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domingo, 12 de junho de 2016

CAZUZA, O POETA NÃO ESTÁ MORTO

Olá galera que curte o Blog Opinião do Véio. Nesta postagem vou comentar sobre a vida do poeta Cazuza, que foi um ícone da década de 80, suas músicas e seu envolvimento com drogas, e algumas polêmicas.


INFANCIA E ADOLESCÊNCIA

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, no Rio de Janeiro, no dia 04 de abril de 1958, filho do produtor fonográfico João Araújo (1935 – 2013) e de Lucinha Araújo (1936), Cazuza recebeu o apelido antes de nascer. Seu verdadeiro nome foi dado por insistência da avó paterna. Na infância, Cazuza nem sequer sabia seu nome de batismo, por isso não respondia à chamada na escola. Só mais tarde, quando descobriu que um de seus compositores prediletos, Cartola, também se chamava Agenor (na verdade Angenor, por um erro do cartório), é que Cazuza começou a aceitar o nome.


Cazuza sempre teve contato com a música. Influenciado desde pequeno pelos grandes nomes da música brasileira, ele tinha preferência pelas letras dramáticas e melancólicas, como as de Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Era também grande fã da roqueira Rita Lee, para quem chegou a compor a letra da música “Perto do Fogo”, que Rita musicou. Cazuza cresceu no bairro do Leblon e estudou no Colégio Santo Inácio até mudar para o Colégio Anglo-Americano, para evitar reprovação (ele também era um simples estudante, nada de anormal). Como às vezes os pais saiam à noite, o filho único ficava na companhia da avó materna, Alice. Por volta de 1965 começou a escrever letras e poemas, que mostrava à avó. Graças ao ambiente profissional do pai, Cazuza cresceu em volta dos maiores nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros. A mãe, Lucinha Araújo, também cantava e gravou três discos.


Em 1972, tirando férias em Londres, Cazuza conheceu as músicas de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, e logo se tornou um grande fã. Por causa da promessa do pai, que disse que lhe presentearia com um carro caso ele passasse no vestibular, Cazuza foi aprovado em Comunicação em 1976, mas desistiu do curso três semanas depois. Mais tarde começou a frequentar o Baixo Leblon, onde levou uma vida boêmia. Por causa disso, João Araújo criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, da qual seu pai foi fundador e presidente. Na Som Livre, Cazuza trabalhou no departamento artístico, onde fez triagem de fitas de novos cantores. Logo depois trabalhou na assessoria de imprensa, onde escreveu releases para divulgar os artistas.
No final de 1979 fez um curso de fotografia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Lá descobriu a literatura da Geração Beat, os chamados poetas malditos, que mais tarde teria grande influência na carreira. Em 1980 retornou ao Rio de Janeiro, onde ingressou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador. Foi nessa época que Cazuza cantou em público pela primeira vez. O cantor e compositor Léo Jaime, convidado para integrar uma nova banda de rock de garagem que se formava no bairro carioca do Rio Comprido, não aceitou, mas indicou Cazuza aos vocais. Daqueles ensaios na casa do tecladista Maurício Barros, nasceu o Barão Vermelho.


BARÃO VERMELHO

O Barão Vermelho, que até então era formado por Roberto Frejat, guitarrista, Dé Palmeira, baixista, Maurício Barros, tecladista, e Guto Goffi, baterista, gostaram muito do vocal berrado de Cazuza. Em seguida, Cazuza mostra à banda letras que havia escrito e passa a compor com Frejat, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que só tocava covers passa a criar um repertório próprio. Após ouvir uma fita demo da banda, o produtor Ezequiel Neves convence o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo a apostar no Barão Vermelho.


Com uma produção barata e gravado em apenas dois dias, é lançado em 1982 o primeiro disco da banda, Barão Vermelho. Das músicas mais importantes, destacam-se “Bilhetinho Azul”, “Ponto Fraco”, “Down Em Mim” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. Apesar de ser aclamado pela crítica, o disco vendeu apenas sete mil cópias. Depois de alguns shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, a banda voltou ao estúdio e com uma melhor produção gravou Barão Vermelho 2, lançado em 1983. 


Esse disco vendeu 15 mil cópias. Foi nessa fase que, durante um show no Canecão, Caetano Veloso apontou Cazuza como o maior poeta da geração e criticou as rádios por não tocarem as músicas do Barão. Na época, as rádios só tocavam pop brasileiro e MPB. O rótulo de “banda maldita” só abandonou o Barão Vermelho quando o cantor Ney Matogrosso gravou “Pro Dia Nascer Feliz”. 
Cazuza contou em uma entrevista, que certo dia tocaram a campainha do apartamento em que ele morava e sua empregada bateu na porta de seu quarto e lhe disse: "Seu Cazuza, seu Ney Matogrosso está aqui e pediu para falar com o senhor", o que levou Cazuza a responder: "Ah, pára de brincadeira e me deixa dormir!". Logo em seguida, Ney estava à porta de seu quarto, para conversar sobre a gravação de “Pro Dia Nascer Feliz”. Era o empurrão que faltava, e a banda ganhou vida própria.


MAIOR ABANDONADO E ROCK IN RIO

A banda foi convidada a compor e gravar o tema do filme Bete Balanço. A faixa-título tornou-se um dos grandes clássicos da banda, impulsionando o filme que virou sucesso de bilheteria. A música também impulsionou as vendas do terceiro disco do Barão. Maior Abandonado, lançado em outubro de 1984, conquistou disco de ouro, (o equivalente a 40 mil cópias) registrando outras composições como “Maior Abandonado” e “Por Que a Gente é Assim?”. Em 15 e 20 de janeiro de 1985, o Barão Vermelho se apresentou na primeira edição do Rock In Rio. A apresentação da banda no quinto dia tornou-se antológica por coincidir com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar. Cazuza anunciou esse fato ao público presente e para comemorar, cantou “Pro Dia Nascer Feliz”.


A SAÍDA DE CAZUZA DO BARÃO VERMELHO

Como eu disse no começo, algumas polêmicas causaram a saída de Cazuza da banda. Alguns meios de comunicação dizem que “Cazuza deixou a banda a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente”. Poder ser que essa seja a justificativa final, mas o que li em entrevistas da época, principalmente em revistas especializadas sobre música (eu assinava a Bizz, depois ShowBizz) é que Cazuza estava tão envolvido em orgias onde rolava álcool e drogas, que ele acabava chegando sempre atrasado para as gravações em estúdio. Aliás, outra polêmica que aconteceu na época, foi que Cazuza se declarou bissexual. Para aqueles homofóbicos de plantão, foi um prato cheio quando começou-se a falar na “peste gay”, prenúncios da AIDS que até então era conhecida como uma doença que só atingia quem era gay. Mais tarde se provou que era mentira. Mas voltando à polêmica vida desregrada, que depois foi retratado no filme sobre a vida de Cazuza, ele consumia cocaína injetando na veia. E o que é pior, compartilhando a seringa com outras pessoas. Portanto, se ele adquiriu a síndrome foi por causa das drogas.
Enfim, em uma conversa amigável, como foi dito pela banda, na época, Cazuza foi convidado a retirar-se. Em julho de 1985, durante os ensaios do quarto disco do Barão, Cazuza deixou o Barão para seguir carreira solo. Suspeita-se que nesse mesmo ano, ele começou a ter febre diariamente, indícios da AIDS que se agravaria anos depois. Ezequiel neves, que trabalhou com o Barão, dividiu-se entre a banda e a carreira solo de Cazuza.


EXAGERADO E SÓ SE FOR A DOIS

Em outubro de 1985, Cazuza foi internado para ser tratado por uma pneumonia. Ele exigiu fazer um teste de HIV, do qual o resultado foi negativo. Em novembro de 1985, seu primeiro disco solo Exagerado foi lançado pela Som Livre. “Exagerado”, a faixa-título composta em parceria com Leoni (ex-Kid Abelha), se tornou um dos maiores sucessos e marca registrada do cantor. A música “Só as Mães São Felizes” foi vetada pela censura. 


O segundo disco deveria ter sido lançado pela Som Livre, no segundo semestre de 1986, mas como a gravadora rompeu com seu elenco de artistas, Só Se For a Dois foi lançado pela PolyGram (agora Universal Music Group) em 1987. Logo depois, Cazuza foi contratado pela PolyGram. Só Se For a Dois mostrou temas românticos como “Só Se For a Dois”, “O Nosso Amor a Gente Inventa”, “Solidão Que Nada” e “Ritual”.


IDEOLOGIA E O TEMPO NÃO PÁRA

A AIDS se manifestou em 1987. Cazuza foi internado com pneumonia, e um novo teste revelou que o cantor era portador do vírus do HIV. Em outubro, Cazuza foi internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, para ser tratado de uma nova pneumonia. Em seguida, ele é levado pelos pais aos Estados Unidos. Lá, foi submetido a um tratamento a base de AZT (um coquetel de remédios, que depois ficamos sabendo que era ineficaz, diferente do que existe hoje, que se tratado direito, prolonga a vida infinitamente) durante dois meses no New England Hospital, de Boston. Ao voltar ao Brasil no começo de dezembro de 1987, Cazuza iniciou as gravações de um novo disco, Ideologia de 1988, que contém os hits “Ideologia”, “Brasil” e “Faz Parte do Meu Show”. “Brasil”, em versão de Gal Costa foi tema de abertura da telenovela Vale Tudo, da Rede Globo e ganhou o Prêmio Sharp por melhor música do ano e melhor composição pop-rock do ano (Cazuza, George Israel e Nilo Romero).


Os shows se tornaram mais elaborados e a turnê do disco Ideologia, dirigido por Ney Matogrosso, viajou por todo o Brasil. O Tempo Não Pára, gravado no Canecão durante esta turnê, foi lançado em 1989. O disco se tornou o maior sucesso comercial superando a marca de 500 mil cópias vendidas. A faixa “O Tempo Não Pára” tornou-se um dos seus maiores sucessos. Também destacam-se “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” com um arranjo mais introspectivo, “Codinome Beija-Flor” e “Faz Parte do Meu Show”. O Tempo Não Pára também foi lançado em VHS pela Globo.


BURGUESIA

Em fevereiro de 1989, Cazuza declarou publicamente que era soropositivo, ajudando assim a criar consciência em relação à doença e aos efeitos dela. Compareceu na cerimônia do Prêmio Sharp numa cadeira de rodas, e recebeu os prêmios de melhor música para “Brasil” e de melhor disco para Ideologia. Burguesia, de 1989, foi gravado com o cantor numa cadeira de rodas e com a voz nitidamente debilitada e fraca. É um disco duplo onde o primeiro disco traz músicas  de rock brasileiro e o segundo com músicas de MPB. Burguesia foi o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias. Cazuza recebeu o Prêmio Sharp póstumo de melhor música com “Cobaias de Deus”.


MORTE

Em outubro de 1989, depois de quatro meses a base de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza partiu novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990, quando voltou para o Rio de Janeiro. No dia 07 de julho de 1990, Cazuza morreu aos 32 anos de idade, por um choque séptico causado pela AIDS. No enterro compareceram mais de mil pessoas, entre parentes, amigos e fãs. O caixão coberto de flores e lacrado, foi levado à sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho. Cazuza foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de mármore do túmulo, aparece o título de seu último grande sucesso, “O Tempo Não Pára”, e as datas de seu nascimento e morte. Em sua lápide nada consta além de seu famoso codinome. No ano seguinte, foi lançado o disco póstumo Por Aí.


 LEGADO

Em apenas dez anos de carreira, Cazuza deixou 126 músicas gravadas, 78 inéditas e 34 para outros intérpretes. Após sua morte, os pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, em 1990. Sociedade Viva Cazuza tem como intenção proporcionar uma vida melhor a crianças soropositivas através de assistência à saúde, educação e lazer. Em 1997, a cantora Cássia Eller lançou o disco Veneno AntiMonotonia, que traz somente composições de Cazuza.
As músicas de Cazuza já foram reinterpretadas pelos mais diversos artistas brasileiros dos mais diversos gêneros musicais. A Som Livre realizou o show Tributo a Cazuza, em 1999, posteriormente lançado em CD e DVD, do qual participaram Ney Matogrosso, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Zélia Duncan, Sandra de Sá, Arnaldo Antunes e Leoni. No ano de 2000 foi exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo o musical Casas de Cazuza, escrito e dirigido por Rodrigo Pitta, cuja história tem base nas músicas de Cazuza. Em 2004 foi lançado o filme biográfico Cazuza – O Tempo Não Pára de Sandra Werneck.
Em 30 de novembro de 2013, seu pai João Araújo, que era presidente da Som Livre, faleceu, vítima de uma parada cardíaca, aos 78 anos de idade.



ARTISTAS RELACIONADOS

Dentre diversos artistas relacionados a Cazuza, estão: Frejat, por ter sido um grande amigo e seu principal parceiro em composições musicais; Simone , por ter interpretado “O Tempo Não Pára” e “Codinome Beija-Flor”; Leoni, com quem compôs seu maior sucesso, “Exagerado”; George Israel (Kid Abelha), com quem compôs “Brasil”, “Solidão Que Nada” e mais 13 músicas; Léo Jaime, que apresentou Cazuza para a banda Barão Vermelho quando esta já estava formada e precisando de um vocalista para completar a banda; Lobão, tanto pela amizade com Cazuza quanto pela influência de um em outro, por ter sido grande inspiração no começo da carreira; Cássia Eller, por ter sido a intérprete que mais gravou músicas de Cazuza; Arnaldo Antunes, pela influência marcante; Bebel Gilberto, pela amizade e parceria em algumas músicas; Rita Lee, parceira na música “Perto do Fogo”, última que ele escreveu antes de morrer e primeira que ela gravou em seu disco de 1990; Ney Matogrosso, um grande amigo, que divulgou o Barão Vermelho no tempo em que a banda ainda era desconhecida, que dirigiu os shows “Ideologia” e “O Tempo Não Pára”; e Renato Russo, por ter homenageado duas vezes Cazuza e ter sido amigo, com a música em inglês “Feedback Song For a Dying Friend” e com a regravação de “Quando Eu Estiver Cantando”, no show Viva Cazuza, em 1990.

Bem pessoal, era isso que eu tinha para comentar sobre Cazuza, que se estivesse vivo, hoje estaria com 58 anos, um jovem senhor roqueiro. Vejam mais de Barão Vermelho e Cazuza em:





















































domingo, 8 de maio de 2016

QUEEN, A MAJESTADE DAS BANDAS - PARTE 5

Olá galera que está curtindo o Blog Opinião do Véio! Nessa postagem encerro o que já conhecia e o que acabei conhecendo mais dessa brilhante banda chamada Queen. Nesta quinta e última parte comentarei sobre os shows ao vivo da banda e o legado deixado pelo grupo, suas influências e seus fãs.


PERFORMANCES AO VIVO

Por cerca de quinze anos de carreira, o Queen se apresentou mais de setecentas vezes ao redor do mundo, em quase todos os continentes, exceto a Antártida. O quarteto foi o primeiro grupo a fazer shows na América do Sul, com passagens pela Argentina, Brasil e Venezuela, e também a primeira banda a se apresentar na África do Sul, uma apresentação polêmica que aconteceu em 1984.
A banda se tornou, assim, célebre por esses e outros feitos, na época, únicos, como se apresentar para aproximadamente trezentas mil pessoas no Rock In Rio de 1985, e também ter realizado um show para oitenta mil pessoas na Hungria, em 1986. A apresentação no Live Aid, em 1985, foi o maior destaque em sua história, principalmente a presença de palco de Freddie Mercury, sempre tida como o elemento mais marcante nas apresentações da banda.
Freddie possuía várias marcas registradas que lhe deram notoriedade, tanto quanto a sua performance e aparência. A vivo, o músico cantava usando um microfone preso à metade de um pedestal, como se fosse um cetro, uma idéia que teve antes de entrar para a banda, quando seu pedestal quebrou e pensou que, daquela forma ainda seria útil.

No Rock In Rio em 1985.
Quando cantava, fazia movimentos teatrais, influenciados pelo seu treinamento em balé e, também, em todos os shows, envolvia a platéia em uma sequência conhecida como ''chamada e resposta'', na qual executava algumas notas vocais e, em seguida, a platéia as imitava, permitindo que até as multidões em grandes estádios participassem.
O vocalista também costumava permitir que o público cantasse partes de várias músicas, prinipalmente a versão acústica de ''Love Of My Life'', e também comandava acenos e palmas sincronizadas em músicas como ''We Will Rock You'' e ''Radio Ga Ga''. Seu bigode, utilizado durante a década de 80 se tornou outro de seus símbolos.

Rock In Rio em 1985: milhares de pessoas viram o show do Queen.

Nos vocais, Brian e Roger colaboravam, com participações muito raras de John, destacando a variedade de personalidades no quarteto, desde a extravagância de Roger Taylor e a timidez de John Deacon.
O entrosamento entre os músicos foi um fato comentado pela mídia especializada. Em 1973, Gordon Fletcher, por meio da revista Rolling Stone afirmou: ''Vamos apenas dizer que o produto final do baterista Roger Meddows Taylor e do baixista John Deacon é explosivo, um vulcão sônico colossal, cuja erupção faz a terra tremer''.
Até hoje, a crítica considera Freddie Mercury como um dos maiores artistas da história, em virtude de sua presença de palco. Um repórter do The Spectator o descreveu como um artista ''fora de série, chocante e charmoso, com várias versões extravagantes de si mesmo''.
O cantor David Bowie se referiu à Fredie afirmando que ''entre todos os cantores teatrais do rock, ele foi o único a levar tudo a um outro nível (...) era alguém que podia, literalmente, ter a platéia na palma da mão''.
Brian declarou que Freddie ''conseguia fazer a última pessoa na última fileira do estádio se sentir incluída''. Em uma resenha do Live Aid, em 2005, um crítico escreveu que ''aqueles que listam os maiores vocalistas da história, costumam dar a primeira posição para Robert Plant ou Mick Jagger, mas estão terrivelmente errados, por sua performance mitológica no Live Aid, Mercury era, sem dúvida, o maior de todos''. A banda, geralmente, é citada como uma das primeiras que transformou o rock em entretenimento.

Rock In Rio 1985: no final do show Freddie Mercury entrou com a bandeira do Reino Unido, mas
quando se virou de costas para a multidão, estava lá a bandeira do Brasil. O público foi ao delírio.

TEMAS LÍRICOS

Ao contrário da maioria das bandas de rock do seu tempo, o Queen não tinha fortes pretensões líricas, e tal característica era refletida nas composições. O vocalista Freddie Mercury, ironizando a aparente futilidade das composições do quarteto, afirmou ser uma prostituta musical, declarando que, para ele, sempre foi importante produzir canções que alegrassem as pessoas, para todos os públicos, de toda nacionalidade e cultura, não apenas os intelectuais. Na época em que John Lennon foi assassinado, o cantor disse que, ao contrário do ex-Beatle, não tinha talento para escrever mensagens profundas.
O baterista Roger Taylor possui uma opinião parecida a respeito do repertório do grupo, mas diferentemente, afirma que fornecer entretenimento já é um significado para as músicas. Freddie se considerava um homem romântico, com a maior parte de seu trabalho lírico voltado ao amor.


Segundo o próprio, em muitos momentos ele até tentou escrever músicas com outros temas, mas no fim o romantismo sempre estava em alguma parte. Ainda, preferia escrever arranjos do que fazer letras. Sempre tido como alguém complexo, parte das composições do artista para a banda, abordam indiretamente elementos de sua vida, como ''Get Down, Make Love'', do álbum News Of The World, ''Don't Stop Me Now'', de Jazz e ''Body Language'' de Hot Space, abordando sua época de intensa atividade sexual, enquanto ''It's a Hard Life'', de The Works evidenciava uma fase na qual procurava um relacionamento sério e duradouro.
Em ''Was It All Worth It'', de The Miracle, disserta sobre os excessos vividos nos anos anteriores. Afirmando ser alguém solitário, vulnerável e extremamente desconfiado das pessoas que o cercavam, o legado musical de Freddie se tornou um objeto de várias interpretações, por sua personalidade reservada e tímida.


John Deacon, que se considerava terrivelmente tímido e ansioso, compôs um repertório considerável ao longo dos anos do Queen, e diferentemente de Freddie, não gostava de escrever sua canções a partir da melodia. Em uma entrevista em 1982, o baixista confessou que para ele, geralmente,as melodias surgem primeiro do que as letras. Em seus versos, o músico afirma que procura contar histórias, ou decifrar nos mínimos detalhes um conceito moral, dentro da personalidade dos personagens que criou, cada qual diferente do outro.
No entanto, há suposições de que algumas músicas foram baseadas em sentimentos pessoais. Roger Taylor, por exemplo, brincou, questionando se em ''I Want To Break Free'', de The Works, o instrumentista estava querendo desabafar alguma coisa sobre a banda.
O baterista, por sua vez, criava suas músicas a partir de uma ideia inicial, que poderia ser melódica ou lírica. Embora a quantidade de composições suas para os álbuns sejam geralmente iguais as de John Deacon, o músico era quem escrevia mais músicas para a banda, mas muitas destas não se destacavam frente aos demais. Seu processo de composição é, para o artista, um exercício de lazer.
Ao contrário de Freddie, a maior parte da obra de Brian May é, de certa forma, pretensiosa. O guitarrista declara-se alguém muito preocupado com a paz, tema que faz parte da maioria dos seus trabalhos autorais.

RELACIONAMENTO ENTRE OS INTEGRANTES

Grande parte do repertório do Queen foi escrito de forma individual pelos seus integrantes e, diferentemente de grande parte das bandas de rock, a amizade dos membros do quarteto, até certo nível se restringia a questões profissionais.
Roger Taylor afirmou que o pouco convívio fora da banda era o segredo para que os quatro permanecessem juntos. Mas com o passar dos anos, algumas colaborações conjuntas foram feitas. Após ''Stone Cold Crazy'', de Sheer Heart Attack, ''Under Pressure'' foi a segunda música da banda a ter créditos de todos os integrantes.
Durante a década de 80, John Deacon escreveu várias músicas junto com Freddie Mercury, como ''Cool Cat'' e ''Friends Will Be Friends''. Entre os quatro, o vocalista era o elemento da banda com quem possuía mais proximidade, e, embora não mantivesse muito contato fora do grupo, o cantor gostava muito de John.

Freddie e John

Freddie Mercury, em uma entrevista na década de 70, disse: ''Se Deus nos abandonar agora, o resto do grupo não vai fazer nada se John disser que está tudo bem''. Tido como o ''cérebro'' e por vezes lider em questões internas da banda, o músico aposentou-se logo após a morte de Freddie Mercury.
Assim como John e Freddie, Brian e Roger possuem uma longa parceria. Publicamente, Brian May disse que ''Roger Taylor é como um irmão, e dentro do Queen sempre foi o músico com o qual tenho mais proximidade''.
Em entrevista à Guitar World, Brian disse que, pelo fato de já integrarem outra banda anteriormente, os dois se identificavam mais. ''Nós fomos e somos como irmãos. Estávamos tão próximos em nossas aspirações e a forma como olhamos para a música, mas é claro que tão distante de muitas outras maneiras. Assim como quaisquer irmãos que se amam e odeiam coisas do outro ao longo de toda a vida''.
Em relação a Freddie Mercury, o guitarrista afirmou que o vocalista tinha a capacidade de fazê-lo ter a melhor performance em seu instrumento, de maneira que, em sua opinião, seus melhores momentos no Queen foram em composições de Freddie.

Aparentemente o clima entre eles era amistoso.

Em contrapartida, o relacionamento entre Roger Taylor e Brian May com John Deacon é praticamente inexistente. O baterista afirma que desde 1997 não possui contato com o baixista, e em uma entrevista ao The Independent, em 2013, disse que o músico é um sociopata.
Brian May disse, em 2014, para a Rolling Stone, que John deseja ficar sozinho em seu universo particular e que também não mantém contato com ele. O vocalista, por sua vez, afirmou que todos os integrantes tinham egos enorme, principalmente Roger.
Apesar de ser citado por grande parte da imprensa como o líder do Queen, Freddie Mercury detestava o título e afirmava que, no máximo, talvez era o integrante mais importante.
Assim como Brian, o músico considerava que a banda estava em total forma quando todos contribuíam, e cada um tinha um papel importante dentro do grupo. ''Se alguém deixar o Queen, qualquer um dos quatro, seria o fim do Queen. Somos quatro, mas como peças entrelaçadas que se igualam. E os outros, simplesmente não poderiam ter êxito sem os demais''.


RECONHECIMENTO E INFLUÊNCIA

O Queen foi uma das bandas de rock mais influentes e bem sucedidas, comercialmente falando. Com vendas estimadas de 150 a 300 milhões de discos, incluindo 34,5 milhões de unidades certificadas nos Estados Unidos, os três integrantes ainda vivos estão entre os músicos britânicos mais ricos.
Em 2013, com dados do jornal Sunday Times, Brian May estava classificado na vigésima segunda posição, com uma fortuna estimada em 95 milhões de euros, enquanto Roger Taylor na vigésima terceira, com 90 milhões de euros e John Deacon no trigésimo lugar, com 74 milhões de euros.
A revista Rolling Stone classificou o Queen na 51ª posição entre os ''The 100 Greatest Artists Of All Time''. A revista Q pôs o grupo entre as cinco maiores bandas de todos os tempos. O canal VH1, por sua vez, escalou a banda na 17 posição entre os maiores artistas de todos os tempos.


A música ''Bohemian Rhapsody'' foi eleito o single preferido pelos britânicos dos últimos 60 anos. A coletânea Greatest Hits é o álbum mais vendido no Reino Unido, com mais de cinco milhões de cópias comercializadas.
O Queen também recebeu várias premiações e indicações. Em 1990, receberam o prêmio Brit Awards na categoria ''Outstanding Contribuition To Music'', pelo trabalho feito pelo grupo durante a década de 80.
A banda foi introduzida ao Rock And Roll Hall Of Fame em 2001, todos os seus integrantes foram empossados ao Songwriters Hall Of Fame, em 2003. Em 2009, ''We Will Rock You'' e ''We Are The Champions'' foram introduzidas no Grammy Hall Of Fame, sendo que esta última foi considerada, em um estudo científico, como a música mais cativante e grudenta na história da música popular.
Sua música tem influenciado inúmeros artistas. James Hetfield, vocalista do Metallica, declarou-se fã da banda, e elogiou o ecletismo musical do Queen, afirmando que ''essa banda poderia fazer praticamente qualquer coisa''.
Outros artistas e bandas de rock como Iron Maiden, David Lee Roth, Dream Theater, Anthrax, Guns N' Roses, Def Leppard, Van Halen, Foo Fighters, The Darkness, Nirvana, Radiohead, Muse e artistas pop como George Michael, Lady Ga Ga (que tem esse apelido por causa de ''Radio Ga Ga'') e Katy Perry, citam como influência o Queen. 




Bem galera, era isso que eu tinha para comentar sobre a majestade, Queen, que muito colaborou para a criação de lindas músicas e nos proporcionou belos momentos ao embalo de suas gravações. Fiquem com mais do Queen em:

























































domingo, 24 de abril de 2016

QUEEN, A MAJESTADE DAS BANDAS - PARTE 3

Olá galera que está curtindo o Blog do Véio, esta é a terceira parte da minha postagem sobre a carreira dessa grande banda que é admirada no mundo todo. 


1983 - 1987: ATRITOS E POLÊMICAS

Em 1983, quase todos os integrantes do Queen se concentraram em projetos paralelos. Brian May gravou e lançou o Star Fleet Project, com a participação de Eddie Van Halen, além de trabalhar como produtor musical em alguns álbuns.
Freddie Mercury divulgou ''Love Kills'' como parte da trilha sonora do filme Metrópolis, que estava sendo relançado. A música em si tinha surgido nas sessões de The Game e estava inacabada.Roger Taylor, que em 1981 foi o primeiro a lançar um trabalho solo, Fun In Space, estava preparando seu sucessor, que seria Strange FrontierJohn Deacon foi o único a não produzir algo, pois acreditava que não havia nada a fazer no meio musical que não fosse o Queen, assim, concentrou-se no nascimento do seu quarto filho.
Nesta época, em entrevistas, devido aos materiais solo, eram questionados se estavam se separando. Freddie, por exemplo, disse que não, mas uma pausa temporária estava acontecendo. 
Freddie gravou três músicas neste período, num estúdio caseiro de Michael Jackson, para um projeto futuro de duetos entre os dois músicos. No entanto, as sessões nunca foram concluídas, e existem várias versões sobre o assunto.Uma delas é que, o uso de drogas de Freddie incomodava muito a Michael. Outra, que a lhama de estimação do artista irritou Mercury a ponto de desistir de gravar algo.


Logo, afirmaria que os dois se afastaram naturalmente por conta de agenda, e porque Michael se isolou dos contatos sociais. Duas das músicas seriam utilizadas em um futuro álbum solo de Michael Jackson, mas com a participação de Mick Jagger.
Naquele ano, John Deacon se reuniu com um diretor de vídeo, o qual queria que o Queen produzisse mais uma trilha sonora. Em nome da banda, o baixista aceitou, e com os demais integrantes, passou a trabalhar em novas músicas. No entanto, a idéia evoluiu para um álbum quando o diretor afirmou que não tinha recursos para investir no material.
Após o material ter sido escrito, os integrantes foram selecionar as músicas definitivas para The Works, e as músicas de Roger Taylor não agradaram nenhum deles. Freddie disse ao baterista para trabalhar em uma nova música, senão ficaria sem nenhuma para colaborar. Assim, Roger começou a escrever ''Radio Ga Ga'', que mais tarde se tornaria seu maior sucesso autoral na carreira do Queen.
No entanto, o relacionamento entre os integrantes ainda era tenso. Freddie aceitou gravar apenas por questões contratuais, pois estava desmotivado e reservado, não querendo contato com ninguém, se animando mais tarde. Em razão do extremo fracasso de Hot Space, era de consenso geral entre os quatro de que era necessário produzir um material mais condizente com a identidade já construída pelo Queen.
Brian May investiu em mais peso em sua guitarra, flertando com o heavy metal em ''Hammer to Fall'', enquanto Freddie construia baladas típicas como ''It's a Hard Life''. John Deacon, mais uma vez produzia seu material quieto, mas que seria um dos principais sucessos do Queen, ''I Want to Break Free''. No fim das contas, mesmo com uma série de atritos, o quarteto tinha o pensamento de que a banda era mais importante, ideia que os manteve unidos.


Após o lançamento, o trabalho recebeu críticas mistas e mesmo não repetindo a fórmula do disco anterior, continuou a vender pouco. Durante a turnê, as tensões de Freddie o fizeram perder muitos amigos, e teve problemas para se locomover, por ter sido ferido em uma briga em Nova Iorque.
No clipe de ''I Want To Break Free'', os membros da banda atuaram vestidos de mulher, em referência à série Coronation Street. O material que tinha um tom humorístico, foi bem recebido no Reino Unido, mas não nos Estados Unidos, onde foi interpretado de forma errada por alguns como apologia ao mundo gay. Os americanos são extremamente conservadores e existe muita homofobia no país. Como resposta, o Queen ignorou o país e nunca mais fizeram um show na América do Norte. Quem será que saiu perdendo?


Em outubro de 1984, a banda se apresentou em Sun City, próximo a Joanesburgo, na África do Sul. O país estava em pleno regime do apartheid, e foi recomendado para o Queen não tocar lá. 

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Um pouquinho de história no meio da carreira do Queen: apartheid, ou separação, foi um regime de segregação racial, onde a minoria branca mandava no país através de um partido político. Esse regime iniciou em 1948 e findou em 1994. Durante esse período, vejam só que ironia, um país de origem negra, mas onde os negros não podiam dividir o espaço com os brancos na maioria dos lugares. Houve muita revolta, muitas mortes (negras é claro!). Dois de seus maiores opositores na história sul africana foram Steve Biko (morto pelo regime) e Nelson Mandela, que foi prisioneiro político durante muitos anos e depois que o apartheid terminou, tornou-se o primeiro negro presidente do país. Bem, isso é só para vocês entenderem o que se seguiu. 

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Como represália, a imprensa criticou fortemente a atitude do quarteto, em tocar na África do Sul, em pleno regime de apartheid. Mas quando nenhum de seus integrantes foi chamado para participar da gravação de ''Do They Know It's Christmas?'' do projeto Band Aid, a situação desanimou muito o grupo, que até pensou em encerrar as atividades. Ao mesmo tempo, uma canção de natal do Queen era divulgada, ''Thank God, it's Christmas''.


Logo depois, no início de 1985 a banda voltou ao Brasil para participar da primeira edição do Rock In Rio, que aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A apresentação que reuniu aproximadamente 300 mil pessoas foi positiva, contendo no repertório músicas de todas as fases do Queen. ''Love Of My Life'' cantada, em grande parte pelo público, foi um dos momentos mais marcantes do Rock In Rio. Meses depois, era lançado Mr. Bad Guy, primeiro trabalho solo de Freddie Mercury.


A má situação do Queen perante a imprensa e público, começou a mudar quando Bob Geldof os convidou para participar de um evento beneficente chamado Live Aid, e o grupo viu ali como uma oportunidade de se redimir. No entanto, alguns fatos os incomodaram: apresentar-se durante o dia, e ter vários outros artistas e bandas tocando na mesma data.
David Bowie, The Who, Elton John e U2 eram alguns deles. Paul McCartney, por exemplo, retornaria aos palcos pela primeira vez após a morte de John Lennon. Mesmo com alguns impasses, aceitaram o desafio.
Concentrados em apresentar sucessos, em seus vinte minutos de apresentação tocaram ''Bohemian Rhapsody'', ''Radio Ga Ga'' (lembrada por suas palmas em uníssono), ''Hammer To Fall'', ''Crazy Little Thing Called Love'', ''We Will Rock You'', ''We Are The Champions'' e ''Is This World We Created?''. A apresentação que aconteceu as 18 horas no estádio de Wembley, foi considerada a mais memorável de todo o evento e melhorou a imagem da banda que, renovada, retomaria seu ânimo.


Impulsionados pelo sucesso do Live Aid, o grupo se reuniu em 1985 para compor e gravar novas músicas. ''One Vision'', de Roger Taylor, foi adaptada pelos demais, que também ganharam créditos. Ao mesmo tempo, receberam um convite para criarem uma trilha sonora para o filme de ação e fantasia Highlander, do qual surgiu ''Who Wants To Live Forever'', de Brian May e ''One Year Of Love'', de John Deacon, ambas com um arranjo de cordas criado por Michael Kamen, músico que trabalhou anteriormente com o Pink Floyd em The Wall e The Final Cut.
Ainda na mesma época, Freddie começou um relacionamento com um cabeleireiro irlandês chamado Jim Hutton, e o namoro do cantor com a atriz Barbara Valentin, que durou muitos anos, terminou. Ao mesmo tempo, uma nova doença, divulgada preconceituosamente como ''peste gay'', começava a se espalhar. Eram os primeiros indícios da AIDS.  Alguns amigos de Freddie começaram a morrer, e embora ainda não fosse portador da doença, muitos à sua volta a contrairam. Ao contrário do que poderia se pensar, Freddie não aumentou os cuidados na sua atividade sexual.
Em 1986, após a trilha sonora ser concluída, o Queen começou a gravar o novo álbum. O produtor David Richards gravaria algumas músicas juntamente com Brian e Roger no Mountain Studios, enquanto Mack faria o mesmo com Freddie e John em outro estúdio.


O trabalho individualizado, que já havia enfrentado problemas em Jazz, voltou em A Kind Of Magic. O trabalho se saiu mal nas paradas norte-americanas, e recebeu críticas, em grande parte negativas. A turnê de divulgação contou com uma estrutura complexa e o maior palco na carreira da banda, mas a chegada dos quarenta anos, os nódulos vocais, tabagismo e um estilo de vida pouco saudável, iam exigindo bem mais de Freddie, que ainda conseguia realizar as apresentações.
O final da turnê foi em agosto, em Knebworth Park, que reuniu aproximadamente 200 mil pessoas. Nesta época, John Deacon teve crises imprevisíveis, em Knebworth em especial, o baixista quebrou seu instrumento com seu amplificador, uma atitude que nem o próprio músico conseguia explicar. Foi o último show do Queen com sua formação clássica.


1988 - 1991: OS ÚLTIMOS ANOS DE FREDDIE

Após o fim da turnê de A Kind Of Magic, Brian May começou a trabalhar com um futuro álbum solo. Freddie fez o mesmo, lançando o single de ''The Great Pretender''.
Após uma série de elogios e aproximações, o cantor produziria um disco, de título Barcelona, juntamente com a cantora de ópera Montserrat Caballé, da qual era fã e em 1992 planejavam cantar juntos na estréia dos Jogos Olímpicos. Entretanto, entre abril e maio de 1987, Freddie foi diagnosticado com o vírus da AIDS, fato que bagunçou todos os planos do vocalista que, a princípio, manteve o quadro em segredo.
Roger Taylor decidiu fundar uma nova banda, chamada The Cross e John Deacon fez gravações com Elton John, Cozy Powell e também fundou um grupo, chamado The Immortals, que chegou a lançar apenas um single.
Em janeiro de 1988, o grupo se reuniu em Londres para definir que, a partir daquele momento o futuro repertório inédito do Queen seria creditado a todos, independentemente de seus reais compositores, para evitar decisões guiadas pelo ego ou ganância.
Assim, os quatro também trabalhariam juntos novamente no estúdio. Freddie se desdobrava entre as sessões do futuro álbum com as gravações de Barcelona, enquanto, oficialmente não se pronunciava sobre sua doença para seus colegas de trabalho. No entanto, em certo momento os músicos já sabiam, exceto o produtor David Richards, que pensava que ele estivesse com câncer.
No mesmo período, Brian passava por um momento turbulento em sua vida pessoal, que estava cada vez mais traumática e já apresentava sinais de depressão. Assumiu publicamente seu relacionamento com Anita Dobson, separou-se da sua esposa e de seus filhos e em junho de 1988, perdeu seu pai.


No entanto, há participação intensa de Brian no álbum. ''I Want It All'', o primeiro single do álbum, tornou-se um dos maiores sucessos do Queen. The Miracle estreou no primeiro lugar nas paradas do Reino Unido, e nos Estados Unidos teve um desempenho regular, embora superior à Kind Of Magic.
A mídia especializada, em geral teve opiniões mistas a positivas, sendo considerado um álbum mais orientado ao rock que a banda fazia anteriormente. Sobre o projeto, Roger Taylor considerou que ''era o melhor álbum do Queen em dez anos, facilmente''.
Ao lançar o single ''I Want It All'' em abril de 1989, a banda anunciou que não faria turnê do álbum. Freddie afirmou que queria quebrar o ciclo que faziam desde o início da carreira.
Os clipes gravados para as músicas de trabalho foram mais complexos do que os anteriores, utilizando vários recursos que diminuissem o foco em Freddie.


Nestes, o cantor deixou a barba crescer, o que o ajudou a esconder os sinais do Sarcoma de Kaposi em sua pele. No último video gravado, da música ''The Miracle'', o quarteto teve a ideia de contratar atores mirins para atuar, com o grupo aparecendo no final.
Freddie, nestas imagens pareceu mais envelhecido e fraco do que na última turnê. Brian e Roger ficaram responsáveis por promover o trabalho, e negaram todos os boatos sobre uma possível doença de Freddie Mercury.
Poucos meses depois do lançamento de The Miracle, Freddie voltou sozinho ao estúdio para produzir músicas. Foi nessa época que o cantor revelou aos seus colegas ser portador do vírus da AIDS, em uma reunião formal.
O diagnóstico entristeceu e arrasou com os demais integrantes, que estiveram dispostos a trabalhar num futuro álbum, pelo pouco tempo de vida que Freddie ainda poderia ter. O cantor pediu para que ninguém contasse sobre o vírus, fato que fez a banda criar uma espécie de escudo protetor sob o vocalista. O repertório conteve algumas músicas que sobraram de Barcelona, The Miracle e músicas que anteriormente estavam destinadas ao futuro trabalho solo de Brian May.
As gravações, no início foram intensas, durando semanas ininterruptas. Porém, quando o Queen foi receber o Brit Awards, Freddie Mercury estava com uma aparência ainda mais diferente.
Com uma roupa folgada, cabelo ralo e barba espessa, apenas agradeceu, enquanto Brian May fez o discurso. O ocorrido só fez aumentar as especulações de que Freddie estava doente, e foi sua última aparição pública.
O single ''Innuendo'' foi lançado em janeiro de 1991 e, por causa do estado frágil de Freddie, a banda resolveu fazer um clipe com ilustrações. Cada ação para preservar o silêncio do artista era questionada pela imprensa, mas os músicos negavam tudo.


O álbum, distribuído no início daquele ano teve a mesma recepção de The Miracle, diferenciando-se pelo fato de que a mídia especializada destacava as letras mais sérias e reflexivas.
Nas divulgações públicas do trabalho, apenas Brian e Roger participavam, e a falta de John e Freddie era sempre notada. Mas foi no clipe de ''These Are The Days Of Our Lives'' que evidenciou a fraqueza do cantor, que mal podia se mover por causa de uma lesão no pé. O último recado vindo do Queen, foi a música "The Show Must Go On", que literalmente é, "o show tem que continuar". Mas sem Freddie, pois o clipe foi uma montagem com os demais feitos pela banda, já que ele estava muito enfraquecido, impossibilitado para se movimentar.
Nos últimos meses de sua vida, Freddie preferiu cercar-se de pessoas nas quais confiava, como Mary Austin, sua ex-noiva, seu namorado Jim Hutton (o qual tinha descoberto também ser soropositivo), Mike Moran, Dave Clark, e seu motorista Terry Giddings. Seu testamento, feito pouco após seu aniversário, renderia muitas surpresas.
Mesmo temeroso sobre os efeitos que teria, caso assumisse a doença, Freddie pensou que era a melhor hora. O estigma da AIDS, como uma doença gay tinha diminuído, mas a principal preocupação do cantor estava no impacto que poderia causar às famílias de amigos próximos, principalmente as dos demais integrantes do Queen.
O comunicado foi divulgado um dia antes de sua morte: ''Seguindo a enorme comoção da mídia nas últimas duas semanas, eu gostaria de confirmar que fui testado como soropositivo e tenho AIDS. Eu senti que era melhor manter isso privado até agora para proteger a mim e àqueles ao meu redor. No entanto, chegou a hora de meus amigos e meus fãs saberem a verdade, e espero que todos se juntem a mim e aos meus médicos na luta contra essa terrível doença. Minha privacidade sempre foi importante para mim e sou famoso por minha falta de entrevistas, por favor, entendam que essa política continuará''.
Seu funeral aconteceu em Londres três dias depois, assistido por trinta e cinco pessoas, incluindo a família de Freddie, os integrantes e o empresário do Queen, Mary Austin, Jim Hutton e poucas outras pessoas.
O corpo do cantor foi cremado e suas cinzas foram entregues a Mary Austin, sendo que apenas ela, a família do cantor e os integrantes do Queen sabem onde as cinzas foram depositadas, e nunca revelarem seu paradeiro. Mary ficou com a maior parte da herança do cantor.


Mas este que seria o fim de uma banda, foi apenas mais uma pausa, para reiniciar com aqueles trabalhos que ficaram inacabados. Mas isso é assunto para a próxima postagem, a quarta parte sobre a carreira da banda Queen. Fiquem com mais do Queen e de Freddie Mercury em carreira solo, em:







































































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