervosa (fontes afirmam que foi também por causa do nascimento de seu filho, na época) e foi substituído nos shows por Daryl Balmonte, assistente da banda e que também trabalhava com o The Cure, inclusive nos shows de São Paulo. Por fim, Flood disse que devido ao inferno moral pelo qual passou dentro da banda, nunca mais trabalharia com ela. Mudou de opinião depois e produziu um remix de "Freelove" em 2001.

Andrew Fletcher


1995-1999: A terrível queda, o doloroso
ressurgimento e o reconhecimento definitivo

Em junho de 1995, Alan Wilder anunciou que estava deixando o Depeche Mode, dizendo que estava “insatisfeito com as relações internas do grupo e métodos de trabalho”. Ele continuou trabalhando com seu projeto individual Recoil.

Alan Wilder


Ainda segundo algumas informações, Alan disse que tinha contribuído significativamente com os últimos trabalhos e que sua participação nunca recebeu o respeito e reconhecimento que merecia. Após a saída de Alan Wilder, houve inúmeras especulações se o Depeche Mode continuaria a carreira e se gravaria mais.

Os problemas do grupo eram inúmeros. Notícias que David Gahan havia tentado suicídio correram mesmo sob a negação do cantor. Outra polêmica foi uma overdose quase fatal que Gahan sofreu em sua casa em Los Angeles. Nos meados de 1996, finalmente o cantor se internou em um centro de reabilitação para combater seu vício em heroína e, atualmente, ele se declara completamente livre do vício.



Apesar dos problemas pessoais de David, Martin Gore tentou várias vezes entre 1995 e 1996 fazer a banda voltar aos estúdios. Entretanto, David não aparecia e quando ia, levava semanas para conseguir gravar qualquer linha vocal. Apesar das dúvidas sobre a continuidade da banda, inclusive por parte de Martin, após a reabilitação de David Gahan, o Depeche Mode voltou a gravar.

Em abril de 1997, a banda lança o single "It's No Good", maior sucesso desta nova fase. A música ficou muito bem colocada, inclusive no Brasil. Então o álbum Ultra é lançado, dessa vez produzido por Tim Simenon, que já usara a alcunha de Bomb The Bass (conjunto musical eletrônico que fez sucesso no Brasil e no mundo nos anos 80) e leva disco de ouro no Brasil. 


O álbum de 1997.

Ultra é o álbum mais pesado e "úmido" da história da banda. Outro single de grande sucesso no mundo foi "Barrel Of a Gun", a mais pesada do álbum e uma das mais fortes da banda. Apesar do sucesso dos seus singles e a estreia em primeiro lugar no Reino Unido, o álbum não foi tão bem recebido pela crítica e pela maioria dos fãs, considerando um trabalho "pobre e hermético". Em função dos tratamentos do Dave Gahan para se livrar das drogas e dos próprios problemas da banda na turnê anterior, não houve nada além de duas pequenas apresentações, uma na Europa e outra nos Estados Unidos.

Neste mesmo ano Recoil lança o seu quarto álbum (o primeiro depois que saiu do Depeche Mode), chamado Unsound Methods. Ele contou com muitos artistas convidados, entre eles a cantora Maggie Estep, novamente o vocalista Douglas McCarthy do Nitzer Ebb e a backing vocal da turnê Devotional, a saber, Hildia Cambell.

1998 foi o ano em que o Depeche Mode lança a compilação The Singles 86 - 98 em CD e VHS (The Videos 86 - 98), que incluía um novo single, "Only When I Lose Myself" (gravada durante a produção de Ultra), de bela letra. Neste mesmo ano, a banda faz uma curta turnê chamada The Singles Tour de apenas quatro meses pela Europa, EUA e Canadá. Nos teclados, assumindo o lugar de Alan, estava Peter Gordeno. Na bateria, o austriaco Christian Eigner.

Mesmo se recuperando ainda dos problemas internos e com uma curta turnê, ela atraiu um grande público, deu disco de platina à coletânea (era uma coletânea dupla!!) e estabeleceu o Depeche Mode como uma banda que não importa se vende bem ou não, sempre tem turnês muito bem-sucedidas. 



Outras bandas nesse patamar são R.E.M., The Rolling Stones e U2. Também nesse ano foi relançada a edição remasterizada de The Singles 81-85. Ainda em 1998, chegou ao mercado um álbum tributo chamado For The Masses que continha versões de canções do Depeche Mode gravadas por bandas como Smashing Pumpkins, The Cure, Rammstein e Deftones.

Bem pessoal, esta foi a segunda parte da história dessa banda inglesa, que como outras, teve seus altos e baixos, dependência de drogas e desentendimentos por causa do tamanho dos egos. Mas para alegria dos fãs (e nossa também), soube dar a volta por cima e se reciclar, voltando ainda mais rock, mais pesada e continuando a entreter seus admiradores e consumidores.


Fique com mais de Depeche Mode em:

























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