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domingo, 10 de abril de 2016

O Camaleão David Bowie - Parte 2

Olá galera que curte o Blog do Véio! Eu disse que seria rápido a postagem da segunda parte do Camaleão. Nessa fase, pesadíssima, diga-se de passagem, o camaleão flertou com drogas pesadas e ... Leiam e vejam como ele enfrentou essa fase.


Ziggy Stardust

Em sua tentativa musical seguinte, Bowie desafiou, nas palavras do biógrafo David Buckey, “a crença central da música rock de sua época” e “criou, provavelmente, o maior culto da cultura popular”. Vestido com um traje notável, seus cabelos tingidos de vermelho, e o rosto e os lábios fortemente maquiados, Bowie inaugurou a apresentação de Ziggy Stardust com a banda The Spiders From Mars, Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, num pub chamado Toby Jug, em Tolworth, em 10 de fevereiro de 1972.

A apresentação foi um sucesso e o levou ao estrelato. Ziggy And The Spiders
From Mars viajaram pelo Reino Unido ao longo dos próximos seis meses e disseminaram um “culto a Bowie” que “era único, sua influência durou mais tempo e tem sido mais criativa do que talvez quase todas as forças dentro da cultura pop”.Combinando elementos do hard rock de The Man Who Sold The World com o rock mais leve e experimental de Hunky Dory, o disco The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) foi lançado em junho. “Starman”, divulgada como a música principal do álbum, fez com que o Reino Unido focasse todos seus olhos em Bowie. Ambos, o single e o LP atingiram o topo rapidamente após sua performance da música ser apresentada em julho no Top Of The Pops. O álbum, que permaneceria nas paradas por dois anos, logo se juntou ao Hunky Dory, que agora fazia seis meses de idade. Ao mesmo tempo, as músicas “John, I’m Only Dancing” e “All The Young Dudes”, escritas e produzidas para Mott The Hoople, tornaram-se sucesso em seu país de origem. A Ziggy Stardust Tour continuou pelos Estados Unidos.

David Bowie contribuiu com back vocals no álbum solo Transformer (1972) de

Lou Reed, co-produzindo o disco com Mick Ronson. O álbum Aladdin Sane (1973), que ainda trazia o glam rock à tona, atingiu o primeiro lugar no Reino Unido, tornando-se seu primeiro álbum a alcançar tal posição. Descrito pelo próprio Bowie como “Ziggy vai à America”, contém músicas que ele escreveu durante a viagem aos Estados Unidos, que depois continuou pelo Japão para promover o novo álbum de 1973. Aladdin Sane foi o primeiro álbum de Bowie realizado quando ele já era, de certa forma, conhecido como pop star, e trouxe outros sucessos, como “The Jean Genie”, “Drive-In Saturday” e “Let’s Spend The Night Together”, cover dos Rolling Stones.


Seu amor em atuar o fez emergir em personagens criados para suas músicas. “Fora dos palcos sou um robô. No palco eu adquiro emoção. Provavelmente por isso que prefiro vestir-me como Ziggy do que como David”. Porém, com a satisfação, vieram graves dificuldades pessoais: atuando como a mesma pessoa por um longo período, tornou-se impossível separar Ziggy Stardust e, mais tarde, o Thin White Duke de sua própria pessoa nos bastidores. Ziggy/Bowie disse certa vez: “não me deixava sozinho durante anos. Foi quando tudo começou a azedar... Minha própria personalidade como um todo havia sido afetada. Tornou-se muito perigoso. Eu realmente tinha dúvidas sobre minha própria sanidade”.

Suas apresentações tardias como Ziggy, que incluíam músicas do disco Ziggy Stardust bem como do Aladdin Sane, eram ultrateatrais, muitas vezes utilizando elementos da mímica aprendida antes com Lindsay Kemp, e cheias de momentos chocantes, em cenas nas quais Bowie simulava um sexo oral na
O "famoso" sexo oral com a guitarra.
guitarra de um Mick Ronson elétrico. David Bowie viajou e deu conferências de imprensa como Ziggy antes de uma abrupta e dramática “aposentadoria” dos palcos no Hammersmith Odeon, Londres, em 03 de julho de 1973. Foram realizadas filmagens desse evento final e histórico, e lançadas em 1983 como Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, dirigido por D. A. Pennebaker.

Depois de romper a união bem-sucedida com os Spiders From Mars, Bowie tentou deixar Ziggy para trás. Seu catálogo anterior aos sucessos de 1972 estavam sendo cada vez mais requisitados: The Man Who Sold The World foi relançado em 1972, junto com Space Oddity. “Life On Mars”, de Hunky Dory, é lançado em junho de 1973 e chegou à terceira posição na U.K. Singles Chart. Em setembro do mesmo ano, “The Laughing Gnome”, gravado originalmente em 1967, atingiria a quarta posição. Pin Ups, coleção de covers de suas músicas
preferidas da década de 60, foi lançado em outubro de 1973, e trouxe o hit “Sorrow”, que alcançou a primeira posição, dando a Bowie o crédito de artista mais vendido no Reino Unido em 1973. Também cresceram a vendagem de seus álbuns anteriores, que chegaram, juntos à sexta posição no U. K. Chart.

Soul, Funk e o Thin White Duke (1974 – 1976)

Bowie mudou-se para os Estados Unidos em 1974, hospedando-se em Nova Iorque antes de se estabelecer em Los Angeles. Diamond Dogs (1974),
álbum que o encontrou dividido entre o funk e o soul, derivou-se de duas ideias distintas: um musical baseado num futuro selvagem e sediado numa cidade pós-apocalíptica e a tarefa de musicar o livro 1984 de George Orwell. O disco alcançou a primeira posição no Reino Unido e a quinta nos Estados Unidos, gerando os sucessos “Rebel Rebel” e “Diamond Dogs”. Para promove-lo, Bowie lançou a Diamond Dogs Tour, visitando cidades da América do Norte entre junho e dezembro de 1974.

Com coreografias de Toni Basil, e ricamente produzido com elementos teatrais e efeitos especiais, a produção de alto orçamento foi filmada por Alan Yentob. O resultado dessas imagens foi o documentário Cracked Actor, apresentando um Bowie pálido e magérrimo: de fato, a turnê coincidiu com o fato do cantor em usar constantes doses de cocaína, que o afetou com debilidades físicas graves, paranoias e problemas emocionais. Mais tarde Bowie comentaria que

seu primeiro álbum ao vivo, David Live (David ao vivo, em  1974), deveria se chamar “David Bowie Está Vivo e Bem e Vivendo Apenas na Teoria”. David Live, no entanto, solidificou seu status de superstar, e alcançou a segunda posição no Reino Unido e a oitava nos Estados Unidos. Depois de uma curta pausa na Filadélfia, onde David Bowie também gravou novo material, a turnê recomeçou com um novo destaque para a música soul.


O fruto dessas sessões de gravação na Filadélfia foi o disco Young Americans (1975). O biógrafo Christopher Sandford comenta: “Ao longo dos
anos, a maioria dos roqueiros britânicos tentaram, de uma forma ou outra, tornarem-se negros por extensão. Poucos tinham se sucedido tão bem como David Bowie”. A levada do álbum, que o cantor chamou de plastic soul, constituiu uma mudança radical no estilo, que, inicialmente, alienou muitos de seus devotos do Reino Unido. Young Americans trouxe a primeira música de Bowie a atingir a primeira posição nos Estados Unidos, “Fame”, escrita juntamente com John Lennon, que também contribuiu com backing vocals, e Carlos Alomar. Distinguindo-se como um dos primeiros artistas brancos a aparecer no programa de variedades americano Soul Train, Bowie cantou “Fame” e “Golden Years”, seu single de outubro. O disco foi um sucesso comercial nos estados Unidos e no Reino Unido e, aproveitando tal prestígio, as gravadoras relançaram “Space Oddity” de 1969, que veio a ser a primeira música do artista a atingir a primeira posição no Reino Unido, meses depois de “Fame” alcançar o mesmo nos Estados Unidos.

Embora seu estrelato nessa época estivesse melhor estabelecido, Bowie só existia essencialmente quando podia mudar e surpreender, mesmo com as vendas estabelecidas de suas gravações (na época, mais de um milhão de cópias só do álbum Ziggy Stardust). Em 1975, ecoando o desentendimento amargo que teve com Kein Pitt cinco anos antes, Bowie demitiu seu novo empresário. No auge do conflito que se seguiu em meses de duração na justiça, assistiu, como descreve o biógrafo Christopher Sanford, “milhões de dólares de seus ganhos futuros serem entregues a DeFries em termos excepcionalmente generosos”, e então “trancafiou-se na West 20th Street, onde por uma semana seus gritos podiam ser ouvidos através da porta do sótão trancado. “Michael Lippman, seu advogado durante as negociações, tornou-se também seu mais novo empresário. Lippman, por sua vez, receberia uma compensação significativa depois de também ser demitido por Bowie, no ano seguinte.

Station to Station (1976) apresentava uma nova persona, o “Thin White Duke” do título principal. Visualmente, era uma extensão de Thomas Jerome
Newton, o extraterrestre que ele retratou no filme The Man Who Fell to Earth do mesmo ano. Desenvolvendo o funk e o soul de Young Americans, este novo disco também sintetizaria a música de seus próximos lançamentos. Trazia um Bowie interessado em misticismo e na Cabala. Sua dependência tóxica tornou-se pública quando Bowie foi entrevistado por Russel Harty no programa London Weekend Television, numa antecipação da turnê do álbum. Pouco antes da entrevista propagada via satélite começar, era anunciada a morte do ditador espanhol General Franco. Pediram para que Bowie abandonasse a reserva do satélite a fim de que permitisse que o governo espanhol transmitisse notícias sobre o ocorrido. Recusou-se a fazê-lo, e sua entrevista continuou. Na conversa em que se seguiu, conforme descrito pelo biógrafo David Buckley, “o cantor não deu nenhum sentido àquela que foi uma entrevista bastante extensa. Bowie parecia completamente desconexo e mal conseguia pronunciar uma frase coerente”. Sua sanidade tornou-se distorcida pela cocaína e ele sofreu overdoses durante todo o ano, além de emagrecer fisicamente de maneira alarmante.

O lançamento de Station to Station aconteceu em janeiro de 1976 e foi seguido em fevereiro por uma turnê de três anos e meio pela Europa e America do Norte. Apresentando todas as faixas do disco, a Isolar – 1976 Tour, também destacou as músicas do álbum, incluindo a dramática e longa “Station to Station”, faixa-título do álbum e as baladas “Wild Is The Wind” e “Word On a Wing”, além dos funks “TVC 15” e “Stay”.

A banda que tocou no disco e na turnê era formada pelo guitarrista Carlos Alomar, do baixista George Murray e do baterista Dennis Davis, que continuariam como unidade estável e criativa pelos próximos anos da década. A turnê foi bem sucedida, mas foi cercada por controvérsias políticas. Em Estocolmo, foi creditada a Bowie a frase de que “a Grã-Bretanha poderia beneficiar-se de um líder fascista” e posteriormente ele foi preso pela alfândega na fronteira Rússia-Polônia por posse de parafernálias nazistas.

Nessa época, também ocorreu o “incidente da Estação Victoria”. O que foi
isso: chegando num conversível Mercedes-Benz, Bowie acenou para a multidão em um gesto que alguns alegaram ter sido a saudação nazista, e cuja fotografia foi tirada e publicada na News Musical Express. Bowie afirmou tempos depois que o fotógrafo simplesmente havia o pegado acenando, declaração apoiada pelo então jovem Gary Numan, que estava entre a multidão naquele dia. “Pense nisso: se um fotógrafo tira uma foto de alguém acenando, você vai ter uma saudação nazi no final do movimento de cada braço. Tudo que você precisa é algum idiota num jornal de música ou algo do tipo para fazer uma matéria sobre isso...”. 


Mais tarde, o músico também se arrependeu por seus comentários pró-fascismo e seu comportamento durante o período de vícios e do caráter do Thin White Duke. Disse: “Eu estava fora da minha mente, totalmente enlouquecido. As únicas coisas das quais eu estava ligado eram mitologia... aquela coisa toda sobre Hitler e o Direitismo... Eu descobri o Rei Artur...”. De acordo com o dramaturgo Alan Franks, escrevendo mais tarde no The Times, “ele realmente estava demente” e teve experiências muito ruins com drogas pesadas.

Bem por enquanto era isso. Na próxima postagem, a terceira parte da vida do camaleão David Bowie. Até lá e, fiquem com mais de Bowie em:


















































O Camaleão David Bowie - Parte 1

Olá galera que acompanha o Blog do Veio! É muito bom estar de volta e saber que vocês sentiram a falta de informações e curiosidades sobre o mundo da música. Nesta postagem continuarei falando sobre as perdas no mundo musical, desta vez falando sobre um importante personagem desse mundo maravilhoso da música, que nos deixou em janeiro, o camaleão David Robert ‘Bowie’ Jones.



DAVID BOWIE, UM CAMALEÃO MUSICAL

Nascido em Brixton, Londres, em 08 de janeiro de 1947, sob o nome David Robert Jones, foi um cantor, compositor, ator e produtor musical inglês. Muitas vezes foi referido como “Camaleão do Rock” pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tendo sido um artista importante para a música pop nestes 50 anos e é considerado um dos músicos mais inovadores e, ainda, influente de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 70 e 80, além de se diferenciar por possuir um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.

SEUS PRIMEIROS PASSOS NO MUNDO 
ARTÍSTICO (1947 – 1962)

David morou numa Londres, que, segundo seu vizinho, na década de 40 era o pior lugar para uma criança nascer. Desde cedo descobriu-se que David tinha talento para cantar, por isso o colocaram em um coral. Lá, sua voz foi considerada “adequada” no coral da escola, onde ele demonstrou uma capacidade musical acima da média. Aos nove anos foi inserido no método educativo de escutar sons e dançar, e sua dança agradou aos professores, que o achavam “vividamente artística” e sua postura “surpreendente” para uma criança. Claro, David vivia a música que escutava e a dança era consequência.

Neste mesmo ano, seu interesse pela música cresceu quando seu pai trouxe
para casa discos de vinis de uma coleção americana com músicas cantadas por Frankie Lymon & The Teenagers, The Platters, Fats Domino, Elvis Presley e Little Richard. Ao ouvir Richard cantar “Tutti Frutti”, Bowie diria mais tarde: “Eu tinha escutado a voz de Deus”. Da mesma forma, o impacto de Elvis em sua vida também foi imediato: “Eu vi uma prima minha dançar “Hound Dog” e eu nunca tinha visto ela se levantar e se mover tanto por nada. Realmente me impressionou, o poder da música. Comecei a procurar discos depois disso”. Depois disso, sua empolgação foi tanta que ele começou a aprender novos instrumentos, além de piano, enquanto isso se apresentava para seus amigos escoteiros fingindo ser Elvis e Chuck Berry e sua presença no palco era descrita como “fascinante ...como alguém de outro planeta”.
David estudou arte, música e desenho. Mais tarde seu meio-irmão por parte de mãe o apresentou ao jazz moderno e seu entusiasmo por instrumentistas como Charles Mingus e John Coltrane levou sua mãe a lhe dar um saxofone alto em 1961. Não demorou para que o garoto recebesse aulas de um músico local.
 Em 1962, metido em uma briga por conta de uma garota, recebeu um ferimento grave na escola, quando o amigo George Underwood lhe deu um forte soco no olho esquerdo, usando um grande anel no dedo. Os médicos temiam que ele viesse a perder parcialmente a visão. Foi forçado a ficar fora da escola para uma série de operações durante uma internação de quatro meses. O dano não pôde ser totalmente reparado, deixando-o com a percepção deficiente e com a pupila permanentemente dilatada (tempos depois isso tornaria-se sua marca pessoal, que embora tenha os dois olhos azuis, aparenta ter um olho de cada cor, fenômeno conhecido por heterocromia. Alguns acreditavam que seu olho fosse de vidro, mas, na realidade, o problema em seu olho é chamado de anisocoria, que, no seu caso, o deixou com a pupila permanentemente dilatada). Apesar da briga violenta, Underwood e David continuaram amigos, e Underwood passou a cuidar da parte artística dos primeiros discos de David.

OS KON-RADS E OS RIOT SQUADS (1962 – 1968)

Em 1962, David formou sua primeira banda, aos 15 anos de idade. Os Kon-rads tocavam guitarra baseados no rock and roll em festas jovens e casamentos, e tinham uma formação que variava entre quatro e oito membros, entre eles Underwood. Ao deixar a escola técnica no ano seguinte, David informou a seus pais o seu sonho de tornar-se uma estrela do rock. Não demorou muito para sua mãe arranjar um emprego de ajudante de eletricista para David. Frustrado pelas limitadas aspirações que seus colegas de banda tinham, David deixou a Kon-rads e formou outra banda os King Bees.

David escreveu uma carta a um empresário inglês bem-sucedido, chamado John Bloom, que trabalhava com máquinas de lavar, convidando-o a “fazer por nós o que Brian Epstein fez pelos Beatles, e fazer mais um milhão”. Bloom não respondeu à oferta, mas encaminhou o convite à Leslie Conn, parceiro de Dick James, que o contratou, fazendo dessa a primeira gestão pessoal do artista. Leslie Conn logo começou a promover o trabalho de David.
O primeiro single do cantor, “Liza Jane”, creditado à David Jones e os King Bees, não alcançou nenhum sucesso comercial. Desapontado com os King Bees e o repertório blues de Howlin’ Wolf e Willie Dixon, David deixou a banda e menos de um mês entrou para a Manish Boys, banda com levada blues, mas que também incorporava elementos do folk e soul: “Eu costumava sonhar em ser o Mick Jagger deles”, recordaria David anos mais tarde. “I Pity The Fool” não teve sucesso maior que “Liza Jane”, e não demorou para que David mudasse novamente de grupo, dessa vez entrando para o Lower Third, trio de blues fortemente influenciado por The Who. “You’ve Got a Habit Of Leaving” não se saiu melhor que as outras e marcou o fim do contrato com Leslie Conn.
Apesar de mais uma vez estar decepcionado, David continuou no Lower Third. Seu novo empresário, Ralph Horton, seria uma figura importante em sua transição para artista solo mais tarde, e também o apoiou quando David mudou-se para outro grupo, o Buzz, cuja música “Do Anything You Say” foi um verdadeiro fracasso. Enquanto era contratado pela Buzz, David entrou em 1967 para a Riot Squad. As gravações desse novo grupo incluíam músicas escritas por David e covers do Velvet Underground, nunca foram lançadas. Ken Pitt, apresentado por Ralph Horton, passou a ser o novo empresário de David.
Agora vocês irão entender porque até agora eu só o chamei de David.
Insatisfeito com seu nome artístico, na época Davy (e Davie) Jones, que em meados da década de 60, causava confusão com o ator Davy Jones do The Monkees, o jovem músico renomeou seu nome artístico, baseado em um americano do século XIX, chamado Jim Bowie e também à faca que ele popularizou. Seu nome também pode ser uma referência ao personagem David Bowman de 2001: A Space Odyssey (2001, Uma Odisseia no Espaço), famoso filme que inspirou a música “Space Oddity”.
Seu single “The Laughing Gnome”, lançado em abril de 1967, utilizava os vocais acelerados ao estilo do The Chipmunks, mas não obteve sucesso comercial. David Bowie, seu álbum de estréia, lançado seis semanas depois, é uma mistura de pop, folk, psicodelia e music hall, mas teve o mesmo destino que suas tentativas anteriores. David Bowie não lançou mais nada por dois anos.

Seu fascínio pelo bizarro reforçou-se com o encontro de Bowie como dançarino Lindsay Kemp, como disse o próprio David: “Eu vivia em suas emoções, foi uma influência maravilhosa. Sua vida cotidiana era a coisa mais teatral que eu já tinha visto. Era tudo o que eu pensava sobre boemia. Entrei para o circo.” Kemppor sua vez lembrou: “Eu não o ensinei a ser um artista mimico, mas a botar para fora o que ele era ... Eu o ativei para liberar o anjo e o demônio que estavam em seu interior”.
Estudando artes dramáticas com Kemp, do teatro avant-garde e da mímica a commedia dell’arte, Bowie ficou imerso na criação de personagens para apresentar ao mundo. Satirizando a vida numa prisão britânica, a música de 1967 “Over The Wall We Go” tornou-se um single na voz de Paul Nicholas. Outra composição de Bowie, chamada “Silly Boy Blue”, foi realizada por Billy Fury no ano seguinte.
Bowie começou a namorar Hermione Farthingale quando ela foi escalada junto a ele por Kemp para um minueto poético. Logo,ambos os amantes se mudaram juntos para um apartamento em Londres. Tocando violão, ela formou um grupo com Bowie e o baixista John Hutchinson. Entre setembro de 1968 e início de 1969, quando David e Hermione rompiam, o trio dava um pequeno número de concertos, combinando folk, beat music, poesia e mímica (coisa louca!).

DO FOLK PSICODÉLICO AO GLAM – DE SPACE ODDITY 
AO HUNKY DORY (1969 – 1973)

Devido à falta de sucesso comercial, David Bowie se viu obrigado a tentar ganhar a vida de formas diferentes. Uma dessas foi gravar um comercial para a empresa de sorvetes Lyons Maid, que, foi rejeitado por outro do Kit Kat.
Em 1969, foi realizado o filme de 30 minutos Love You Till Tuesday, criado como uma maneira para promover o cantor com apresentações de seu repertório. Apesar de não ter sido lançado até 1984, as sessões de filmagem em janeiro daquele ano levaram a um sucesso inesperado, quando Bowie disse aos produtores: “Eu tenho uma nova música para esse filme de vocês”. Bowie gravou uma demo da música que o ajudaria a dar um salto na carreira, através do sucesso comercial. “Space Oddity” foi lançada meses depois, para coincidir com o primeiro pouso na lua.

Rompendo seu namoro com Hermione Farthingale logo após o término do filme, Bowie mudou-se com Mary Finnigan como seu inquilino. Nesta época, continuava sua divergência do rock and roll e do blues, iniciada por seu trabalho com Hermione e, por isso, juntou forças com ela, com Christina Ostrom e Barrie Jackson para conduzir um clube de folk nas noites de domingo no pub Three Tuns, na High Street, em Becknham. Este logo se transformou em Beckenham Arts Lab e ficou extremamente popular.
O Beckenham Arts Lab organizou um festival livre num parque local, mais tarde imortalizado por Bowie na música “Memory Of a Free Festival”. Realizado em 11 de julho, cinco dias antes do lançamento da Apollo 11, “Space Oddity” ficou em 5º lugar no Top do Reino Unido. Seu segundo disco, Space Oddity, realizado em novembro, foi lançado no Reino Unido com o nome de David Bowie, o que causou certa confusão com o disco antecessor de mesmo nome, e o lançamento nos Estados unidos foi antecipadamente intitulado Man Of Words / Man Of Music. Na época de seu lançamento, não obteve sucesso comercial, mesmo com suas letras filosóficas de um mundo pós-hippie sobre paz, amor e moralidade, e um som de folk rock acústico reforçado pelo rock pesado.

David Bowie conheceu Angela Barnett em abril de 1969 e casaram um ano depois. A influência dela sobre ele foi imediato e o envolvimento dela em sua carreira teve uma força enorme, deixando o empresário Kein Pitt em desvantagem, com uma influência limitada. Estabelecido como artista solo após “Space Oddity”, Bowie sentia falta de algo: “uma banda em tempo livre para apresentações e gravações, pessoas, enfim, com as quais ele poderia se relacionar pessoalmente”. A falta se agravou quando Bowie teve uma rivalidade artística com Marc Bolan, na época seu guitarrista de estúdio.
Uma banda foi devidamente montada com Tony Visconti, no baixo que convidou John Cambridge, baterista que Bowie conheceu no Arts Lab e Mick Ronson, na guitarra elétrica. Após uma desastrosa apresentação sob o nome de The Hype, o grupo foi reconfigurado, agora apresentando David Bowie como artista solo. O trabalho inicial da banda ficou marcado por um desentendimento acalorado entre Bowie e Cambridge sobre o estilo de tocar bateria do segundo. Quando a discussão chegou em seu ponto mais estressado, Bowie soltou: “Você está fudendo meu álbum”. Cambridge deixou o grupo e foi substituído por Mick Woodmansey. Pouco tempo depois, ocorreu um ato que resultaria em anos de litígio: Bowie viu-se forçado a pagar indenização a Kein Pitt, e por isso o demitiu. Tony Defries ficou no lugar de Pitt.
As sessões de estúdio resultaram em seu terceiro disco, The Man Who Sold The World (1970), caracterizado pelo som de rock pesado de sua nova banda e que marcou claramente o afastamento do violão e do estilo folk estabelecido em Space Oddity. Para promover o álbum nos Estados Unidos, a Mercury Records financiou uma turnê de divulgação em que Bowie, entre janeiro e fevereiro de 1971, foi entrevistado por emissoras de rádio e mídia.

Explorando sua aparência andrógina, a capa original da versão britânica mostra o cantor com cabelos longos e um vestido: ele o utilizou durante as entrevistas, para a aprovação dos críticos, incluindo John Mendelsohn da Rolling Stone. Mendelsohn o descreveu da seguinte forma: “deslumbrante, quase desconcertantemente, lembra Lauren Bacall”. Nas ruas, a reação das pessoas variava entre o riso e a surpresa, até que um dos pedestres abordou Bowie com um revólver e lhe disse: “beije minha bunda”, uma expressão que o americano do norte usa para demonstrar surpresa, mas que este levou muito ao pé da letra.
Durante a viagem, Bowie conheceu o trabalho de dois americanos proto-punks que foram importantes e que o levaram a desenvolver o conceito que formaria mais tarde a personagem Ziggy Stardust: a fusão da personalidade de Iggy Pop com a música de Lou Reed, ambos elementos que o fizeram produzir “o último ídolo pop”.
Uma amiga recordou seu hábito de “rabiscar notas em guardanapos, sobre uma estrela do rock doida chamada Iggy ou Ziggy”, e, retornando à Inglaterra, declarou a intenção decriar uma personagem “que parecesse ter chegado de Marte”.

No álbum Hunky Dory (1971), Visconti, seu produtor e baixista, foi substituído
de ambos os papéis por Ken Scott e Trevor Bolder, respectivamente. O álbum testemunhou o retorno parcial do cantor de Space Oddity, com músicas como “Kooks”, escrito para seu filho, Duncan Zowie Haywood Jones, nascido em 30 de maio. Os pais escolheram seu apelido, Kooky. O menino seria conhecido como Zowie pelos próximos 12 anos, por conta do significado da palavra em grego zoe,  vida. Por outro lado, o álbum também explorou temas sérios, e homenageia algumas de sua influências musicais, nas músicas “Song For Bob Dylan”, “Andy Warhol”, e “Queen Bitch” (referência ao som do Velvet Underground). O disco, na época, não alcançou sucesso comercial.

Bem pessoal, esta foi a primeira parte da história deste incrivel camaleão, que, reconheço, estou conhecendo muito dela agora que escrevo para vocês. Logo em seguida postarei a segunda parte. Até lá e fiquem com mais de David Bowie em:

















quarta-feira, 30 de março de 2016

Glenn Frey & The Eagles

Salve galera que curte o Blog do Véio! Após 4 meses sem poder postar nada, em virtude de problemas técnicos de grandeza infinitamente superior à minha vontade de escrever e informar aqueles que gostam de ler e saber mais sobre as curiosidades dos artistas e bandas preferidas, estou cheio de vontade de publicar muitos assuntos que ficaram pendentes nesse longo período de “hibernação”.
Como não poderia passar em vão, iniciarei fazendo uma homenagem aos ídolos que fizeram sua passagem nesse final de 2015, início de 2016. Na primeira parte, irei comentar sobre Glenn Frey e a banda The Eagles.

GLENN FREY


Glenn Lewis Frey, nascido em Detroit, em 06 de novembro de 1948 foi um músico, cantor, ator e compositor norte-americano. Conhecido mundialmente, por ser um dos fundadores da banda The Eagles, juntamente com Don Henley, Randy Meisner e Bernie Leadon, em 1971, em Los Angeles, na California.

COMO TUDO COMEÇOU

Em 1971, Linda Ronstadt e John Boylan contrataram os músicos Glenn Frey (guitarra) e Don Henley (bateria) para fazer parte da banda de apoio de Linda. Bernie Leadon (guitarra e vocais) e Randy Meisner (baixo) se juntariam ao grupo para fazer a turnê de verão. O grupo tocariam apenas uma vez juntos, ao vivo, como banda de apoio à Linda, em um concerto na Disneylândia, em julho daquele ano.
Após este período e, com o incentivo de Linda Ronstadt, eles decidiram formar sua própria banda, assinando em um selo novo iniciado por David Geffen. Aliás, Geffen e Elliot Roberts administraram inicialmente a banda.


EAGLES, O PRIMEIRO DISCO

O álbum de estréia foi gravado na Inglaterra, em fevereiro de 1972 e lançado em 26 de junho deste mesmo ano. A banda teve aceitação imediata, emplacando três singles no Top 40. O primeiro single e faixa, “Take It Easy” alcançou a posição de nº 12 na Billboard Hot 100 e impulsionou a banda ao estrelato. O single foi seguido pela blueseira “Witch Woman” e pela balada soft country rock “Peaceful Easy Feeling”, que atingiram as posições 9 e 22, respectivamente. Além disso, o álbum também está incluso no livro de 2008, 1001 Discos Para Puvir Antes de Morrer, de Robert Dimery.

DESPERADO, O SEGUNDO DISCO


Este álbum foi baseado no Velho Oeste e inspirado na Quadrilha dos Dalton, onde fazem comparações entre seus estilos de vida e dos astros do rock modernos. Este álbum apresenta uma tendência do grupo para a composição conceitual.
Foi durante as gravações desse álbum, que Don Henley e Glenn Frey começaram a compor juntos, participando de oito das onze músicas do disco, incluindo duas das canções mais populares do grupo: “Tequila Sunrise” e “Desperado”. As músicas “Twenty-One”, “Doolin-Dalton” e a balada “Saturday Night” mostraram as habilidades do guitarrista Bernie Leadon com a guitarra, banjo e bandolim.
A história do Velho Oeste foi notável através da gangue “Doolin-Dalton”, cuja história ganha foco nas músicas “Doolin-Dalton”, “Bitter Creek” e “Desperado”. Este álbum não foi tão bem sucedido como o anterior, alcançando apenas a posição 41 na parada de álbuns pop dos Estados Unidos, tendo apenas dois singles na parada da Billboard: “Tequila Sunrise” e “Outlaw Man”, que alcançaram as posições 61 e 59, respectivamente. Além disso, a canção “Desperado” fez parte da lista da revista Rolling Stone de 2004 das “500 Melhores Canções de Todos os Tempos”, onde ficou na posição 494.
Este álbum marcou uma mudança significativa para a banda, com Don Henley e Glenn Frey escrevendo juntos a maior parte do disco, um padrão que continuaria nos anos seguintes. Posteriormente, a dupla começou a conduzir a banda em termos de liderança e composição, distanciando o foco da banda de Randy Meisner e Bernie Leadon, apesar das suposições iniciais de que eles conduziriam a banda.

ON THE BORDER, O TERCEIRO DISCO


Para este disco, Don Henley e Glenn Frey queriam que a banda se afastasse um pouco do estilo da música contry, que foi como eles ficaram conhecidos, e se aproximassem do hard rock. Durante a produção do álbum, os Eagles trocaram de produtor e, este convidou Don Felder para uma sessão de gravação para tocar guitarra slide na música “Good Day In Hell” e dois dias depois, os integrantes ficaram tão impressionados que convidaram Don Felder para se tornar o quinto Eagle. Ele apareceu em apenas uma outra música do álbum, em “Already Gone”, onde faz um duo de guitarra com Glenn Frey. On The Border rendeu um single na posição número 1 na Billboard. “Best Of My Love” atingiu o topo das paradas em 1º de março de 1974, tornando-se a primeira música dos Eagles a alcançar esta posição. “Already Gone” também foi bem sucedida, atingindo a posição 32 nas paradas e mostrando um pouco do novo som da banda com a adição de Don Felder. O álbum também contou com o cover “Ol’55” de Tom Waits e o single “James Dean”, que alcançou a posição de nº 77.
A banda também também tocou no festival California Jam, em Ontário, Califórnia, em 06 de abril de 1974. Atraindo mais de 200.000 fãs, tocando ao lado de gigantes dos anos 70 como Black Sabbath, Emerson, Lake & Palmer, Deep Purple, Earth, Wind & Fire, Seals & Crofts, Black Oak Arkansas e Rare Earth. Partes do show foram televisionados pela ABC nos Estados Unidos, expondo a banda para um público bem maior.

ON THESE NIGHTS, O QUARTO DISCO


O Eagles lançou seu quarto album de estúdio, One These Nights, em 10 de junho de 1975. Esse foi o último álbum a apresentar o membro fundador Bernie Leadon e primeiro a incluir o guitarrista Don Felder como membro. Bernie estava desiludido com a direção musical que a banda estava seguindo. Leadon participou da composição de duas músicas do álbum, “I Wish You Peace”, que ele escreveu com Patti Davis (filha do futuro presidente Ronald Reagan e Nancy Davis Reagan) e cantou. Ele também escreveu a instrumental “Journey Of The Sorcerer”, que mais tarde seria usada como a música tema de apresentação do programa de rádio da BBC Radio 4, The Hitchhiker’s Guide To Galaxy.
Em 20 de dezembro de 1975, foi anunciado que Bernie Leadon havia deixado a banda e que Joe Walsh havia sido contratado como seu substituto. Walsh, que anteriormente havia tocado no James Gang, Barnstorm e trabalhado em sua carreira solo, entrou em contato com o Eagles, por meio de seu produtor, que também havia trabalhado em banda de Walsh e em alguns trabalhos solo. Com a saída de Leadon, o som country do início dos Eagles quase desapareceu completamente, com a banda empregando um som mais pesado com as vindas de Felder e Walsh.
One Of These Nights provou ser um album de sucesso, tornando-os conhecidos internacionalmente. O primeiro single lançado foi a faixa-título do álbum, que se tornou o segundo single a atingir a posição nº 1 nas paradas (“Best Of My Love foi o primeiro). O segundo single foi “Lyin’ Eyes”, que alcançou a posição nº 2 nas paradas e concedeu à banda o seu primeiro Grammy na categoria “Melhor Performance Pop Por Um Duo Ou Grupo Com Vocais”.
O terceiro e último single  foi “Take It To The Limit”, que foi escrito por Randy Meisner, Don Henley e Glenn Frey. A música apresenta Meisner no vocal e chegou à posição nº 4 nas paradas. O álbum também traz “After The Thrill Is Gone”. A banda embarcou em uma enorme turnê mundial para divulgar o álbum, chamada One Of These Nights Tour e durou dez meses. One Of These Nights foi indicado ao Grammy na categoria “Álbum do Ano”, em 1976.
No início de 1976 a banda lançou sua primeira coletânea, chamada de Their Greatest Hits (1971 – 1976). O álbum viria a se tornar o disco mas vendido na história dos Estados Unidos, com mais de 29 milhões de cópias vendidas no país e 42 milhões de cópias em todo o mundo. Este álbum consolidou o status da banda como a de maior sucesso na América da década.

HOTEL CALIFORNIA, O QUINTO DISCO


Lançado em 08 de dezembro de 1976, sendo o primeiro a incluir Joe Walsh como membro do grupo. O álbum levou mais ou menos oito meses para ser gravado e finalizado em estúdio, além de ser o primeiro sem Bernie Leadon. Pouco tempo depois de sua saída dos Eagles, ele começou sua carreira solo. Sua maior contribuição para o álbum foi a música “Try And Love Again”, que ele compôs e cantou nos vocais principais.
O primeiro single do álbum foi “New Kid In Town”, que se tornou a terceira música do grupo a alcançar a posição nº 1 nas paradas. O segundo single foi a faixa-título “Hotel California”, que também liderou a parada da Billboard em 07 de maio de 1977. A faixa acabou se tornando a música assinatura do Eagles. A faixa apresenta Don Henley nos vocais e contém um duo de guitarra no final da música com Don Felder & Joe Walsh. A música foi composta por Don Felder, Don Henley e Glenn Frey.
“Life In The Fast Lane” também foi um grande sucesso, estabelecendo a posição de Joe Walsh na banda com seu som mais hard rock. Esse foi o terceiro e último single lançado de Hotel California e chegou à posição nº 11 nas paradas. A balada “Wasted Time” encerra o primeiro lado do disco, enquanto uma reprise do mesmo, só que instrumental, abre o segundo lado. O álbum se encerra com “The Last Resort”, uma música de Glenn Frey, até recentemente, se referia como o maior trabalho de Don Henley.
Assim como Eagles, Hotel California também aparece na lista da revista Rolling Stone das “500 Melhores Canções de Todos os Tempos”, ocupando a posição de nº 37. É, também, seu álbum de estúdio mais vendido, com mais de 16 milhões de cópias vendidas até o momento, só nos Estados Unidos. O álbum também ganhou dois Grammys, um na categoria “Gravação do Ano” para “Hotel California” e outro na categoria”Melhor Arranjo Vocal” para “New Kid In Town”. “Hotel California” liderou as paradas e em 1978 foi indicado ao Grammy na categoria “Álbum do Ano”, mas perdeu para Rumours do Fleetwood Mac. Para divulgar o álbum, o Eagles embarcaria em outra grande turnê mundial, apesar da troca de membros da banda e de suas tensas relações pessoais e criativas.

Depois da Hotel California Tour, Randy Meisner deixou a banda e voltou para sua terra natal, Nebrasca, onde começou uma carreira solo. A banda substituiu Meisner por Timothy B. Schmit do Poco. Coincidentemente, ele foi substituído pelo mesmo homem que o substituiu na banda Poco, Timothy B. Schmit. Em 1977, o grupo, menos Don Felder, realizou um trabalho instrumental e no backing vocal no álbum Little Criminals de Randy Newman, inclusive no controverso hit “Short People”, que tem Glenn Frey e Timothy Schmit no backing vocal.

* Uma curiosidade sobre a música Hotel California: A música é conhecida por sua letra misteriosa. As letras foram interpretadas de várias maneiras, algumas delas controversas. Durante uma aparição no programa 60 Minutes, em 2007, Don Henley desfez o boato de que a música tinha alguma ligação com o satanismo. Nela, Henley diz que “é basicamente uma canção sobre o lado sombrio do sonho americano, e sobre o excesso na América, que é algo que eu sabia muito sobre”, disse.

THE LONG RUN, O SEXTO DISCO E A DISSOLUÇÃO


Em 1978, o Eagles entra em estúdio para produzir seu sexto álbum de estúdio. O objetivo inicial da banda era que esse fosse um álbum duplo, mas seus integrantes não conseguiram compor as músicas suficientes. The Long Run foi lançado em 24 de setembro de 1979, com grande êxito. Embora considerado uma decepção por alguns críticos, por não fazer jus ao álbum anterior, mas ele surpreendeu, sendo um grande sucesso comercial. O álbum chegou ao topo das paradas e vendeu 7 milhões de cópias. Dos seus três singles lançados, “Heartache Tonight” alcançou a posição nº 1 das paradas musicais e “The Long Run” e “I Can’t Tell You Why” alcançaram, ambas, a posição nº 8 das paradas.
A banda também ganhou seu quarto Grammy, na categoria “Melhor Performance de Rock Por Um Duo Ou Grupo Com Vocais” por “Heartache Tonight”. Durante a gravação do álbum, a banda também gravou duas músicas natalinas, em 1978, “Please Come Home For Christmas” e “Funky New Year”. “Please Come Home For Christmas” foi lançada como single em 1978 e alcançou a posição nº 18 nas paradas musicais.
O Eagles também contribuiu na música “Look What You’ve Done To Me” de Boz Scaggs, o tema de amor do filme de 1980, Cowboy do Asfalto”. O grupo também ajudou Scaggs a re-gravar os vocais de “Look What You’ve Done To Me”, de modo que a música pudesse ser incluída no álbum de Greatest Hits. A versão desta música, na trilha sonora do filme, utiliza um coro feminino em vez dos backing vocais do Eagles.
Em 31 de julho de 1980, em Long Beach, California, os ânimos “eferveceram” e ultrapassaram os limites no que foi descrito como a “Longa Noite na Praia Errada”. Glenn Frey e Don Felder passaram o show inteiro descrevendo um ao outro a pancadaria que cada um planejara um contra o outro depois nos bastidores. Precia ser o fim do Eagles, embora a banda ainda devesse à Elektra Records um disco ao vivo da turnê. Eagles Live foi lançado em 07 de novembro de 1980, por Glenn Frey e Don Henley em estúdios opostos, pois os dois decidiram que não podiam estar no mesmo lugar, muito menos no mesmo estúdio.

DISSOLUÇÃO E UM ENORME INTERVALO


Após a dissolução do Eagles, cada ex-membro embarcou em uma carreira solo.
*Joe Walsh já havia se estabelecido como um artista solo em 1970, antes e durante seu tempo com o Eagles, mas era terreno desconhecido para os outros.
* Donald Hugh “Don” Henley, lançou uma bem sucedida carreira solo, ganhando sete prêmios Grammy e atingindo os dez mais da Billboard Hot 100 seis vezes. Em 2008, foi nomeado o 87º melhor cantor de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Desde 1994 divide sua atividade musical entre os Eagles e sua carreira solo.
* Glenn Lewis Frey, interpretou vários sucessos dos Eagles como “Take It Easy”, “Peaceful Easy Feeling”, “Tequila Sunrise”, “Already Gone”, “Lyin’ Eyes”, “New Kid In Town” e “Heartache Tonight”. Em sua carreira solo destacam-se “The One You Love”, “Smuggler’s Blues”, “Sexy Girl”, “The Heat Is On”, da trilha sonora de 1984, Um Tira da Pesada e “You Belong To The City”, da trilha sonora de Miami Vice. No total, como artista solo e com o Eagles, Glenn Frey teve 24 singles Top 40 na tabela musical Billboard Hot 100.

1994 – O PRIMEIRO RETORNO

Em 1994, Glenn Frey, Don Henley, Timothy B. Schmit e Joe Walsh se reunem para a gravação de quatro músicas inéditas: “Get Over It”, “Love Will Keep Us Alive”, “The Girl From Yesterday” e “Learn To Be Still”. Reunidas com mais onze músicas gravadas ao vivo, é produzido o segundo álbum ao vivo da banda, Hell Freezes Over, lançado em 08 de Novembro de 1994. “Love Will Keep Us Alive” atinge o topo das paradas musicais.

2007 – UM NOVO RETORNO

Sem lançar um álbum de estúdio desde 1979, ficando 28 anos sem lançar um álbum com músicas inéditas, em 30 de outubro de 2007, lançam Long Road Out Of Eden, o sétimo álbum de estúdio da banda Eagles. Um disco duplo com 20 músicas inéditas. Foram lançados três singles deste álbum,  "No More Cloudy Days", lançado em 2006,
"How Long", lançado em 20 de agosto de 2007 e "Busy Being Fabulous", lançado em janeiro de 2008. A banda conquistou mais dois Grammy Awards, um pela música "How Long" na categoria "Melhor Performance de Rock Por Um Duo Ou Grupo Com Vocais" e outro pela música "I Dreamed There Was No War" na categoria "Melhor Performance Pop Instrumental".

UMA PREVISÃO E UMA BAIXA IMPORTANTE

Numa entrevista à CNN, Don Henley disse: "Este é provavelmente o último álbum que os Eagles farão", falando sobre Long Road Out Of Eden, de 2007. Parece que já estaria fazendo uma previsão nada animadora.


Pelo menos com a formação anterior o Eagles jamais fará outro álbum, pois no dia 18 de janeiro de 2016, faleceu aos 67 anos de idade, o guitarrista Glenn Frey, um dos membros fundadores do Eagles. As causas de sua morte são atribuídas a complicações decorrentes de artrite reumatóide e pneumonia durante a recuperação de uma cirurgia gastrointestinal. Com certeza, será mais uma grande perda para o mundo da música. 

Bem pessoal, a saudade era muita, mas infelizmente tenho que comentar estas passagens que são lamentáveis para o mundo da música, mas que lamentavelmente fazem parte desse incrível circo que é a vida. Até a próxima postagem, onde comentarei também, sobre outra passagem, a do grande camaleão chamado David Bowie.

Vejam mais de Eagles em:






































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